sábado, 10 de julho de 2010

golden share – o deficit económico

Os poderes do estado associados á golden share na PT está a dividir o País . Finalmente um debate substanciado na economia e nos negócios. Ufa , pelo menos por um espaço de tempo , estamos livres das novelas PT/TVI e do telelixo da Manuela Moura Guedes , do Mário Crespo , Pacheco Pereira , e tantos afim.

Vou responder aos pontos aqui levantados pelo dr: Cardoso e explicar a razão porque divergimos nesta matéria.

Sem duvida, que ambos comungamos nas virtudes do mercado, e que a Economia de mercado, não sendo uma tese perfeita, é a melhor e insubstituível como Modelo Desenvolvimento. Confirmo, e pelo que escreveu, que tenho uma perspectiva mais Liberal dos negócios. Como já escrevi e defendi , o problema da “direita” são as contradições em relação ao Paradoxo : Social (Conservador) e Económico (Liberal). Na economia não me considero um Ultra Liberal, mas um Liberal. E esta é uma pequena grande diferença. Porque subscrevo que os estados e as instituições acreditadas devem regulamentar e a supervisionar os mercados financeiros, mas não devem interferir nas tácticas e negócios. O estado deve incentivar, mas não gerir. O Governo deve promover e definir alguns regras do jogo, para poder arbitrar em função das mesmas. Mas nunca marcar os golo ou fazer as defesas. A mais-valia da VIVO é um extraordinário golo que o estado não devia invalidar. Não me recordo de nenhum negócio tão bem conseguido na nossa Praça. E vejam, mérito do então governo ao promover a aquisição da VIVO, demérito agora ao não deixar culminar o negócio. Mais relevante ainda, se o estado abortar este negócios, os próximos já não vão ter a mesma atractividade para os accionistas, principalmente os externos. E se um bom negócio é irrepetível – nada mais errado para os mercados . Confirmou-se :as acções da PT ainda não pararam de descer após veto . Tinham dispararam com a hipótese de negocio.

Poderemos, de aqui , elaborar uma analogia para os mercados financeiros. São “ups and downs” da bolsa , e que eu procuro prosseguir na minha minúscula carteira de títulos. O Sr: de la Palice diria que o melhor negócio é comprar em baixa para vender em alta. Pois bem a aquisição da VIVO pela PT acontece quando a empresa ainda tinha todo o potencial de gerar valor . Não estou a dizer que já não haja, agora, mais campo de valorização para a VIVO, mas é inegável que a grande correcção de ganhos foi já realizada.

Poderemos evocar dezenas e argumentos a favor ou contra, para mim ressalvo um muito simples : o governo vetou um grande negócio. Negócio esse, que não é potencial futuro, é uma realidade presente. E não é pelo “Financial Times” falar em tiques de colonialismo. Também não é pelo facto de este ser estratégico para o País. Estratégico para o País seriam empresas do sector energético, na salvaguarda das reservas de combustível ou da produção de energia via barragens, por exemplo. Pelo contrario, existindo eventualmente um colapso da PT, qual é o drama para as comunicações do País ? se temos por exemplo a operar em concorrência o maior operador global de telecomunicações ( Vodafone ).

Concordo em absoluto com o dr: Cardoso ao se referir ás virgens ofendidas que omitem que se não fosse o estado o negócio da compra da VIVO dificilmente se teria consumado. Concordo ainda que estando os estatutos blindados pela golden share do estado, este deveria ter sido consultado previamente. Sim, mas volto á minha concepção de negocio : o estado tem um papel relevante para apoiar as empresas principalmente na sua internacionalização ou ás exportadoras de riqueza. Deverá ainda garantir a exiguidade dos compromisso assumidos. Mas ausentar-se dos negócios privados, principalmente em empresas cotadas, com um naipe de accionista diversificados.

Concordo consigo também na questão dos “off shores”.Qualquer decisão em contra corrente á economia global seria um desastre, como unilateralmente acabar com a zona franca da Madeira. Sim é estupidez e ingenuidade. Eu acrescento, que mal do governante que tenha como objectivo agradar ao bloco de esquerda ou á esquerda radical !

O patriotismo da questão é aplaudir os bons negócios, como é o caso da VIVO. Agora, não concordando com Socrates em tentar abortar o negócio,subscrevo que o politicamente correcto é atacar o PM em todas as circunstâncias. E diz bem, que a ligação de cavaco ao BPN foi camuflada em antítese ao escrutínio demagógico e permanente a Socrates. Eu tenho uma interrogação maior ainda: Como é que a jovem filha do PR conseguiu duplicar 100 K Euros na SLN, via BPN(100% num ano !), com a agravante de ser uma empresa não cotada ??!

Pois, eu também não acredito nestas virgens ofendidas. Acredito sim , em quem cria riqueza. Essa é a minha ideologia: a economia.

P.S. – comentaremos noutra oportunidade José António Saraiva ( Sol ) – Que sendo um cronista conservador, tenho por ele muito apreço , mesmo discordando muitas vezes. Também aqui o mau negócio financeiro pode induzir um jornal de referência, num tablóide. Mas, meus amigos , não se queixem pois o problema da comunicação social é o optar pelos caminhos mais Fáceis, e os “big brothers” da politica também saturam ! Não se queixem agora.

Um Abraço
Joaquim

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