Estou em desacordo com do Governo ao accionar a golden share no veto do negocio proposto pela Telefónica para compra do capital da PT na Vivo. Vou a seguir substanciar porque penso ser este um erro relevante do Primeiro Ministro.
A primeira razão é o facto consumado duma estratégia bem delineada que tinha como objectivo subir ao máximo o valor da oferta da Telefónica, facto este que levou a esmagadora maioria dos accionistas a considerar irrecusável, com 74% dos votos no quórum na Assembleia Geral ( 74% ! ), As excepções foram : CGD , Visabeira, e Controloinveste . Perante esta vontade explicita dos accionistas , o papel do estado é ausentar-se do negócio e não condicioná-lo. Esta recusa do Governo seria discutível se a mesma Telefónica tivesse efectivado uma Operação Publica de Venda ( OPA ) sobre a PT. Aí poderia ser invocado o interesse Estratégico do estado em prol da economia Portuguesa. Entenderia, mas continuaria a discordar. O estado atrapalha quando interfere no Mercado - antecipo já que é o que prevejo que aconteça nesta Operação.
Além disso a telefónica conta com o apoio da comissão Europeia que deverá decretar já na quinta feira que a goldan shrare da PT é ilegal á luz da legislação comunitária, e procedeu já a uma queixa no Tribunal de Justiça Europeu.
Veja-se : até agora a gestão de expectativas esteve do lado dos accionistas. Fizeram-no duma forma notável: não fecharam nenhuma porta (citações como : “tudo tem um preço , excepto a honra”). A estratégia era o preço. E a ultima oferta de 7,1 Mil milhões é elucidativa do culminar da estratégia delineada. O estado ao abortar a operação, pode estar a promover a OPA sobre a própria PT. Hoje a capitalização bolsista da PT é de 7,8 Mil Milhões (em comparação com o valor da VIVO, a PT só vale 0,7 Mil Milhões ???) . Mais ainda, este negócio por si só permitiria ao estado reduzir o défice externo, aos accionistas um alivio financeiro com o “Cash” injectado( caso do BES) , é á PT um enorme fôlego para reinvestir , e nomeadamente no Brasil.
Existe um grande coro de analistas que atacam o Governo ( como já referi eu estou de acordo nesta matéria) , mas há que ter memória , e não esquecer que foram os mesmos que titularam na altura como desgraça nacional a compra de VIVO . Porque era um investimento faraónico com a tutela e as garantias bancárias do estado , iria ser trágico para o Endividamento da PT , etc , etc ... Pois , só que os mesmos de sempre nunca vão a contas – assim é fácil como já aqui referi varias vezes, basta estar do lado do contra.
A compra da VIVO confirma-se agora e inequivocamente que foi um negócio de sucesso e criou valor á empresa e ao País. A soberania nacional da PT constrói-se com trabalho ,visão de futuro e analise de oportunidadese não com protrecionismos.
“The last but not the least” , na minha modesta opinião a não concretização deste negócio inviabiliza outras grandes Oportunidades .É reconhecido nos mercados o “know how” da PT , mas principalmente o factor tecnológico nas comunicações. Assim o extraordinário VALOR criado pelo negócio da venda da VIVO, deveria ser reinvestido criando uma empresa na base zero que fizesse concorrência á própria VIVO. ( melhor ainda do que comprar a local OI) . Estou convencido que a historia se repetiria , a PT voltaria a capitalizar valor, gerando daqui a 5-7 anos uma nova oportunidade de venda.. As empresas não se devem amarrar eternamente aos mesmos produtos ou mercados. O melhor dos negócios é inicializa-los, com competência criar “Good Will” ,e realizar “Cash” com as oportunidades que o mercado proporciona. Assim os accionistas agradecem – não é a dimensão de uma empresa que faz subir a valor das acções mas sim a sua rentabilidade. Esta sequencia não se coaduna com a Interferência do Estado
Um abraço
Joaquim
domingo, 4 de julho de 2010
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