Peço aos ilustres bloguistas que me esclareçam as seguintes dúvidas :
1 - A solução proposta para o TGV não resolve o problema do transporte de mercadorias . Para este transporte será necessário construir uma outra linha paralela ; nem tão pouco está prevista a utilização de um bitola de dimensão europeia . Este meu entendimento está correcto ?
2 - Há bastante tempo li um artigo que irei reproduzir uma parte significativa .
Alta Velocidade - Jack Soifer
20 Janeiro 2009 - OJE
"....O light Alfa é tecnologia de ponta , faz 240 km/h de média , quase igual ao TGV e , ao invés deste , não está nas mãos de só nove empresas de quatro países . Ao ligar Faro a Braga pelo interior , o Train Grand Developpement ( TGD ) com ramais para Badajoz e Vigo e gastando 1,5 mil milhões de euros , traria emprego a 78 firmas e 18 mil cidadãos portugueses .
Só seis empresas de França , Reino Unido e Alemanha estão certificados para vender carris , material eléctrico e electrónico , carruagens , etc, para o TGV . A Espanha tem três empresas certificadas para as pontes e a infra-estrutura . Exige-se quatro anos e milhões para certificar . Não estarão num cartel ?
Estimativas de países que pensaram investir ou já fizeram TGV mostram brutais derrapagens . Os três grandes da UE exportariam para Portugal 65 a 74% dos 5 mil milhões de euros , a Espanha uns 20% e as nossas três mega - empresas 8 a 9% . Mas três gerações teriam que pagar mais quatro mil milhões de euros de juros e sobre-juros ao cartel e cada um dos nossos 5 milhões de empregados mais €500 / ano de impostos em subsídios do Governo ao consórcio do TGV .
Se o racional e inovador é o light Alfa , que lóbi de Bruxelas está a forçar um ministro a meter-nos goela abaixo uma dívida irracional ? Porquê estes dados não chegam ao José Socrates ? "
A minha questão é : isto é verdade ? Alguém tem informação que rebata esta argumentação ? Muito grato ficarei se me ajudarem nestas questões que me atormentam o espírito e me deixam enfurecido , desanimado , frustrado , perplexo , tanto mais que ao procurar este artigo que vos transcrevi encontrei este pedaço de escrita do Eça de Queiroz , em 1867 in " O Distrito de Évora ", que transcrevo :
" Ordinariamente todos os ministros são intelegentes , escrevem bem , discursam com cortesia e pura dicção , vão a faustosas inaugurações e são excelentes convivas . Porém , são nulos a resolver crises . Não têm a austeridade , nem a concepção , nem o instinto político , nem a experiência que faz o ESTADISTA .É assim que há muito tempo em Portugal são regidos os destinos políticos . Política de acaso , política de compadrio , política de expediente . País governado ao acaso , governado por vaidades e por interesses , por especulação e corrupção , por privilégio e influência de camarilha , será possível conservar a independência ? "
Escrito há 143 anos ! Poderia ter sido escrito hoje , totalmente actual , dando o benefício que os nossos ministros são intelegentes , escrevem bem , discursam com cortesia e pura dicção , são excelentes convivas .
Isto traz-me à memória uma história :
Certa manhã um filho foi convidado pelo pai , pessoa muito sábia , a dar um passeio no bosque . Deteve-se subitamente numa clareira e perguntou-lhe :
- Além dos pássaros , ouves mais alguma coisa ?
O filho apurou os ouvidos e respondeu : estou a ouvir o barulho de uma carroça .
-Isso mesmo , disse o pai , de uma carroça vazia .
O filho perguntou : como sabe que está vazia , se ainda a não vimos ?
- Ora , é fácil ! Quanto mais vazia está a carroça , maior é o barulho que faz .
Quando hoje vejo uma pessoa a falar de mais , aos gritos , prepotente , interrompendo toda a gente , a querer demonstrar que só ele é dono da verdade , tenho a impressão de : quanto mais vazia a carroça , maior é o barulho que faz .
Chega de filosofia barata . Um bom fim de semana para todos , ficando à espera do vosso auxílio para as dúvidas aqui suscitadas .
Um abraço
Adolfo
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Adolfo,
ResponderEliminarSobre o TGV , é obvio que os interesses são muitos , tem é que se tirar partido do sistema instituído. A linha Lisboa – Madrid é que concentra os fundos comunitários, por isso não devemos ser nós os “tansos” ou os coitadinhos do costume .
Ainda relativamente ao seu ultimo post, definitivamente temos uma grande divergência na apreciação ao Primeiro Ministro. Posso não concordar com a sua apreciação, mas respeito-a e registo-a. Até porque gosto da forma como escreve e fundamenta a sua opinião. Noto que viu com agrado a aproximação bilateral do PM com o líder da oposição perante um ataque externo. Assim ganha o País. E Ganham mais legitimidade para criticar os que também apreciam pela positiva. Foi o caso.
Um abraço
Joaquim