sexta-feira, 30 de julho de 2010

Uma farpinha com carinho

Não resisto a uma farpinha ao nosso querido amigo Joaquim.
Então o negócio da PT era bom e o Estado não se deveria ter imiscuido.
Lembre-se que o "bom negócio" era a PT receber 7,15 mil milhões por perder 50% da sua facturação e ter ficado sem qualquer presença internacionacional ,sobretudo a nível do Brasil e ,dada a sua dimensão ter ficado vulnerável a qualquer OPA de qualquer telefónica...
Todavia, após a oposição do Estado, a Telefónica fez o que deveria ter feito desde o início ou seja NEGOCIAR.
E com esta negociação chegou-se a um péssimo negócio: a PT vai receber mais uns trocos (leia-se 400 milhões ou seja 80 milhões de contos), mantém presença significativa no Brasil e a Telefónica fica com a VIVO.
Ou seja, win-win, o princípio em que se baseiam (ou deviam basear ) todos os negócios!
Conseguiu-se portanto um excelente negocio que satisfaz todas as partese mesmo só em termos de dinheiro ,os accionistas ganharam mais 400 milhões ,para além de terem perspectivas futuras de ganhar mais dinheiro pois a PT será muito maior que o "negócio" inicial previa( de notar que a OI teve um resultado de 400 milhões no 1º semestre ).
Mesmo assim, este acordo só foi possível com as negociações entre os Estados portugues e brasileiro e não pela intervenção dos accionistas.
Pois é ,senhores liberais, sem o Estado isto.... não vai lá!

domingo, 25 de julho de 2010

Fábula sobre os mercados

Há 2 anos, os mercados, essa entidade mitica que rege as vidas dos 27 mil milhões de almas que habitam o planeta azul, acordaram estremunhados com uma crise que não tinham previsto, a do crédito imobiliário de alto risco nos EEUU, e decretaram: isto é um problema da Fannie Mae e Freddie Mac, que os americanos resolverão tranquilamente.
Passaram meses e , de repente, os mercados descobriram que a tal crise afinal tinha contaminado parte do sistema financeiro norte americano.
Preocupante, mas não dramático. Alguns bancos especializados e regionais poderiam falir, outros seriam comprados, mas a vida continuaria o seu curso normal.
Os dias continuaram a passar e, subitamente, os mercados descobriram que havia produtos derivados, cujo risco ninguém sabia medir, que lá dentro carregavam o vírus do crédito imobiliário de alto risco e que tinham sido disseminados pela carteira de investimentos de muitos bancos.Nova sentença dos mercados: este é um problema dos EEUU. A Europa e o resto do mundo estão livres do flagelo.
Não contaram os mercados nem com o poder mortal e difusor dos tais derivados nem com a acção nem com a acção da Administração americana ( campeã do liberalismo #), que resolveu deixar caír um dos mais conhecidos bancos de investimento do mundo , a Lehmann Brothers.
E de um momento para o outro, o sistema financeiro mundial ficou á beira da catástrofe.
Os mercados entraram em histeria e determinaram aos berros: não se pode cometer erros praticados na Grande Recessão de 1929! Os Governos têm de salvar os Bancos em dificuldades, deixar deixar funcionar os estabilizadores automáticoa (i.e. aumentar fortemente os defices orçamentais e injectar milhões nas economias ). E os Governos assim fizeram : apoiaram os bancos, a indústria automobilistica, a aeronautica, e todas cuja falêcia seria um desastre para os trabalhadores.Mas apesar dos milhões injectados nas economias, sob recomendação dos mercados, o ritmo de crescimento dessas começou a abrandar vertiginosamente e o desemprego iniciou uma subida em flecha, sobretudo na Europa, com uma estrutura laboral mais rígida que os EEUU. E o mundo desembocou então numa crise económica e social.
Para os sistema financeiro mundial, contudo, surgiam sinais de que, com mais ou menos dificuldades, o pior já tinha passado. E os mercados , uff!, respiraram de alívio.Salvar a finança era essencial. O regresso ao business as usual estava garantido.
E aí os mercados repararam que os defices orçamentais dos Governos tinham disparado, sobretudo os dos países do Sul da Europa, que podiam estar á beira da falência ( apesar do primeiro país a falir ter sido a Islândia).
Como é possível este depautério?
Têm que reequlibrar novamente os orçamentos!E os Governos assim fizeram um , dois, três programas para cortar rápidamente os defices.
Aí os mercados disseram de novo: ah, já se apresentaram programas para reduzir rapidamente os defices?Muito bem. Mas essa redução é recessiva. E sem crescimento vocês não vão pagar os financiamentos que nos pedem.è melhor começarem a desenvolver políticas públicas para fomentar o crescimento, se não estão tramados connosco, os mercados. E lá vamos nós outra vez....

Pois esta brilhante escrita não é minha mas do Nicolau Santos no Expresso a qual subscrevo ja que tem todos os ingredientes que aqui tenho defendido.
É por isso que ser liberal não está no meu horizonte.
Á reacção e as receitas erráticas dos mercados, trouxeram como consequência o desemprego e o desespero de milhões de pessoas no mundo.
Deixar que esses mercados dirigam o mundo dá nisto.
Como diz o Adolfo a nossa forma de desenvolvimento está esgotada, incluíndo os mercados financeiros e outros.
Quando a coisa se torna feia, chama-se o Estdo que ,com o dinheiro dos cidadãos ,trava o desastre ! Depois , qd as coisas correm bem, chama-se-lhe vilão !
Esta escrita do Nicolau sobre a recente crise mostra bem o falhanço do liberalismo tout court que se entrega na totalidade aos "mercados". Continuar a defender este sistema, é como o PCP continuar a defender o comunismo mesmo depois de ele ter morrido.

liberalismo á portuguesa

Rocha de Matos veterano dirigente dos empresários portugueses, pediu que o Estado português pagasse a dívida do Estado angolano ás empresas portuguesas transferindo o risco da dívida para o Estado (e os cidadãos portugueses) a fim de viabilizar as empresas que operam em Angola !
Nada mau, este liberalismo é mesmo muito interessante !
Qd as coisas andam bem, o Estado é um vilão, qd as coisas andam mal, o Estado é a tábua de salvação. !
Se não fosse ordinário, utilizaria as palavras de Maradona há uns tempos (aquelas que lhe valeram um castigo da FIFA)

sábado, 24 de julho de 2010

Stress tests

Defendi aqui várias vezes que a condução da crise por parte da UE é desastrosa.
Depois de incentivarem os Governos a injectar dinheiro na economia sem problema de violar o PEC de 3% de defice, a fim de reduzir os efeitos da crise, ficaram surpreendidos com a reacção dos mercados que atacaram o euro.
Reagiram nervosamente e mesmo em pânico , forçando os países a recuperarem mais rápidamente do que o previsto, obrigando á criação de medidas de austeridade para rápidamente reduzir os defices e o endividamento.
O que aconteceu foi que os mercados não se aclmaram e o euro continuou a descer na sua relação com as moedas de referência.
O mercado entendeu que estas medidas sendo recessivas em vez de resolver o duplo problema do defice e do endividamento, pelo contrário ainda o agrava dado o fim do investimento público e do investimento privado na economia.

Reagiram os líderes (??), criando o stress test para "acalmar" os mercados e restituír a sua confiança na solidez do sistema financeiro europeu.
Escrevi aqui que era uma manobra psicológica e que não resultaria, dado que a anteriori a UE sabia que não havia Bancos em perigo porque, se os houvesse, o efeito sistémico iria implodir o sistema financeiro.
Estas questões são óbvias e põem em perigo a credibilidade dos referidos tests.
Mais uma vez tinha razão.
O euro baixou para o vermelho 4 horas antes do anúncio dos resultados e subiu muito ligeiramente após o anúncio, não sendo possível no entanto a saída do vermelho.
O objectivo principal de acalmar os mercados não foi pelos vistos conseguido!
Não tenho dúvidas no entanto que os doutos líderes europeus, virão com qualquer outro instrumento para atingir o objectivo de acalmar os mercados.
E fá-lo-ão de forma atabalhuada e em pânico, como tem sido até aqui.
Seja o que fôr que inventem não julgo que irão atingir os objectivos de convencer os mercados da boa situação financeira simplesmente porque é má e igualmente não conseguirão convencer ninguém que as medidas recessivas são adequadas, simplesmente porque não são !

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Férias cá dentro

Vou de Ferias, em família, amanhã Sábado. Os últimos 3 anos foram em Biarritz. Este ano sensível ao apelo do Sr: Presidente da Republica e do Sr: Presidente do Governo da região autónoma da Madeira , juntei dois em um , e daí deu Férias em Porto Santo .

Sem qualquer Ironia, desejo de boas Férias para os meus queridos amigos bloguistas, se for esse o caso.

PS : Temos excelentes temas para debate como a eventual revisão constitucional, e do sistema Politico, já notavelmente comentados pelo Jorge. Concordo com a maior dos argumentos. Irei mais tarde rebater os pontos de não concordância. Queria, duma forma geral , realçar que finalmente o PSD é uma alternativa - goste-se ou não , concorde-se ou não – depois do deserto de Lideres (com expoente máximo de mediocridade personalizado por Manuel F,Leite). Reconheço que me revejo no ímpeto Liberal de Passos Coelho em relação á economia. Voltaremos ao assunto, seguramente.

PS2 : Uma boa Noticia de ultima hora . Os 4 grandes bancos nacionais passaram com distinção nos testes de Stress. Com uma boa nota de solidez financeira, e dos melhores Ratios de Capital ( “Tier 1”) em cenários adversos mais o choque de risco soberano. Este anuncio da CEBS teve ainda em consideração a resistência de 91 bancos Europeus a situações extremas. Meus amigos, seguramente que esta avaliação vai ser desvalorizada pelos mesmos de sempre. Como os falhados defendes sempre os falhados , talvez seja boa ideia darem uma ajuda aos Espanhóis , pois chumbaram 5 bancos no teste de stress .

Um abraço e até breve
Joaquim

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Duas boas

A lata que certos tipos têm , não para de nos surpreender!
O Dr Ricardo Salgado , o maior accionista da PT, elogiou (!!??) ontem a utilização pelo Estado das golden shares , porque "afinal até podem dar bom resultado"
Isto a propósito das negociações com a OI e também ao facto de que a Telefónica poder ainda aumentar a oferta pela Vivo.
É realmente uma vergonha este tipo que nos últimos dias negociou com a Vivo e votou a favor da venda apesar de , como dizia Rebelo de Sousa, ter sempre dito públiamente que defendia a PT com esta dimensão em mãos portuguesas, o mesmo tipo criticou a acção do governo "por evitar um bom negócio" e agora vem elogiar acção do Governo pela mesma razão.
São estes tipos rasteiros sem verticalidade que têm poderes importanetes na economia !

Ontem 2 deputadas do PS submeteram á votação na AR de um diploma tendente a eliminar 2 feriados "civis" e outros tantos "religiosos", para além de criarem outros sistemas para criar pontes junto aos fins de semana.
Portugal que é o 2º país da UE com mais feriados e férias (imediatemente a seguir á Itália), e o país com mais baixa por doença da UE (apesar de a esperança de vida ter aumentado 5 anos nos últimos 6 anos em consequência da melhor alimentação e de melhores cuidados de saúde, o que leva a OCDE a considerar que 40% dessas baixas são fraudelentas), pois apesar disso ,os únicos que votaram a favor foram as 2 deputadas proponentes, tendo todos os partidos votado contra.
Não querem ver esta idiota obrigarem os senhores deputados (certamente na lidernça do absentismo nacional) a trabalharem mais ?
Pobre país entergue a esta gente.
Com líderes assim, não de admirar que sejamos preguiçosos, irresponsáveis e trafulhas.
Ás vezes tenho vergonha de pertencer a esta comunidade !

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Comissões de trabalhadores e sindicatos

Desde o 25 de Abril, abriu-se uma guerra entre estas duas instituições. Os sindicatos controlados pelo PCP lutaram denodadamente contra as Comissões de Trabalhadores e conseguiram em larga percentagem neutralizá-la.
Porquê?
Básicamente por 2 razões:
- Primeiro porque as CT integram no seu seio tendências de vária ordem que, pela aplicação do método de Hondt têm sempre participação maioritária ou minoritária , sendo assim mais difícil o controle por parte do PCP (ou de outro qualquer partido como o PS na UGT).
O facto de que a CT obriga a que pelo mnos 50% mais um trabalhadores votem , faz com que seja muito mais representativa que os sindicatos (em que apenas votam os trabalhadores sindicalizados naquele sindicato)
Assim, numa empresa de 1000 pesssoas a CT foi votada pelo menos por 501 pessoas, enquanto que se a empresa tiver apenas 100 empregados sindicalizados , eles podem eleger os seus delegados sindicais que pouco ou nada representam mas que têm poderes consideráveis que lhes são atribu+idos por lei!
Ou seja a empresa tem que dialogar com a CT que representa pelo menos 500 trabalhadores e, em igualdade de direitos, com os sindicatos que apenas representam 100 !!
Assim é possível mmanter os dirigentes sindicais por dezenas de anos , embora eleitos por um número ridiculamente diminuto de trabalhadores e o controle apertado de partidos, nomeadamente o PCP.
- Se juntarmos ao acima dito existe ainda uma outra razão para que os sindicatos temam as CT e as queiram ,pura e simplesmente suprimir: trata-se do facto das CT estarem muito mais viradas para os interesses dos trabalhadores e da própria empresa, preferindo tratar de assuntos concretos que afecte a vida dos seus representados, estão pouco virados para acções de carácter político/partidário, greves de solidariedade, etc

O que penso é que a forma de eleição dos sindicatos é pouco democrática e os sindicatos passam a ser vanguardas políticas dado que têm pouca representatividade.
Assim, talvez uma alteração no sistema de eleição dos delegados sindicais fosse no sentido de tornar os sindicatos mais verdadeiramente representativos e independentes de partidos políticos.
Parecia-me uma boa achega.
A não ser assim, temos o exemplo da AutoEuropa que tem CT e CSindical.
A CT acordou coma Administração um "pacote" determinado.
A CSindical, dominada pelo PCP , que nunca acorda com nada, manipulou o plenário e acabou (por uma unha negra) por regeitar o "pacote"
Como saír desta confusão ? Com quem deve a Administração dialogar ? Bagunça !!
Se os políticos estão tão interessados em alterar a CRP, talvez fosse mais útil alterar estas leis para assegurar um melhor e mais democrático funcionamento dos órgãos representativos dos trabalhadores !

Violação de direitos

Já estão os portugueses habituados á incompetência dos nossos dirigentes.Mas a verdade é que , apesar de tudo, ainda nos conseguem surpreender.
O Sr Ministro da Justiça respeitado e distinto advogado (uma excepção áregra) resolveu propôr uma alteração ás penhoras de bens com vista a pagar dívidas a fim de tornar o processo mais expedito.
Quer o referido senhor que as penhoras que hoje só podem ser realizadas por ordem de juízes, possam ser efectuadas por funcionários judiciais e por solicitadores de execução.
A verdade é que os funcionários não são sequer juristas não estando portanto habilitados para o desmepenho de tais tarefas e os solicitadores são contratados por uma das partes, os credores, não estando portanto em condições de agir com isenção.
Se não fosse grav, até dava vontade de rir.
Ora a aplicação da justiça tem que ser feita pelos tribunais , leia-se , por magistrados (juízes).
Se os entregamos a gente impreparada e sem autoridade para o efeito ou por gente que age comparcialidade, é um atropelo aos direitos dos cidadãos.
Faltam-me adjectivos para classificar esta proposta tal a indignação que sinto.
O Estado demite-se de cumprir o seu dever de aplicação da justiça com imparcialidade em nome da "rapidez", atropelando os direitos dos cidadãos.
O incrível é que tal proposta é apadrinhada por um distinto jurista !
Bem digo eu que estes tipos quando vão para Ministros , ao assinarem a tomada de posse, perdem uma parte da sua inteligência e os valôres que supostamente deveriam defender.
É verdadeiramente um fenómeno de estupidez e falta de bom senso.
Não há paciência !

Dados económicos

Parece que afinal não sou assim tão burro em macroeconomia.
- O Estado português colocou 1,2 mil lilhões de dívida pública , apesar de ter pago 2,4% de juros o dobro que pagou no 1º trimestre. No entanto, a procura foi 3 vezes a oferta, mais de 3,5 mil milhões tendo que haver rateio.
Para os que dizem que a minha (e de outros ) teoria Keynesiana não se pode aplicar "porque não há dinheiro" aqui está a resposta.
Para uum país que vê os seus ratings descerem a cada semana e que até já se falou que havia a possibilidade de saír do euro, convenhamos que não é mau. De notar que a Alemanha colocou 4 mil milhões mas que não foram satisfeitos na sua totalidade por falta de procura!
- A perfromance orçamental em comparação com o ano anterior é pior.
Houve um aumento da despesa de 1,4% sobretudo nas despesas com o pessoal (promoções do estatuto da função publica e da nova carreira dos professores). Todos os outros items da despesa se mantiveram igual ao ano passado.Isto apesar dos aumentos de ordenados estarem congelados!
Para os que ainda duvidam de que nunca haverá equilíbrio orçamental sem a redução drástica do número de funcionários, absolutamente delirantes, aqui vai a resposta.
Por outro lado, a receita dos impostos reduziu 400 milhões.
Quer dizer, o equilíbrio orçamental é uma ilusão porque aumentaram as despesas e reduziram-se as receitas, tal como previ e aqui escrevi várias vezes.
Para os que duvidam que as medidas recessivas tomadas em Portugal e também em toda a Europa não só não resolvem os problemas orçamentais e da dívida, pelo contrário ainda os agravam, aqui está a resposta.
Não é com prazer que tenho razao, diga-se ,mas factos são factos !

Mais uma achega ao Joaquim

Caro amigo como lhe disse cada um é o que é e também respeito as suas ideias como é óbvio.
No entanto , lembro-lhe que estando os cidadãos despendentes apenas dos mercados pode e é perigoso.
Repare, há poucos anos, o Dr Marques Mendes homem respeitável e o melhor líder do PSD dos últimos tempos, também veio propôr uma alteração em sentido liberalizante do sistema de reformas.
Pretendia ele que á semelhança do que se passava noutros países, mormente nos EEUU, as pessoas tivessem a possibilidade de escolher entre um sistema estatal e um sistema privado.
Ora os sistemas privados são sustentados pelo "mercado", mormente o mercado bolsista.
Ora como o liberalismo económico, falhou, os "mercados" deram o estoiro e milhões de pessoas perderam, tout court , as sua pensões , tendo ficado dependentes da caridade !
Este é mais um exemplo dos perigos de entregarmos TUDO aos mercados e também a razão porque , embora reconheça que não há vantagens em dar mensagens erradas aos mercados, existem por vezes VALORES mais importantes do que o sacrossanto mercado.
Eu sou o que se poderia chamar um social democrata.
Respeito e apoio a iniciativa privada como o motor da economia, entendo que compete ao Estado ser regulador e desenvolver as políticas, nomeadamente de caráceter fiscal que facilitem a iniciativa privada. Entendo , no entanto que o Estado deve ser detentor da defesa nacional, segurança ,justiça e ensino e saúde.
E penso mesmo que o s Estado deve ter poderes especiais (e não me repugna que seja proprietário) de recursos essenciais á vida humana como a água a energia, etc
A iniciativa privada procura legitimamente o lucro, o Estado , pelo contrário não deve estar ligado aos interesses , mas ao interesse nacional.
Estas realidades podem coexistir pacíficamente.
Quando o poder político se sobrepõe ao económico, os cidadãos podem controlá-lo. Quando o poder económico se sopbrepõe o cidadão não risca nada.
E quando há uma crise, os liberais esquecem a sua ortodoxia e aprovam que o dinheiro dos cidadãos seja utilizado para salvar as suas empresas(embora não seja essa a razão da intervenção).
Voltaremos a falar destes assuntos comcerteza.
Um abraço

A Constituição (cont)

Algumas palavras sobre as alterações á lei do Trabalho.
Sou dos que acha que alterações ás leis do trabalho são essencias á economia do país.
Temos uma lei inflexível que urge mudar.
No entanto, mais uma vez não estou de acordo com a proposta do PSD.
Eu faria assim:
-Alteração do conceito de direitos adquiridos e direitos indisponíveis. Isto permitiria que patrões e trabalhadores negociassem alterações ás condições existentes mesmo que fossem mais desfavoráveis ás existentes com a contrapartida da garantia dos postos de trabalho.
Isto foi o que a Siemens, Mercedes e VW fizeram recentemente na Alemanha. O mesmo fiz eu próprio em 1992 quando era Director de Recursos Humanos da europa e acordei uma redução dos salários e de várias regalias durante um período de 2 anos, com a contrapartida de não haver despedimentos. 2 anos depois voltámos á situação anterior antes da crise.
- Devolver ás partes (patrões e sindicatos) as negociações sobre as condições (horários, flexibilização, horas extraordinárias ). A lei hoje dispõe de tudo e não deixa margem de manobra ás convenções colectivas que acabam por discutir apenas os salários já que tudo o resto está na lai e de forma inflexível.
- Rever certas normas obsoletas como Dec-lei 874/76 que permite que se tenha direito a férias (e respectivo subsídio) sem se trabalhar pelo menos 12 meses !
Nos EEUU no primeiro anos, mesmo depois de 12 meses ninguém tem 30 dias o que só acontece após 3 anos!
ESta lei leva a que um trabalhador que trabalhe 5 meses de Dezembro a Abril com um sal´rio de 700 euros receba uma quitação de 2 500 euros!!
Numa economia em que 99% das empresas são PME, a economia real não aguenta.
- Alterar a lei do subsídio de desemprego.
Há dias na televisão mostrou-se um caso em que num conjunto de 12 pequenos concelhos no interior do país ,a iniciativa privada criou num ano 5 000 postos de trabalho.
Apesar dos Centros de Emprego da zona terem dezenas de milhares de desempregados, apenas 2 500 postos de trabalho foram ocupados por inscritos naqueles centros já que as pessoas se recusaram a trabalhar preferindo estar em casa a receber o subsídio.
- Finalmente concordo sem reservas que o conceito de justa causa seja alargado (que não necessita de qualquer alteração constitucional), por forma a penalizar os preguiçosos e que se prevejam situações que efctivamente na vida real.
Não concordo de modo nenhum com o "motivo atendível" que é um instituto jurídico que não existe em NENHUM país da UE !
Mais uma inovação , nós queremos sempre ser mais que os outros que aponta no sentido da arbitrariedade.
Nós queremos ter uma lei do trabalho moderna como os países da UE, não estamos interessados em regrassar ao taylorismo e utillizar conceitos bem aceites na China, mas não aqui.
- Finalmente diminuir o número de feriados e de pontes o que já se falou no Parlamento mas que , como sempre, ficou em águas de bacalhau.
Voltarei a falar sobre a educação e a saude mais tarde.
No entanto , desde já devo dizer que a apresentação desta proposta do PSD foi uma niciatica clarificadora.
Os cidadãos sabem com o que contar e, por uma vez, de forma clara.
Eu por mim estou esclarecido, não terão o meu voto apesar de pensar que , de longe, este lóder é o melhor dos últimos anos.
Todavia, com um programa destes , o PSD devia mudar de nome para ser coerente e , em vez de social democrata devia passar a Partido Liberal ! (pode ser que conseguisse o voto de alguns liberais que votam incompreensívelmente PS-desculpe a farpa)

terça-feira, 20 de julho de 2010

A Constitução (cont)

POrtanto ,esclarecida a questão da minha discordância na abolição do Estado Social, irei agora para a segunda questão: alteração do regime político.
O que pretende o PSD é ma alteração de um sistema semi presidencial para um siatema presidencial.
Não viria mal ao mundo com isso. Trta-se de diferentes concepções do sistema político é que se pretende que o PR esteja em funções por 6 anos!
Mais uma inovação portuguesa porque não se conhece qualquer país da Europa ou mesmo EEUU em que tal aconteça.
Se ainda tivermos em consideração que o PR pode demitir o 1º ministro sem dissolver a AR e sem convocar eleições , mudando asim o governo sem eleições, este sistema aponta para um caudilhismo e para a redução da importância da AR.
Aliás com as moções de censura construtivas, que de acordo com a proposta do PSD, não deitariam o Governo abaixo automáticamente como é acualmente, quer PR quer Governo poderiam continuar perpétuamente no poder !
A AR transformava-se assim uma espécie de raínha de inglaterra apesar de resultar da eleição directa dos cidadãos e portanto representar a sua vontade.
Não tem pés nem cabeça !
Se o que se pretende é criar maiorias e maior estabiliadade governativa, objectivo legítimo, então que se reveja a Lei Eleitoral para que se criem os círculos inonominais e se aumente a percentagem de votos necessária para ter representantes parlamentares á semelhança de Inglaterra e de outros países.
Assim, os deputados são escolhidos e prestam contas aos eleitores e não ás direcções partidárias, para além de se criarem mais fácilmente maiorias que dêem estabilidade governativa.
No entanto o PS e o PSD andam há cerca de 20 anos a discutir estas alteraçõe s, mas sempre por isto e aquilo não concordam.
Nós sabemos que eles andam a fingir que querem fazer alteraç~es, mas não queram porque isso era dar o poder que têm de barato !
Não me parece portanto de atender estaproposta de revisão.
(já venho)

A Constituição (cont)

Então o que pretende o PSD ?
Básicamente 2 questões:
- Eliminação do Estado social
- Alteração do sistema e mesmo do regime político.
Comecemos pelo 1º aspecto.
Sou daqueles que acredito no Estado Social que faz parte do ADN da União Europeia.
E dificuldades conjunturais como a presente crise, que na história certamente nem merecerá uma nota de rodapé, não me faz mudar de opinião. Com todos os seus problemas o projecto europeu é o mais arrojado dos ultimos séculos e tem progredido (com alguns passos atrás para avançar , como dizia Lenine).
É um espaço de liberdade , de sentido cívico, de prosperidade económica e sobretudo de paz, que tenho a felicidade de fazer parte.
No entanto , entendo que a melhor forma de acabar com o Estado Social é levá-lo á falência. Portanto parece-me descabido certas regalias sociais atribu+idas pelo Estado que a economia real , não aguenta.
Parece-me portanto que essas regalias, porque incomportáveis, terão que ser revistas, sem dúvida, mas que tal não implica a alteração da CRP e muito menos a abolição do Estado social.
Aliás uma das razões apontada para a abolição do Estado Social é de caráter económico: não há dinheiro !
Ora a verdade é que a principal razão de não haver dinheiro é que o Estado português tem 900 000 funcionários (o dobro da Espanha e 7 vezes mais que a Alemanha em realção ao total da população) e essa despesa é de 75% do Orçamento do Estado !
Nesta altura de crise 100% dos impostos cobrados pelo Estado em 2009 são apenas suficientes para pagar os referidos salários !!!
Sobre este assunto nem o PSD em nenhum Partido aponta a necessidade de um programa a médio prazo que reduza os funcionários por razões meramente eleitorais já que eles e respectivas famílias representam cerca de 50% do eleitorado.
Portanto, na impossibilidade de reduzir as despesas do Estado, acaba-se o Estado Social !
Outra razão para não haver dinheiro para o Estado Social é que a economia devia crescer mais que 3%/ano para a poder sustentar. Ora, nos últimos 10 anso Portugal não tem crescido e tem-se afastado da Europa, sem dúvia, mas em resultado de falta de estratégia , da incompetência dos líderes (políticos, empresariais, sindicais e intelectuais), do clientelismo e da corrupção.
Portanto os promotores "aceitam com resignação" o facto de que o Estado terá sempre um número absurdo de funcionários e ainda a impossibilidade do país crescer mesmo que seja por culpa própria. Assim ficamos com os funcionários, continuamos com incompetência e com erros crassos ,mas acabamos com o Estado Social !!!
Aqui estou em total desacordo com os liberais que defendem que o que interessa são os bons negócios (whatever that means).
Ora privatizar a saúde e a educação são certamente bons negócios. Já agora pode-se privatizar os guardas das prisões e até os militares (como faz o exercito americano , contratando especialistas privados) e mesmo algum policiamento !
São certamente bemvindos para os liberais , mas não para mim. Entendo , no seguimento do Contrato Social do Jean Jacques Rosseau que existem muito mais funções que o Estado tem que desempenhar para além de mero regulador apenas.
Assim as funções de defesa da soberania, a segurança a saude a educação e a justiça , são funções a ser desempenhadas pelo Estado que é o único que pode ser escrutinado pelos cidadãos.
Se deixamos a vida entregue aos "mercados" , estaremos escravos das grandes empresas, muitas delas com orçamentos maiores que muitos estados.
A política tem que estar sempre á frente da economia e dos negócios porque é a única que é passível de controlo democrático por parte dos cidadaõs !
(já volto)

A Constituição

Ainda aqui falei á pouco no pouco respeito que os nossos dirigentes têm com a nossa bíblia.
O Governo aplica impostos retroactivos e portanto inconstitucionais, o PR assina por baixo pedeindo a posteriori o parecer do T Constitucional e já está !
Se o Tribunal vier a considerar que a norma é inconstitucional então os cidadãos podem pôr acções contra o Estado para reaver o dinheiro .....o que levará pelo menos 20 anos.
Agora em tempos de crise, os portugueses , como sempre , procuram culpados.
O Dr Passos Coelho e a sua entourage já decidiram que afinal quem tem a culpa é a Constituição.
Ora bem, não parece de aceitar que alguns artigos estão obsoletos face á realidade actual tal como o socialismo. No entanto , na versão do PSD nem uma palavra sobre isso, pelo contrário o próprio DR Coelho indica expresamente em declarações que não é intenção do PSD acabar com o socialismo (???!!!!).
Comecemos primeiro por dizer que alterar a CRP em aspectos importantes é necessário tal como alterar as leis eleitorais (como defendo no meu livro e aqui no blog)de modo a fazer os deputados responderem perante os eleitores e não pelas direcções dos partidos.
É também necessário acabar com as disposições sobre direitos indisponíveis (aqules que os trabalhadores não podem dispor como por exemplo aceitar~em negociações reduções de salários e regalias sociais) e ainda o conceito de direitos adquiridos ( o mais puro bom senso aponta neste sentido).
Por outro lado, na área da Justiça é necesário criar mecanismo para ficalizar a Justiça.
Na verdade, O PR pode ser "sacado" pela AR, a AR pode ser dissolvida pelo PR, o Governo precisa da confiança do PR e da AR e pode ser destituído por ambos.
Há portanto um equilíbrio estre estes órgãos de soberania que se ficscalizam mútuamente.
Todavia, oórgão de soberania Justiça não é fiscalizado por ninguém, a não ser pelos seus membros, o que permte os amiores atropelos sem que os cidadãos tenham qualquer possibilidade de intervir. Não há portanto legitimidade e controle democrático deste órgão de soberania.
Estas questões , no entanto , não foram sequer faladas.
(já venho)

Mais uma da justiça

Ontem fiquei chocado e talvez não surpreendido quando vi na TV uma notícia sobre um caso de um funcionário de uma Câmara Municipal que ficou em prisão preventiva por ter feito um desfalque na referida autarquia.
Ao mesmo tempo, no entanto, 4 indivíduos pertencentes a um gang que era especialista em roubar lojas de bicicletas, que resistiu á prisão efectuada após perseguição automóvel tentando por várias vezes abalroar as viaturas da Polícia, e sendo 2 deles suspeitos de ter estado envolvidos na morte do Comandante da PSP de Lagos, foram para casa com termo de identidade e residência, a pena mais leve possível.
Comentários para quê ?

silly season

Entramos na silly seaon e na futilidade da maior parte dos temas que os media nos brindam todos os dias.
No entanto continua interessante o debate neste blogue no que diz respeito ao Liberalismo económico e ao papel do estado na economia. Registo os muitos argumento aqui apresentados que contrariam o que defendi quando apontei um erro ao governo pelo veto do negocio da PT. Respeito. Mas infelizmente e como previ o negócio entrou na pior das fases , ou seja , em”águas de bacalhau”. Um não negócio ou o seu condicionamento é o pior dos sinais para os mercados. Diria que uma economia sem negócios é como conceber a Igreja Católica sem Papa.

Voltaremos a abordar este assunto em função dos próximos acontecimentos. Para mim o mais importante está consumado – foi abortado um extraordinário negócio e uma perda futura de oportunidade para o crescimento orgânico da PT. A minha “grande máxima” é que o ESTADO deve ter um papel REGULADOR (a crise do subprime tem de ser irrepetível),MAS NÃO PROPRIÉTARIO (o expoente máximo foi o comunismo , e este falhou em toda a sua plenitude ). O patamar de equilíbrio é a economia de mercado, com todo o protagonismo ás empresas – principalmente aquelas que acrescentam valor.


PS : passei a ultima semana na África do Sul , e trago um forte cumprimento do Nimrod Van Zyl , para o Jorge, a partir da sua extraordinária e atípica casa/Zoo em Joanesburg.

Ainda a inveja

Portugal é um país pequeno portanto é fácil para aqueles que se apropriam dos vários poderes disponíveis ,determinarem durante anos a sua infuência em tudo o que mexe.
Assim , após a democracia ter sido consolidada, a família Soares (com todos os seus apêndices) dominou a política (mesmo na oposição ) e a economia, nada se fazendo sem o seu beneplácito.
Como tudo não dura sempre, foi substituída pela famíla cavaquista que dominou até agora tudo o que mexe até a ponto de terem um banco.Indivíduos que quando foram para o Governo eram modestos professores ou de profissão liberal, enriqueceram rápidamente a são proprietários e administradores de empresas.
Portanto além dum jornal, uma televisão e um banco têm o PR, e são membros do Conselho de Estado.
É claro que todos os Governos , incluído o actual, sofrem de clientelismo e de nepotismo. No entanto, penso que estas duas famílias conseguiram instalar-se de forma estratégica na sociedade portuguesa.
No entanto a queda do BPN, de antigos Administradores do BCP e a vitória de Passos Coelho indica que os cavaquistas estão em queda e que, brevemente ,serão substituídos por outra família.(porque a sociedade tem horror ao vazio).
Todavia, ainda restam alguns moiocanos que, se bem que estejam bem na vida, não se cansam de reivindicar o protagonismo e o mediatismo que julgam merecer.
Vem isto a propósito do projecto que um dos bloguistas ,o A... (prefiro manter isto confidêncial visto que o blog é público) está envolvido.
De facto e de forma preocupante a coisa não parece andar para a frente.
Ora , pelo que conheço do projecto, trata-se de um projecto de interesse nacional, com vantagens para o ambiebte, com um nível muito elevado de exportações e , também, reduzir´as necessidades de importação de energia, uma das principais causas do desiquilíbrio da balança e do endividamento.
No entanto, espantosamente o projecto não foi bem recebido pelos poderes públicos e a imprensa ou o ignora ou critica o empresário e não os méritos do projecto que aliás nem conhece.
É evidente que o empresário em questão parece ser irrealista e até pode admitir-se que pretende dar um passo maior que as pernas.
Julgo , não obstante , que não é apenas essa a razão da coisa estar a falhar.
Há um grupo "dissidente" contra as energias renováveis e a favor do nuclerar encabeçado por antigos barões cavaquistas que fazem lobby contra as renováveis utilizando o seu poder para dar entrevistas em jornais de referência, aparecerem nos telejornais, etc.
Este grupo , encabeçado pelo Eng Mira Amaral,pessoa a quem aprovo como governante mas que passou de professor do Técnico para Aministrador de Bancos, e que é acompanhado pelos últimos moiocanos do cavaquismo, está a fazer bom trabalho a boicotar o projecto em que o nosso A... esta metido !
Assim apareceram nos jornais processos da PJ, criticas aos apoios do Governo (que deveriam ter ido muito mais além, dada a importância do projecto), etc, etc.
Portanto , por um lado lobbies que, certamente não inocentemente, apoiam solução diferente (querem apostar que se o Governo alinhasse com eles, apareceria uma ou mais empresas em que estes lobbistas ocupariam lugar de destaque ?)e, por outro lado, a mesma inveja nacional que discutem fait divers mas não o projecto, (é preferível não haver projecto que "aturar" o crescimento do prestígio do empresário em causa), temo que acabem por atirá-lo por água abaixo.
Eis como a inveja nacional e lobbies que ainda detém poder significativo, podem deitar a perder um projecto de interesse para o país.
Mais um exemplo para explicar como este país (dis)funciona !

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Os tugas no seu melhor !

Foi hoje noticiado no jornal que leio diáriamente que o novo Director da Autoeuropa é um português que trabalha no grupo há anos e que chefiava antes deste assigment uma fábrica no Brasil.
Foram feitas a esta notícia 15 comentários sendo 9 !!! de teor negativista e apenas 6 de contentamento e de parabéns.
Dizem os negativistas que o homem só chefiou fábricas pequenas (como se a AE fosse uma fábrica grande), que os portugueses só trabalham bem no estrangeiro, que é mais um tachista que vem descansar para Portugal, que se tem esta posição é porque tem bons padrinhos, etc, etc , etc.
Realmente o Joaquim tem toda a razão para criticar esta maneira de ser.
Eu próprio reconheço que isto é abjecto. Só a inveja , o vício de dizer mal, podem justificar esta atitude.
Aquilo que noutro país seria razão para regozijo, aqui é razão para comentários infectos e asquerosos.
E, assim, nós os bloguistas já sabemos o que os nossos compatriotas pensam de nós !!!
Resta-nos a nossa família.
Eis como os portugueses tratam os seus melhores. Será que assim sairão alguma vez da m.....?
Duvido, mas , se saírem, não merecem !

domingo, 18 de julho de 2010

Educação

As notas dos exames nacionais indicam que quase 50% dos alunos do 9º ano tiveram negativa.
Mas como o sistema de avaliação contínua permite que muitos "possam ter negativa e mesmo asim passar", certamente que teremos uns milhares de ignorantes que passarão para o nível seguinte.
De notar que embora haja exames nacionais a Português e MAtemática, os alunos podem chumbar a Português !!
Está tudo dito.
E assim se gastam milhões do dinheiro dos contribuintes para se fingir que a qualificação avança em Portugal.
Não admira, portanto , que esta classe política se mantenha no poder. A ignorância leva a que Portugal tem certamente um dos piores níveis de educação dos cidadãos, logo a sua capacidade de escolher é diminuta e a sua rendição á manipulação é enorme.
A questão da educação, asim, não é consequência de incompetência mas, pelo contrário, uma estratégia !

quarta-feira, 14 de julho de 2010

O Benfica

Depois de chatear o Zé com o Sporting venho desta vez cascar no Benfica, o que é raro porque não gosto de dormir com o inimigo !, já que há lagartos e dragões nos bloguistas.
Todavia, fiquei satisfeito porque o Benfica ia comprar um verdadeiro guarda redes que fosse capaz nas bolas altas e nas saídas , pior defeito do Quim e dos guarda redes em Portugal.

Pois bem ,decidiu o Benfica comprar o 4º guarda redes do A. Madird emprestado ao Saragoza que está todos os anos a lutar pela permanência, pela módica quantia de 8,5 milhões de euros!
Vistos 2 jogos o tipo tem boa altura mas é um perigo nas bolas altas e nas saídas !!!!
Que grande barrete; iremos ter um período do Jesus de teimosia do Jesus até se convencer que este tipo é tão mau como Júlio César. Espero que lhe passe a teimosia antes de se iniciarem as provas oficiais.

O seleccionador nacional além do chorudo salário (o dobro do Dunga e o 6º mais bem pago do mundial), vai receber quase 800 mil euros de prémio (de quê?) atribuído de acordo com o seu contrato, numa percentagem do valôr que a FIFA deu á FPF !
Os jogadores ,esses, receberam menos de metade que o seleccionador.
Eis, Portugal no seu melhor !

terça-feira, 13 de julho de 2010

A Crise

Já aaqui várias vezes escrevi que as medidas draconianas impostas pela UE aos seus países membros, poderiam não só não resolvar a questão da dívida externa como os defices orçamentais como poderia ainda torná-los mais graves.
Passado algum tempo , verifica-se que , infelizmente esta situação se vislumbra.
A UE parou de crescer mesmo que pouco e a recessão está no horizonte.
Na entrevista do tipo da MOODY, que decidiu colocar Portugal em A2 o que não fazia há 12 anos, reconhecendo, assim, o rating das outras agencias, disse que a maior razão era de que as medidas drásticas e abruptas tomadas por Portugal, resultaria um abrandamento da economia e mesmo uma recessão ,aprofundando os defices e dívidas.
Markus Wolf vem defendendo o mesmo no Finantial Times.
E O Banco de Portugal (que de repente depois da saída de Constâncio, passou , tal como eu previa, a ser bom), indica que se o crescimento em 2010 será um pouco melhor que o previsto pelo Governo, em 2011 será pior e continuará o aumento do desemprego.
De notar que apesar do defice e da dívida, no 1º trimestre Portugal cresceu 1,8% sendo o 2º melhor da zona euro, tendo esse crescimento sido práticamente conseguido com o aumento das exportações.
Assim, o Estado conseguiu arrecadar de impostos quase 6% mais que o trimestre do ano anterior , contribuição importante para a redução do defice e da dívida.
Com as referidas medidas as exportações baixarão porque os nossos principaus clientes não crescem e o investimento público é baixo e o privado é nulo.
Assim, o desemprego aumentará, as falências aumentarão e despesa do EStado aumentará automáticamente e as receitas do Estado diminuirão quer na Previdência Social quer no IRC e IVA !, o que aumentará quer o défice quer o endividamento.
Não é preciso rocket cience para o reconhecer !
Entretanto as medidas foram adoptadas para "proteger" o Euro.
Como se vê, não resultaram no abrandamento das pressões.
Agora fala-se no "stress test" dos Bancos para "acalmar" os mercados !
Depois, a continuarem as pressões, inventar-se-á qualquer outra coisa.
De vitória em vitória até á derrota final.
O desespero não é bom conselheiro e leva á tomada de medidas sem se analisar correctamente e calmamente as suas consequências.
Até agora todas as medidas não resultaram e inventam-se novas.
POrque não se para um pouco para pensar ?
Não há estadistas , como diz o Zé e com razão, para corajosamente enfrentar as dificuldades e tomar as medidas adequadas.
Tempos ainda piores nos esperam, graças á miopia destes senhores !

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Autoeuropa

No ano passado os trabalhadores da Autoeuropa vetaram em plenário um acordo estabelecido entre a Comissão de Trabalhadores e a Administração que previa maior flexibildade.
Todos sabemos a guerra patente entre a Comissão de Trabalhadores e os sindicatos dominados pelo PCP.
Como consequência dessa guerra os trabalhadores , pouco cultos, são presa fácil para a manipulação e a demagogia!
Mesmo assim no ano passado os trabalhadores conseguiram em troca de algumas situações, um aumento salarial de 5% apesar de vivermos uma grande crise e não haver qualquer inflacção.
Este ano os representantes dos trabalhadores já indicaram que as negociações iriam começar com uma exigência de 3,8% !!!!!
Entretanto a produção do EOS reduziu 50%, o que levará a fábrica a parar a produção deste modelo em cercade 10 semanas !
No passado , dada a importância desta empresa na economia do país´pois é das maiores exportadoras, compra a fornecedores portugueses e emprega milhares de trabalhadores, os Governos portugueses têm intervindo tendo no ano passado o próprio ministro das finanças visitado Wolsburgo para pressionar a VW a trazer novos modelos para a Autoeuropa.
Esta atitude do Ministro que resultou, levou a que quando pediu a demissão por atitudes circences no Parlamento, a que , no jantar de despedida estivesse presente o presidente da Comissão d de Trabalhadores António Chora, conhecido militante do BE, que afirmou públicamente qua a substituição dos modelos Galaxi e Xaran se deviam á actividade do ministro !, tendo óbviamente sido fortemente criticado pelo BE .
Com a irresposabilidade dos trabalhadores julgo que o encerramento da Autoeuropa vai acontecer mais cedo ou mais tarde. Para já "arrumaram" mais um Director Geral que vai saír !
E quanto ás intervenções do governos, ninguém as criticou nem mesmo os defensores da não intervenção do Estado, pelo contrário, todos os quadrantes aplaudiram.
Não se tratou de golden shares, é claro , mas foi mais uma clara intromissão do Estado nos negócios em ordem a defender os interesses do país.
E é isto que todos os Estados fazem quando lhes convém ! e todos (mesmo os capitalistas) deitam ás malvas a teoria e alinham alegre e entusiásticamente !
Daí que não acredite que seja possível tirar o Estado dos negócios aqui e em qualquer parte do mundo.
E veja-se, quase todos reconhecem a importância da Autoeuropa a pontos de defenderem a intervenção dos poderes públicos e ao mesmo tempo alguns criticam a intervenção na PT não reconhecendo a sua importância estratégica (que é muito maior que a AE)!
Onde está a coerência?

Boatos

A actual situação de pressão sobre o BCP é idadmissível e perigosa não apenas para o Banco em questão mas para a banca nacional !
A situação de crise financeira e económica, o caso BPN (detido pela quadrilha cavaquista que se serviu de Portugal nos últimos 20 anos , tendo para isso para além de um jornal e de uma televisão, criado um banco para "lavar" as sua vigarices e mantendo um PR que nunca explicou a sua intervenção como acconista do BPN e as grossas mais valias que "amealhou" e um conselheiro de Estado que foi defendido até á exaustão pelo capo), criaram uma desconfiança sistemática no sistema financeiro. Não será portanto de admirar que esta questão possa ser mais perigosa do que pareça.
Quer-me parecer que as autoridades, nomeadamente o Banco de Portugal, a CMVM, e mesmo o Ministério das Finanças têm que intervir para "pelo menos tentar"eliminar o problema.
Senão uma corrida ao banco terá as consequências que todos sabemos.
Já temos problemas que cheguem. Não há paciência para aturar "brincadeiras" que poderão criar consequências muito negativas.
É nestes momentos que temos que dar razão aos pessimistas que dizem que este povo não se governa nem se deixa governar !

domingo, 11 de julho de 2010

Manteiga aos espanhóis

Já aqui falei várias vezes e de forma muito positiva de Passos Coelho.
Tendo em conta as suas declarações, já que acções ainda não há, encontrava-me afastado do dito em virtude da sua visão neo liberal da economia.
Se se lembram o homem era favorável á privatização da CGD e á saída do Estado dos "negócios" o que , quanto a mim pode ser um dado teórico importante com o qual posso concordar, mas que significa apenas um desconhecimento do país em que vivemos.
Os livros são para se aprender a teoria geral das coisas e para nos dar uma base de partida. Depois é necessário, pragmáticamente , aplicar esses princípios á prática , com as necessárias adaptações ditadas pelas realidades da vida.
Aliás, no que concerne á economia, sou a favor do pragmatismo e não da ideologia.
Governar com ideologia ou sobretudo seguindo uma ideologia é perigoso porque não só não resulta mas também cria situações irreversíveis muito difícies de corrigir.
Ora, fiel á sua ideologia, Passos Coelho criticou o uso das golden shares.
Com isto clarificou a sua posição, o que demonstra alguma coragem, há que reconhecer porque ficou práticamente isolado na sociedade portuguesa. Com isto pelo menos já sabemos o que dele esperar quando fôr 1º Ministro: que põe a ideologia á frente dos interesses do país. Foi Passos que considerou a situação muito dramática para a PT, mas não podia fazer nada!
Pois bem, até aqui tudo bem.
No entanto, na sua visita a Espanha quer privada quer publicamente e até numa entrevista que deu ao El Mundo, exagerou.
Na ânsia do reconhecimento como alternativa ao actual Governo, esqueceu-se das suas obrigações como cidadão.
já vimos o Governo e a oposição espanholas de mãos dadas sempre que os seus interesses nacionais estão em casa.
Dormir , portanto com o inimigo não lhe fica bem mesmo que nenhum dano seja causado dada a total falta de conhecimento internacional da sua pessoa.
Aqui está mais um exemplo da diferença entre a politiquice e a política. Entre dirigentes ocasionais e estadistas que é efectivamente o que falta em Portugal e também na Europa.
POrtanto tenho que dar a mão á palmatória e reconhecer que o Marcelo tem razão :tratou-se de amanteigar os espanhóis.

O verdaeiro problema

Só mais uma achega.
Eu também sou liberal quando se fala da teoria económica e social de há 200 anos!
O liberalismo libertou o homem de concepções apenas religioas, criou a livre iniciativa e o empreendorismo e levou a saltos qualitativos e rápidos.
Óbviamente que nem tudo são rosas e que o capitalismo é o pior dos sistemas exceptuando todos os outros , numa adaptação do Churchil sobre a democracia.
O liberalismo levou á exploração desenfreada de seres homanos e foi essa exploração que criou o comunismo.
O comunismo falhou mas teve um papel fundamental ao "temperar" o capitalismo. Surgiram sindicatos, leis do trabalho, etc.
O problema é que hoje o capitalismo não tem ameaças , a não ser aquelas resultantes do seu próprio funcionamento como esta que estamos a viver e que prova que a intervenção do Estado tem que aumentar e não reduzir-se.

Mas o verdadeiro problema é o aquele que há tempos o Adolfo, brilhantemente com é habitual, colocou.
O verdadeiro peoblema é que o nosso modelo de desnvolvimento é baseado no consumo e , em consequência, na destruição dos recursos naturais.
Aqui sim ,seria importante que a teoria económica desenvolvesse modelos alternativos porque a continuarmos com este não é preciso "rocket cience" para conclui´r que lenvará á nossa destruição !

liberal....

Ora a PT é, de longe a empresa cotada na bolsa que oferece a melhor remuneração aos seus accionistas pelo que apenas a necessidade de dinheiro dos accionistas portugueses, os levaram a aprovar o negócio e não porque se tratava de um bom negócio.
Retirando 50% á PT ficaria esta empresa um anão no meio de gigantes e certamente lhes aconteceria o que as leis do mercado ditariam: o seu desaparecimento comprada por outras empresas.
Aos que dizem que com 7 biliões se poderia comprar outra empresa, respondo:
- Os accionistas portugueses, votaram a favor ,porque estão necessitados do dinheiro, logo, transacção realizada querem a sua parte. Quanto sobrará para aquisições futuras?
- Parece-me arrogante e irrealista dizer que mesmo que se dispusesse do dinheiro , se poderia comprar esta ou aquela empresa.
Era preciso que os actuais accionistas a(s) queiram vender !
Ainda me lembro do JT dizer que deveríamos comprar a AMP que dominava mais de 60% do mercado. Contactada e referida empresa, levou-se com um rotundo nÃO.

Finalmente, é preciso verificar que estas empresas são obriagadas a ter uma massa critica de vendas de alto nível porque necessitam fundos para investrir em R&D que é a chave neste mercado. Inovação tecnológica é essencial para a manutenção da empresa mas é extremamente cara porque a mão de obra é qualificada e cara e porque é de alto risco, pois pode-se gastar dinheiro num determinado produto que nunca venha a conhecer a luz do dia e lançado no mercado!
Assim, todas as empresas europeias pretenderam expandir os seus negócios para além da UE, porque este mercado não é verdadeiramente livre como igualmente não é livre o mercado energético, por exemplo.Portanto foram para países fora da UE com granes indices de crescimento que necessitam de tecnologia e cujo crescimento orgânico garante um auemto estável do revenue.
Bas ta dizer que em POrtugal e em crise o numrso de telmóveis vendidos no 1º trimestre , aumentou 30% em relação ao ano passado !!|
Sendo a PT a empresa com mais alto nível de tecnologia do país, levaria a sua redução a metade ao seguite:
- Redução dos custos de estrutura, nomeadamente na área de R%D o que levaria a curto prazo ao desparecimento da empresa por não desenvolver produtos com a mesma velocidade e qualidade das suas concorrentes, verdadeiros gigantes.
- Despedimentos o que levaria a aumentar as despesas do Estado e, ao mesmo tempo as receitas do IRC cairiam para metade.
- A empresa ficaria disponível para ser comprada porque não teria massa critica para sózinha se aguentar no mercado.

Só para falar em algumas e , que eu saiba, nenhuma boa para os accionistas que a médio prazo ficariam no pau da roupa.
É preciso notar que a VIVO gera TODOS OS ANOS vendas equivalentes a uma nova TMN.
É também pelo valôr estratégico para o país que o Governo mais conservador que itália tem nos últimos 50 anos, se recusou a vender a sua PT á Telefonica e exerceu as golden share !

POrtanto acho que ser-se liberal é ser consequente e não defender uma coisa e o seu contrário de acordo com as coveniências . É nomeadamente repudiar a intervenção que todos os estados do mundo têm feito na economia para não deixar a crise ser tão dura.
O Estado devia abster-se e deixar falir tudo e á custa de sofrimento humano teríamos no entanto preservado o sacrosanto mercado.
A própria necessidade de intervenção dos Estados significa a total falência dos princípios liberais e o funcionamento "livre" da economia.
Um dos problemas dos economistas, salvo o devido respeito, é que as leis da economia são imutáveis e a Humanidade tem que se inclinar perante elas independentemente do sofrimento que causam.Isto apesar dos factos já terem desmentdido esta tese.
Eu penso ao contrário, estamos ao cimo da terra e a economia é para nos servir e não ocontrário

Em segundo lugar entendo que isto não é um bom negócio pois a longo prazao, além dos danos que criaria á economia portuguesa, não era melhor para os accionistas !
Um grande abraço

Liberal ma non tropo

O mesmo se verifica no caso da PT.
O Dr Salgado condenou o exercício das golden shares neste negócio, mas afirmou preto no branco que defende o seu exercício em caso de haver uma OPA !!!
Sol na eira e chuva no nabal !
Depois , se de acordo com os liberais o Estado se deve abster de marcar golos, então hoje a VIVO não faria parte da PT , bem como as participações cruzadas na SOnangol e na Petrobrásda Galp!
Não me lembro, no entanto de ter ouvido os defensores do mercado , protestarem contra essa inadmissível, á luz da boa doutrina, intervenção do Estado.

Outra questão em que estamos em desacordo é que isto era um bom negócio.
Ora a obtenção de mais valias pode ser um bom negócio mas nem sempre o é.
Dois exemplos: se oferecerem umas boas massa pela Packard e pela Energy , você acha que a D as devia vender ?
Receberia, sem dúvida uma boa maquia mas a empresa , pura e simplesmente acabaria.
Acha que vender o Cardoso por 30 milhões e depois comprar um brasileiroo geitoso é um bom negócio?
Certamente gera mais valias interessantes , mas depois perdemos o acmpeonato porque não marcamos golos.
Ora as grandes empresas têm sempre os accionistas ocasionais que todos os dias compram e vendem papel. Mas também têm os accionistas de referência que pretendem um rendimento certo, estável e a longo prazo . São estes accionistas que efectivamente gerem a empresa e com ela se identifica.
Estratégicamente não estão dispostos a vender a curto prazo e sacrificar os seua rendimentos a longo prazo.
São estes também os accionistas estrangeiros da PT que representam fundos de investimento e que estavam tão interessados no negócio que nem compareceram na AG!

(já venho)

Leberal ma non troppo

Meu amigo Joaquim (a propósito deixe-se do DR , aqui sou o Jorge), ser liberal não é uma doença pelo que não vem mal ao mundo.
Oque eu digo é:
- o liberalismo económico do livre desenvolvimento do mercado, é uma construção teória e que não existe em nenhuma região ou país no mundo. Mesmo os supostamente campeões, os EEUU, não êxitam em tomar medidas proteccionistas (como o BUsh fêz para proteger as indústrias metálomecânicas).
- Se somos liberais , então teremos que consuderar que qualquer intervenção do Estado na esfera económica e que não se enquadre ao nível da regulação e fiscalização deve ser veemente criticada.
Assim, um liberal tem que condenar , por exemplo, a interferência do Estado na recente crise em que todos os Estados do mundo colocaram o dinheiro dos contribuintes na economia para salvar o sistema financeiroe "control damages" em ordem a reduzir os efeitos da crise. Esta intervenção criou uma distorção do sacrossanto mercado. Um liberal, portanto , para ser consequente deve criticar e estar contra esta intervenção.
De acordo com a teoria liberal o Estado devia abster-se (e foi o que fêz com a falência da Lehman Brothers e com as consequências que se seguiram.
Ora não me lembro de ter ouvido vozes contra aesta intervenção e a evidente violação da neutralidade do Estado.

(continuo já)

sábado, 10 de julho de 2010

golden share – o deficit económico

Os poderes do estado associados á golden share na PT está a dividir o País . Finalmente um debate substanciado na economia e nos negócios. Ufa , pelo menos por um espaço de tempo , estamos livres das novelas PT/TVI e do telelixo da Manuela Moura Guedes , do Mário Crespo , Pacheco Pereira , e tantos afim.

Vou responder aos pontos aqui levantados pelo dr: Cardoso e explicar a razão porque divergimos nesta matéria.

Sem duvida, que ambos comungamos nas virtudes do mercado, e que a Economia de mercado, não sendo uma tese perfeita, é a melhor e insubstituível como Modelo Desenvolvimento. Confirmo, e pelo que escreveu, que tenho uma perspectiva mais Liberal dos negócios. Como já escrevi e defendi , o problema da “direita” são as contradições em relação ao Paradoxo : Social (Conservador) e Económico (Liberal). Na economia não me considero um Ultra Liberal, mas um Liberal. E esta é uma pequena grande diferença. Porque subscrevo que os estados e as instituições acreditadas devem regulamentar e a supervisionar os mercados financeiros, mas não devem interferir nas tácticas e negócios. O estado deve incentivar, mas não gerir. O Governo deve promover e definir alguns regras do jogo, para poder arbitrar em função das mesmas. Mas nunca marcar os golo ou fazer as defesas. A mais-valia da VIVO é um extraordinário golo que o estado não devia invalidar. Não me recordo de nenhum negócio tão bem conseguido na nossa Praça. E vejam, mérito do então governo ao promover a aquisição da VIVO, demérito agora ao não deixar culminar o negócio. Mais relevante ainda, se o estado abortar este negócios, os próximos já não vão ter a mesma atractividade para os accionistas, principalmente os externos. E se um bom negócio é irrepetível – nada mais errado para os mercados . Confirmou-se :as acções da PT ainda não pararam de descer após veto . Tinham dispararam com a hipótese de negocio.

Poderemos, de aqui , elaborar uma analogia para os mercados financeiros. São “ups and downs” da bolsa , e que eu procuro prosseguir na minha minúscula carteira de títulos. O Sr: de la Palice diria que o melhor negócio é comprar em baixa para vender em alta. Pois bem a aquisição da VIVO pela PT acontece quando a empresa ainda tinha todo o potencial de gerar valor . Não estou a dizer que já não haja, agora, mais campo de valorização para a VIVO, mas é inegável que a grande correcção de ganhos foi já realizada.

Poderemos evocar dezenas e argumentos a favor ou contra, para mim ressalvo um muito simples : o governo vetou um grande negócio. Negócio esse, que não é potencial futuro, é uma realidade presente. E não é pelo “Financial Times” falar em tiques de colonialismo. Também não é pelo facto de este ser estratégico para o País. Estratégico para o País seriam empresas do sector energético, na salvaguarda das reservas de combustível ou da produção de energia via barragens, por exemplo. Pelo contrario, existindo eventualmente um colapso da PT, qual é o drama para as comunicações do País ? se temos por exemplo a operar em concorrência o maior operador global de telecomunicações ( Vodafone ).

Concordo em absoluto com o dr: Cardoso ao se referir ás virgens ofendidas que omitem que se não fosse o estado o negócio da compra da VIVO dificilmente se teria consumado. Concordo ainda que estando os estatutos blindados pela golden share do estado, este deveria ter sido consultado previamente. Sim, mas volto á minha concepção de negocio : o estado tem um papel relevante para apoiar as empresas principalmente na sua internacionalização ou ás exportadoras de riqueza. Deverá ainda garantir a exiguidade dos compromisso assumidos. Mas ausentar-se dos negócios privados, principalmente em empresas cotadas, com um naipe de accionista diversificados.

Concordo consigo também na questão dos “off shores”.Qualquer decisão em contra corrente á economia global seria um desastre, como unilateralmente acabar com a zona franca da Madeira. Sim é estupidez e ingenuidade. Eu acrescento, que mal do governante que tenha como objectivo agradar ao bloco de esquerda ou á esquerda radical !

O patriotismo da questão é aplaudir os bons negócios, como é o caso da VIVO. Agora, não concordando com Socrates em tentar abortar o negócio,subscrevo que o politicamente correcto é atacar o PM em todas as circunstâncias. E diz bem, que a ligação de cavaco ao BPN foi camuflada em antítese ao escrutínio demagógico e permanente a Socrates. Eu tenho uma interrogação maior ainda: Como é que a jovem filha do PR conseguiu duplicar 100 K Euros na SLN, via BPN(100% num ano !), com a agravante de ser uma empresa não cotada ??!

Pois, eu também não acredito nestas virgens ofendidas. Acredito sim , em quem cria riqueza. Essa é a minha ideologia: a economia.

P.S. – comentaremos noutra oportunidade José António Saraiva ( Sol ) – Que sendo um cronista conservador, tenho por ele muito apreço , mesmo discordando muitas vezes. Também aqui o mau negócio financeiro pode induzir um jornal de referência, num tablóide. Mas, meus amigos , não se queixem pois o problema da comunicação social é o optar pelos caminhos mais Fáceis, e os “big brothers” da politica também saturam ! Não se queixem agora.

Um Abraço
Joaquim

O Sol

Sempre fui um admirador do Arq Saraiva e, embora lhe reconheça uma vaidade descabida, reconheço os seus méritos como fazedor de oipinião.
A sua vaidade , no entanto , retira-lhe a objectividade e , assim, a sua aventura no novo Jornal, provou-se um desastre .
Desafiar o Expresso é certamente corajoso mas talvez não seja de bom senso.
Qd saíu o jornal , durante alguns meses comprei-o juntamente com o Expresso que se ressentiu da sua saída e da sua equipa.
Verifiquei, todavia, que o Expresso recuperou rápidamente e que o Sol , para além da página do arquitecto e das saídas da última página do Lima, nada acrescentava.
Assim, o jornal foi definhando (as sobras são claramente vistas em todas as tabacarias) e entrando em dificuldades financeiras a ponto dos donos venderem a sua parte á filha do presidente de angola, a actual dona do jornal.
O desespero das tiragens pequenas levou o jornal a enveredar por um estilo que parecia impossível de utilizar pelo Arq Saraiva.
Invenções de 1ª página foram mais que muitas e todas desmentidas. A criação de factos políticos falhou, a naõ ser quando veio a novela Sócrates que realmente ajudou o jornal , mas muito antes disso o carácter sensionalista e pouco rigiroso tomou conta do jornal e destruíu a reputação do Arq Saraiva.
Isto a propósito da "entrevista" de Queiroz .
Como sabem, eu não sou grande fan do indivíduo, creio até que é um mediocre que normalmente atira para cima dos outros as suas próprias culpas.
Portanto , numa primeira fase não estranhei estas declarações, sobretudo quando o jornalista disse que tinha a gravação da entrevista.
Todavia, quando saíu um comunicado do jornal a dizer que se recusava a publicar a gravação "porque se tratava de uma conversa particular" fiquei esclarecido !
Uma "conversa particular" que virou 1ª página e criou um facto jornalistico, mais um, na tentativa de vender o jornal. O mesmo que há pouco tempo lutou corajosamente contra a ditadura dos tribunais e da censura publicando "conversas particulares".
É uma pena que um homem brilhante tenha caído nisto.
Sou forçado a concluir que compreendo a falência do 24 horas , um jornal que inventava escândalos para vender.
É que o 24 horas não resistiu á concorrência do Sol.

O Sol

sexta-feira, 9 de julho de 2010

ainda acções douradas

Afinal ,sempre tinham razão os que diziam que a sentença do Tribunal europeu , não adiantaria muito.
A sentença condena a existência de golden shares mas não dos direitos especiais do Estado "desde que estejam garantidos por forma diversa das golden shares" o que , afinal, vem a dar no mesmo.
O Estado substiui as golden shares por um acordo para social´e está tudo bem.

Assim, a Telefonica que arrogantemente avançou para o negócio ignorando e até desprezando o Estado português, decidiu arrear as calças e "negociar" que era o que deveria ter feito desde o princípio.Este dossier foi gerido pela Telefonica com os pés !
Seja qual fôr o desfecho da história pelo menos conseguimos defender a honra.
Poderá ser pouco, mas para mim, é muito.

Meu amigo falo em directo porque não sou homem de meias como bem sabes.
Não estou incomodado , pelo contrário , com as tuas intervenções. Quando discordo delas faço-o com a mesma v^veemencia que tu o fazes em relação ás minhas.
Não concordo contigo em muitas coisas, mas não me sinto , por isso "incomodado"
Qd digo que estou farto de algumas das tuas afirmações, é em resposta nos mesmos termos que tu falas das minhas.Quando falas que estás farto da ladaínha (que é a minha) não estás certamente á espera que te responda com rosas. No entanto, a forma de escrever acutilante e mesmo agressiva faz parte do estilo de cada um e portanto ninguém pode "afinar". O que deve é estar preparado para o interlocutor pagar da mesma moeda!
Portanto, tudo bem.
Por outro lado, não pretendo dar lições seja do que fôr a ti e a ninguém, apenas expresso as minhas ideias, portanto essa tirada heroica de que continuarás a dizer o que quizeres mesmo que me incomodes parece descabida e ridícula . Desculpa lá mas parece a Moura Guedes a corajosamente se opôr á censura!
Assim, quer em relação ao patriotismo quer em relação a outra coisa não compreendo porque é que julgues que eu quero "impor" um conceito.
A não ser que quando expresso uma opinião não respeito a dos outros .
Ora depois de tantos anos a discordar de muitas coisas, não sei como conseguiste inventar esse conceito sobre mim.
Finalmente , registo que estás de perfeita saúde , tal como eu suspeitava.
Como disse, embora ás vezes disfarces ,não farás parte do grupo que apontei.
Quanto aos teus gostos por cores, que te façam bom proveito, pois essa questão para mim, não tem qualquer interesse.

Já agora, gostava de expressar a minha solidariedade com o teu pesar.
A saída do Moutinho , o grande e admirável capitão, e ainda por cima para o FCP certamente que causaram azia, mas com o JEB vai continuar a ser assim !
Desculpa lá, mas do verde é que eu não gosto mesmo !
Um abraço

Lamento,mas...

Parece que a minha ultima intervençao no blog causou algum incomodo e mereceu até comentários que ultrapassam em muito o objecto da minha intervençao e a que nao vou responder nao porque "enfie o barrete" mas porque nao me parece que sirvam de muito aos nossos poucos leitores.

A única coisa que quero deixar escrita é que,incomode quem incomode,nao deixarei de escrever aquilo que acho ser o mais apropriado em cada situaçao.Também nao deixarei de ler,com prazer,aquilo que outros escrevem mesmo que discorde do conteúdo porque já aprendi que o Mundo é feito decoisas e gentes diversas e a piada está nesse balanço e complementaridade.

Quanto ao meu estado emocional,tranquilizo todos : estou "em grande forma" e de bem com a vida.Acho que o Mundo é feito de coisas de muitas e diversas cores,mas confesso que o côr de rosa (sobretudo no que respeita aos assuntos tugas...) nao é a predominante.Por isso,suicidio é coisa que nao me passa pela cabeça !!!!

Resumindo e concluindo,enquanto este blog nao estiver sujeito à obrigatoriedade "do pensamento único" eu continuarei a frequentá-lo para partilhar as minhas opinioes e beneficiar das dos restantes autores.
Se um dia a "pureza do pensamento" prevalecer entao deixarei de o frequentar porque nao acredito nos beneficios do unanimismo nem sequer quanto ao que cada um de nós considera ser "o patriotismo".

Espero que isso nao incomode ninguém !!!

Manipulação

Ainda as golden shares, desta vez em sede de teoria geral e não referente á PT.
Dizia no domingo o Marcelo que não lhe repugnava a existência de gloden shares porque existiam outros expedientes que as substituíam e obtinham os mesmos resultados. Portanto para se considerarem ilegais umas , teríamos que considerar ilegais também as outras.
Governos, á parte, dizia ainda o Prof Marcelo que , por exemplo na Inglaterra, um accionista com apenas uma acção pode ter o direito de nomear o Presidente e todo o Conselho de Administração !! desde que os Estatutos aprovados em AG o prevejam !!
Portanto , afinal, o problema não é a existência de accionistas com acções com direitos especiais, afinal é se o proprietário destas acções fôr o Estado !
Ou seja, os accionistas de uma qualquer sociedade podem decidir o que bem entenderem já que são os donos da empresa por mais desproporcionadas que sejam as suas decisões.
No entanto, quando o Estado é accionista também, os accionistas não têm aparentemente o mesmo de poder de atribuir a um dos accionistas poderes especiais desde que seja o Estado.!!!!
Sinceramente, não tem ponta por onde se lhe pegue!
Portanto aqui e sempre, trata-se da questão ideológica das funções do Estado e nada tem a var com livre transferência de capitais e quejandos.
Portanto como segundo li ontem e hoje, se o Estado transferir as golden share para a CGD que é uma sociedade anónima, pode continuar a ter acesso ainda que indirecto a tais direitos especiais.
Foi o que a Espanha fez e é o que Berlusconi vai fazer !
Hipocrisia e água benta cada um toma a que quer !

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Alqueva

Vi também um documentário que mostrava as ´´aguas do Alqueva a chegar a terras antes secas e improdutivas.
Vi o entusiasmo das gentes dessas terras sobretudo dos agricultores. Vi o Presidente da Associação falar dos sues sonhos que agora parecem realidades.
Foi bom.
E também uma lição: porque levámos 40 anos a trazer a alegria e prosperidade a esta gente ?
Ainda não apendemos?

A realpolitik

Já aqui afirmei que sou dos que ainda acredita no pai Natal.
Acredito que o mundo se desenvolveu no caminho certo , mas reconheço que ainda há muito a trabalhar e que as novas gerações se encontrarão empenhadas e ocupadas a resolvê-los.
Ainda há 50 anos os negros nos EEUU ou na África do Sul eram discriminados, mortos e explorados e, tudo isso, de forma totalmente legal !

Todavia, hoje não é assim !
É apenas um exemplo a favor da tese que favorece os homens de boa vontade.

Dito isto, queria dizer que sou um adepto confesso da Realpolitik.
Ela é vista muitas vezes como a defesa de interesses pouco nobres como o dinheiro ou afins.
Não partilho desta visão.
Sendo o mundo (ou talvez mais rigirozamente o planeta) constituído por várias civilizações com princípios diferentes e mesmo conflituosos, é preciso arranjar uma forma que permita que essas civilizações possam dialogar, comerciar que é como quem diz influênciarem-se mutúamente.
Ora o mundo gerido apenas em esferas de poder , nomeadamente o económico e mesmo militar, está em vias de extinção.
A globalização estabelece dependências mútuas : os chineses compraram a dívida americana o que aparentemente amarrava os americanos e os obrigava a fazer cedências que de outra forma não fariam. Nada mais errado. Se , por exemplo, o dolar baixa nos mercados internacionais, significa brutais prejuízos para a China !Portanto é preciso "concertar" e não radicalizar.
A aventura do Bush no Iraque mostrou também que, mesmo os EEUU, não podem sózinhos dominar um país quanto mais o mundo.
A crise económica , orçamental e de endividamento dos EEUU, que levou á desvolarização do dólar face ás moedas rivais, ´bem como a crise que se abateu sobre o mundo mais recentemente, afastaram a teoria do mundo unipolar dominado pela América.
Daí que mesmo os países ainda comunistas decidiram abrir as suas fronteiras e comerciar e até permitir o intercambio entre pessoas.
Ora eu vejo a Realpolitik como a forma de, tolerantemente, as nações e as "civilizações" se influenciarem mútuamente e , assim, permitir aos povos conhecer novas realidades.
A não ser assim, como disse uma vez Durão Barroso (que raramente diz alguma coisa interessante), a UE quase só teria relações com os países que a compõem.
O estabelecimento de realções entre nações e civilizações diferentes e mesmo conflituais, serve para distender as tensões e evitar guerras. A não acontecer, , cada um terá tendência a radicalizar a sua posição e , assim, tender a resolver esses conflitos "manu militare" mesmo que seja de forma não convencional como o terrorismo.
Vi na televisão um documentário em que um grupo pacifista israelita decidiu ir buscar em camionetas crinças palestinianas da Cisjordânia e levá-los pela 1ª vez a ver o mar.
Para tal debateram-se com dificuldades para obterem as necessárias autorizações, mas por fim , conseguiram.
As entrevistas feitas a ambas as partes , mostraram que ambas tinham uma visão de ódio mútuo artificial.
Em ambos os campos há bons e maus, adeptos da paz negociada e falcões.
Ora, como disse uma vez MSTavares, se tivesse nascido em Israel odiaria os palestinianos , se tivesse nascido em Gaza ou na Cisjordânia odiaria os israelitas.
Se, mesmo numa área onde o ódio comanda a vida, se conseguem acções como a que acima conto, então é mais uma razão para mantermos a esperança que um dia, os políticos de ambas as partes estão condenados a entenderem-se. Ora para que tal aconteça é necessário cedências e mesmo aceitar injustiças e ceder no campo ideológico: a realpolitik.
Portanto, a Realpolitik pode ser uma arma eficaz na direcção da paz e , por isso, defendo-a.
Como todos os instrumentos tem , claro, que ser utilizada no bom sentido.
Pode começar-se com relações apenas de carácter financeiro (abdicando aparentemente ás vezes de valôres).
Todavia, a pouco e pouco, quer as partes queiram quer não , a interligação de culturas far-se-á !

PT & Intervenção do Governo

Suporto a intervenção do Governo , parando a venda da Vivo . É minha convicção que se trata de um assunto estratégico nacional . Para o demonstrar vou-me socorrer da opinião de um par de autores .
1- " Entre a mais recente produção intelectual referente às relações espaciais encontramos o que E. N. Luttwak designa de geoeconomia .Em vez dos mapas assentes nas fronteiras nacionais , os canais de telecomunicações assumem um significado de primeira ordem .As decisões relativas à localização das infra-estruturas de produção não são tomadas por referência às fronteiras entre estados mas , principalmente , devido a factores como a disponibilidade e custo de mão de obra , os acessos aos mercados , questões monetárias , a regulamentação ambiental , assim como a receptividade face ao investimento. O mapa geoeconómico do mundo é , assim , desenhado a partir das redes financeiras internacionais , dos padrões de investimento , dos movimentos de pessoas e ideias e dos amplos fluxos de informação .Num mundo geoecenómico, a internacionalização do capital e o crescente fluxo de informação enfraquecem as fundações políticas do estado , tradicionalmente definido em termos geográficos .Estas entidades , baseadas numa dimensão territorial fixa , são desestabilizadas ou mesmo dissolvidas por intermédio da acção das forças associadas às tecnologias de informação .Num mundo geoeconómico , o poder é mensurado tendo como referência a capacidade , baseada em sofisticados níveis de investigação e desenvolvimento , de conquistar os mercados do futuro através da detenção de uma superioridade tecnológica decisiva . É assim que o acesso aos mercados emergentes se torna mais importante do que o controlo efectivo do território ."
Relações Internacionais - as teorias em confronto , pags199 e 200 .

Socorro-me agora do prof. Adriano Moreira - A consciência do estado exíguo
" Um Estado com assumida consciência da debilidade das capacidades disponíveis , talvez deva adoptar como primeiro objectivo estar sempre presente com autoridade nos centros internacionais de decisão , para não ser apenas objecto dos efeitos das políticas ."
E ainda do mesmo autor :
"Mas uma ordem em que as fronteiras são de natureza múltipla e não apenas geográficas , em que as fronteiras geográficas tendem para transparentes , abrigando uma soberania disposta a reconhecer o multiculturalismo no lugar de antiga uniformidade cultural , eventualmente multinacional e multiétnica , contratualizada , respeitadora das solariedades transfronteiriças e transnacionais , confiando mais na sociedade civil , menos no centralismo .
O que significa a crise do Estado soberano como actor de ordem interna e internacional , mas não significa a crise do valor nacional , nem dos valores cimeiros que os modelos políticos se destinam a servir ."

Confesso que me inclino a comungar a visão da teoria realista nas relações internacionais :
- a política internacional é essencialmente conflitual
- os estados relacionam-se com base numa soberania legal , protegendo os seus interesses e o poder , com vista ao objectivo último : garantia da sobrevivência . A sobrevivência constitui o objectivo básico da política externa e o interesse nacional central
- o poder abrange as capacidades militares , económicas e tecnológicas dos estados .

Por todas estas razões penso que o Governo esteve bem ao impedir a venda da Vivo , porque protegeu o interesse nacional .
Um abraço
Adolfo

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Querer ou não querer ver

Meu caro
A VIVO gera, por ano, uma nova TMN.
A oferta da Telefonica de 7 biliões é igual á quase totalidade das vendas da PT sem a VIVO.
Chega?
E será aceitável que a Telefonica que já fez o mesmo em Italia e que foi derrotada pela golden share utilizada pelo governo italiano que apesar de ter sido condenado há mais de um ano, continua a ter as referidas acções ?
Não seria aceitável que a telefonica contactasse o estado português accionista prefencial em vez de optar por uma política de chantagens, tendo entretanto decidido ontem negociar , cedendo ao exercício das acções ?
Também compreendo que estejas farto de certos comentários meus, pois ....aguenta-te, porque o contrário é , ás vezes, bem verdade, também.

Já agora, se não fosse conhecer-te como uma pessoa sensível, compassiva, de compromssos, afectiva e leal com a família e os amigos, pensaria que fazias parte daqueles cínicos que , para eles nada vale.
Encontram-se de tal modo desiludidos que escarnecem em tudo. Tudo o que acontece é com segundas intenções, não há nacionalidade, o que interessa é a "racionalidade", etc, etc.Não sei o que esperam essas pessoas para dar um tiro na cabeça, já que nada importa para eles.
Essas pessoas são as que olham os que não pensam dessa forma com paternalismo e até um leve desprezo, chamando (ou apenas pensando)aos outros "os que acreditam no Pai Natal".
Ora eu, com muita honra, pertenço aos últimos e julgo que, apesar do disfarçe, tu também.. Já vi acontecerem no mundo coisas impensáveis como a queda de ditaduras no mundo (pinochet, Salazar, Suarto, Marcos, etc), já vi Timor Leste independente, a paz na Irlanda do Norte, só para falar de alguns.
Sou, portanto dos que acredita que os homens de boa vontade acabam por vencer.
Acredito também , como está provado na prática ,que muitos Davids acabam por ganhar a muitos golias.
E acredito na pátria , na bandeira e no hino e não confundo os meus pequenos e médios ódios pessoais com aqueles valôres.
Assim, quando o PR (pessoa que detesto e que ainda não explicou a sua participação no BPN-se tivesse sido o Sócrates , certamente que daria 10 Comissões Parlamentares, escutas e grandes vendas de jornais) foi enxovalhado pelo 1º ministro da républica checa, escrevi aqui que esta questão deveria gerar um conflito diplomático e um pedido de desculpas, porque me senti pessoalmente ofendido, também reputo de inaceitável que uma empresa espanhola (ou chinesa,ou indiana), tenha o desplante de tratar o estado português da forma como o fez e , portanto, apoiar a decisão do governo (quer goste dele quer não), mesmo que a questão da estratégia não existisse, o que não acontece na minha oipinião.
Como disse o Portas, se fosse em Espanha o governo teria feito o mesmo. Aliás na lista publicada ontem pelo banco mundial, a Espanha aparece como a nº1 na UE como o país que ~usa mais espedientes de proteccionismo !
E estou-ma nas tintas para os privados que querem o Estado quando lhes convém e não querem quando não lhes convém.
E sou a favor do Estado portugûês ter a obrigação e o dever de defender o país , incluíndo a nossa honra.E quando o faz só pode ter o meu aplauso, seja ele qual fôr.

Conhecendo-te bem,acho que o problema aqui não é o reconhecimento da situação estratégica da PT (a empresa portuguesas que desenvolve mais tecnologia e que emprega quadros mais qualificados), mas outra questão bem diferente e eu, para esse peditório ,já dei.
Sem a VIVO, a PT estará vulnerável a qualquer OPA venha de onde vier, já que quem quizer compr~´a-la com uns poucos tostões (que é o que ela vale sem a VIVO).Mas tu sabes isso. Se não percebes a questão estratégica, deves ser o único, porque as pessoas que criticam o uso das golden shares o fazem porque são virgens ofendidas da violação da economia de mercado (excepto qd lhes convém) , mas reconhecem a importância estrtégica da PT achando até a situação "trágica", simplesmente não querem intervir por questões ideológicas.

Finalmente, certamente que o Estado português, gostaria de ter golden shares em outras empresas, mas isso não o permite a UE.
Quando entrámos na UE tivemos também um preço a pagar, não é só receber !
E certamente que as shares da PT são contra o direito comunitário, também. Mas se outros as utilizaram e até em questões exactamente idênticas e comos meus actores,seria idiota não exercê-las.

Eu por mim estou á vontade , porque sempre disse que se fosse possível (e não é) água, energia e telecomunicações , sendo estratégicas para os países em geral , e não só de Portugal, deveriam estar nas maõs dos cidadãos e não dos privados, ponto final.

Finalmente volto a sublinhar que o controlo democrático dos cidadãos é apenas sobre a política e não sobre a economia.
Já prensenciámos até pessoalmente os abusos de empresas privadas aos direitos dos países e das pessoas, para defendermos o domínio dessa gente em relação á política.
Uma última palavra para aqueles que defendem que estes expedientes podem afectar o investimento estrangeiro em Portugal:
- Como digo acima , o Banco Mundial considera a Espanha o país mais proteccionosta da Europa.
- Na ditadura dos coroneis no Brasil, por exemplo, em que as empresas só podiam repatriar os seus dividendos em parte e com condições muito apertadas, ´ja lá estavam a GM, a Eriksson e todas as multnacionais.
Durante o comunismo as empresas alemãs tinham presença obrigatória na Alemanha de leste.
Em regimes repressivos de condicionamento industrial como Marrocos, Algéria ou Tunisia, também lá estão.
A regra é simples: se dá dinheiro vamos lá !
Sempre quero ver se algum accionista sairá da PT em breve, com os dividendos que esta empresa tem dado, de longe a melhor no país !!

Não podemos sempre ser ... os idiotas úteis !
Desculpa qualquer coisinha....

Nao via e continuo sem ver ...

Oh Jorge,essq coisq de reduzir toda a discussao ao maniqueismo do ser contra o Chefe da quadrilha ou nao ja deu o que tinha a dar.
Eu reafirmo que considero o actual lider de Governo portugues como um mero chefe de quadrilha e nao vou deixar de o fazer porque acho que o eventual futuro lider de Governo (imaginando que seria o inefavel P. Coelho) nao va ser muuito diferente.

Quanto a questao da golden share;continuo a nao entender qual e o interesse estrategico . Pegando nos exemplos que referes,nao vejo onde estava a tentativa de compra da PT pela Telefonica. Ou eu entendi mal ou o que se tratava aqui era da compra da participacao da PT numa empresa brasileira. Qual e o grande problema estrategico para Portugal ?

Alias,se isso fosse tao evidente porque e que a quadrilha que governa Portugal acaba de rennciar a famosa golden share na EDP;REN,etc. ? Entao essas empresas ja podem ser compradas sem problema ?

Deve ser da distancia : continuo sem entender.

Pinto da Costa

Por mais voltas que demos o P. da Costa é o maior !
Para já colocou na Liga um ex Administrador que pressorosamente o Benfia e o Sporting apoiou, e agora mais um golpe de mestre como Moutinho.
A patética explicação do JEB (que esteja lá muitos e bons anos)é para rir.
A pertir de agora cada jogador do Sporting que estivar "chateado" pode recusar-se a jogar e depressa será vendido a outro clube.
Se o rapaz era a maçã podre é que eu não sei bem !
Parabéns ao Costa!

Já cá faltava

Já tinha saudades do Zé.
Não sabe o que é o interesse estratégico.
Ou melhor sabe: quando é invocado pelo chefe da quadrilha não é de certeza !
Faz lembrar a do punaise do Cunhal : se o camarada brejnev o pôs lá, por alguma razão é!
Se o sócrates o invocou é porque não é !

Desta fez o chefe da quadrilha foi acompanhado por outros membros da quadrilha: Cavaco Silva, Rebelo de Sousa, Madrinha, Nicolau Santos, Ricardo Costa, Paulo Portas, etc.
Como disse Portas, está-se mesmo a ver que se fosse em Espanha e houvesse uma empresa que quizesse comprar a Telefónica, o Estado espanhol não iria intervir.
Para não falar que a mesma telefonica tentou há 2 anos comprar a PT italiana e o governo Berlusconi travou o negócio utilizando as golden shares. Foi entretanto condenado há mais de um ano por essa razão mas ainda tem as referidas golden shares.

Eu por mim estou-me nas tintas se o BES e a Ongiong perderam a oportunidade do negócio !
Para outros, julgo, também não. Apenas estão picados porque o Sócrates marcou pontos.
Não se peocupe o Zé, o tipo já perdeu as próximas eleições.
Teremos certamente outro Governo este sim competente e "honesto"!

terça-feira, 6 de julho de 2010

Qual é o "interesse estratégico" ?

A propósito da bendita "golden share" que o cabecilha da quadrilha que Governa Portugal decidiu invocar no caso da PT a minha pergunta é : qual é o interesse estratégico para Portugal que leva a que os interesses dos legitimos proprietários da PT sejam "mandados às urtigas" ?

Mas o chefe da quadrilha que governa Portugal sabe sequer o que é uma Empresa de telefonia móvel? Mas os interesses e o bem estar dos portugueses sao afectados como se se vender a Vivo aos espanhóis ?

Enfim,excepto para que o chefe da quadrilha que governa Portugal,apareça nos jornais nao vejo qualquer outra razao válida para que tenha invocado a bendita golden share.Infelizmente aparece para ser ridicularizado e escarnedido pela sua "coragem" mas como o homenzinho nao olha a meios para mostrar a sua "coragem" tudo serve para o efeito.

Como diz o outro "cada cavadela,cada minhoca"...

segunda-feira, 5 de julho de 2010

A PT

Não estou de acordo com o nosso amigo Joaquim.
Primeiro porque não sou um liberal e não acredito , como Adam Smith, que a economia é comandada por uma mão invisível.
Acredito numa economia de mercado fortemente fiscalizada e regulada pelo Estado.
Para mim o Estado não é apenas o que providencia serviços.
Ora bem, as virgens ofendidas que criticam a intervenção do Estado na PT , deveriam então reconhecer que , se não fosse o Estado nunca teriam possibilidades de comprar os 50% da VIVO.
Por outro lado, quando da OPA do Belmiro foram oa accionistas que procuraram o apoio do Estado para evitar a OPA!
O que querem estes accionistas é sol na eira e chuva no nabal.
O Estado ,e com ele os contribuintes, estão aqui para os ajudar nos seus negócios: quando lhe convém agarram-se ao Estado , quando não lhes convém , abominam-o.
Quanto aos cidadãos , que se lixem.
O Governo tem sobejas razões para ser criticado a todos os níveis, mas neste caso agiu bem. Se o não tivesse feito, seria na mesma acusado, e em muitos casos pelos mesmos ,de não ter defendido o interesse nacional.
Como disse o Rebelo de Sousa os empresários nacionais que fazem baixos assinados para se manterem as empresas em mãos portuguesas, vendem essas empresas pela melhor oferta e , duma maneira geral, aos espanhóis !
POr outro lado, podemos ou não estar de acordo com as golden shares, o que não podemos é negar que os estatutos da PT os previam e que a sua existência era por eles conhecida e nunca foi posta em causa. Se não concordavam com elas, tinham bom remédio: não investiam !
Ora não acha o Joaquim que uma empresa que quer esta transacção deveria ter falado com o Estado português enquanto accionista interessado e até detentor de poderes especiais? Pura e simplesmente pensou que os idiotas portugueses não tinham tomates para accionar as accões preferênciais.

Espantosamente não vi grande contestação , antes aplauso, a esta decisão de todos os quadrantes políticos: Fernando Madrinha, Ricardo Costa, Diogo Freitas do Amaral,Marcelo Rebelo de Sousa, Nicolau Santos,Joaquim Ferreira do Amaral, João Vieira Pereira, António Costa do Económico, Paulo Portas,etc, etc, etc e até Cavaco Silva !!
Isto é por patriotismo bacôco ?

Vamos agora ao fundo da questão.
Como dizia ontem o Rebelo de Sousa o que há mais na Europa são golden shares ou outros expedientes que levam ao mesmo resultado, portanto este não é o problema.
A UE tem processos contra a Espanha, Grécia, Bélgica, Itália por razões similares.
Já vimos o Governo francês a opor-se á compra de uma grande empresa francesa pela a alemã Tyssen Krupp.
Já vimos o Estado espanhol ser condenado por ter accões preferenciais na própria Telefónica e na Repsol. Já vimos o Estado italiano ter sido condenado há mais de um ano quando impediu a mesma telefónica de comprar a PT italiana! Mesmo condenados continuam com as referidas accões e já disseram que não as retiram mesmo que tenham que pagar multas, etc, etc. Na Inglaterra as golden shares estão espalhadas por muitas empresas. E num caso na Bélgica em que esta exerceu o mesmo poder em duas empresas, a UE até deu razão ao Governo Belga!
POrtanto aos que dizem que isto é uma vitória de pirro respondo com estes exemplos. Nem daqui a 4 ou 5 anos este imbróglio jurídico está resolvido.
Aos que dizem que esta atitude afastará os investidores de Portugal eu digo: sempre quero ver quantos accionistas vão saír da PT. E também que esta quetão não parece ter afectado os países que acima indico!

Ás virgens ofendidas com a terrível violação do mercado eu digo:
- Quando todos os Estados do Mundo injectaram o dinheiro dos contribuintes para evitar falências e consequências ainda mais penosas, não ouvi estas virgens ofendidas , clamar a favor da pureza doutrinal e criticarem a intervenção do EStado.
Quando recentemente o Estado português substituiu o estado angolano numa linha de crédito para pagar as facturas já atrasadas de Angola, mais uma vez não ouvi essas virgens clamarem contra a violação do livre mercado.
Quando o Governo negociou uma posição importante da Galp na Petrobrás, onde estavam esses privados que irão sem dúvida beneficiar desse facto para o qual em nada contribuíram ?
Digo ainda que não sou um liberal porque a desregulação dos mercados permitirá e staá a permitir que os ricos fiquem mais ricos e os pobres mais pobres.
E se, o Estado não deve entrar na economia, defendendo-se dos tubarões, certamente dentro de pouco tempo não teremos qualquer empresa importante porque todas foram engolidas por tubarões.

Serão isto manobras proteccionistas?
E, se forem ?
Querem-me convencer que o mercado das energias é um mercado aberto e concorrêncial ?
Que qualquer empresa poderá , se quizer, comprar a EDP ou sequer concorrer coma EDP? OU a Iberdrola ou a Endesa?
O mesmo se diga do mercado das telecomunicações !
São mercados condicionados como muito bem sabemos.
Aliás há quem diga que a UE é proteccionista mas apresenta-se publicamente como liberal.

Finalmente á critica de que se os outros fizeram mal nós não devemos copiá-los, digo como ontem o Rebelo de Sousa: Não deve haver off shores mas a atitude do Governo português querer acabar coma zona franca da Madeira é de grande ingenuidade se não mesmo de estupidez !
Ao mesmo tempo está o Governo Espanhol a negociar o aumento de insenções para as Can´rias e o Governo inglês para a ilha de Man !
Se querem acabar com estas instituições muito bem, nós acabaremos com elas qd os outros o fizerem!

A teoria económica diz que as empresas e o Estado são entidades que procuram objectivos distintos ambos respeitáveis.
Assim para tudo ser perfeito as empresas devem agir sem a intervenção do Estado e o esatd deve-se abster de intervir.
Esta teoria é mesmo muito bonita mas até o ultraliberal Goerge Bush decidiu tomar medidas para proteger a indústria matalurgica americana.
*Portanto a economia, salvo o devido respeito, é demasiadamente importante para as pessoas para ser gerida por economistas.
Há que estudar a teoria e aplicá-la com as alterações que a prática obriga.
No caso da PT não se mudaram as regras, utilizou-se uma arma que até agora não tinha sido contestada por qualquer accionista e fazia parte dos estatutos.
Pra mim, desta vez e para variar um Bravo ao Governo , talvez para compensar as asneiras quase semanais com que tem presentiado os portugueses.
Quanto á atitude dos portugueses que votarm a favor da Telefónica, estão no seu direito ,mas, como disse o R Sousa isto é uma lição para os políticos que aind têm ilusões no patrotismo dos capitalistas!

domingo, 4 de julho de 2010

golden share -a bomba errática

Estou em desacordo com do Governo ao accionar a golden share no veto do negocio proposto pela Telefónica para compra do capital da PT na Vivo. Vou a seguir substanciar porque penso ser este um erro relevante do Primeiro Ministro.

A primeira razão é o facto consumado duma estratégia bem delineada que tinha como objectivo subir ao máximo o valor da oferta da Telefónica, facto este que levou a esmagadora maioria dos accionistas a considerar irrecusável, com 74% dos votos no quórum na Assembleia Geral ( 74% ! ), As excepções foram : CGD , Visabeira, e Controloinveste . Perante esta vontade explicita dos accionistas , o papel do estado é ausentar-se do negócio e não condicioná-lo. Esta recusa do Governo seria discutível se a mesma Telefónica tivesse efectivado uma Operação Publica de Venda ( OPA ) sobre a PT. Aí poderia ser invocado o interesse Estratégico do estado em prol da economia Portuguesa. Entenderia, mas continuaria a discordar. O estado atrapalha quando interfere no Mercado - antecipo já que é o que prevejo que aconteça nesta Operação.
Além disso a telefónica conta com o apoio da comissão Europeia que deverá decretar já na quinta feira que a goldan shrare da PT é ilegal á luz da legislação comunitária, e procedeu já a uma queixa no Tribunal de Justiça Europeu.
Veja-se : até agora a gestão de expectativas esteve do lado dos accionistas. Fizeram-no duma forma notável: não fecharam nenhuma porta (citações como : “tudo tem um preço , excepto a honra”). A estratégia era o preço. E a ultima oferta de 7,1 Mil milhões é elucidativa do culminar da estratégia delineada. O estado ao abortar a operação, pode estar a promover a OPA sobre a própria PT. Hoje a capitalização bolsista da PT é de 7,8 Mil Milhões (em comparação com o valor da VIVO, a PT só vale 0,7 Mil Milhões ???) . Mais ainda, este negócio por si só permitiria ao estado reduzir o défice externo, aos accionistas um alivio financeiro com o “Cash” injectado( caso do BES) , é á PT um enorme fôlego para reinvestir , e nomeadamente no Brasil.

Existe um grande coro de analistas que atacam o Governo ( como já referi eu estou de acordo nesta matéria) , mas há que ter memória , e não esquecer que foram os mesmos que titularam na altura como desgraça nacional a compra de VIVO . Porque era um investimento faraónico com a tutela e as garantias bancárias do estado , iria ser trágico para o Endividamento da PT , etc , etc ... Pois , só que os mesmos de sempre nunca vão a contas – assim é fácil como já aqui referi varias vezes, basta estar do lado do contra.

A compra da VIVO confirma-se agora e inequivocamente que foi um negócio de sucesso e criou valor á empresa e ao País. A soberania nacional da PT constrói-se com trabalho ,visão de futuro e analise de oportunidadese não com protrecionismos.

“The last but not the least” , na minha modesta opinião a não concretização deste negócio inviabiliza outras grandes Oportunidades .É reconhecido nos mercados o “know how” da PT , mas principalmente o factor tecnológico nas comunicações. Assim o extraordinário VALOR criado pelo negócio da venda da VIVO, deveria ser reinvestido criando uma empresa na base zero que fizesse concorrência á própria VIVO. ( melhor ainda do que comprar a local OI) . Estou convencido que a historia se repetiria , a PT voltaria a capitalizar valor, gerando daqui a 5-7 anos uma nova oportunidade de venda.. As empresas não se devem amarrar eternamente aos mesmos produtos ou mercados. O melhor dos negócios é inicializa-los, com competência criar “Good Will” ,e realizar “Cash” com as oportunidades que o mercado proporciona. Assim os accionistas agradecem – não é a dimensão de uma empresa que faz subir a valor das acções mas sim a sua rentabilidade. Esta sequencia não se coaduna com a Interferência do Estado

Um abraço
Joaquim