Já aqui falei várias vezes e de forma muito positiva de Passos Coelho.
Tendo em conta as suas declarações, já que acções ainda não há, encontrava-me afastado do dito em virtude da sua visão neo liberal da economia.
Se se lembram o homem era favorável á privatização da CGD e á saída do Estado dos "negócios" o que , quanto a mim pode ser um dado teórico importante com o qual posso concordar, mas que significa apenas um desconhecimento do país em que vivemos.
Os livros são para se aprender a teoria geral das coisas e para nos dar uma base de partida. Depois é necessário, pragmáticamente , aplicar esses princípios á prática , com as necessárias adaptações ditadas pelas realidades da vida.
Aliás, no que concerne á economia, sou a favor do pragmatismo e não da ideologia.
Governar com ideologia ou sobretudo seguindo uma ideologia é perigoso porque não só não resulta mas também cria situações irreversíveis muito difícies de corrigir.
Ora, fiel á sua ideologia, Passos Coelho criticou o uso das golden shares.
Com isto clarificou a sua posição, o que demonstra alguma coragem, há que reconhecer porque ficou práticamente isolado na sociedade portuguesa. Com isto pelo menos já sabemos o que dele esperar quando fôr 1º Ministro: que põe a ideologia á frente dos interesses do país. Foi Passos que considerou a situação muito dramática para a PT, mas não podia fazer nada!
Pois bem, até aqui tudo bem.
No entanto, na sua visita a Espanha quer privada quer publicamente e até numa entrevista que deu ao El Mundo, exagerou.
Na ânsia do reconhecimento como alternativa ao actual Governo, esqueceu-se das suas obrigações como cidadão.
já vimos o Governo e a oposição espanholas de mãos dadas sempre que os seus interesses nacionais estão em casa.
Dormir , portanto com o inimigo não lhe fica bem mesmo que nenhum dano seja causado dada a total falta de conhecimento internacional da sua pessoa.
Aqui está mais um exemplo da diferença entre a politiquice e a política. Entre dirigentes ocasionais e estadistas que é efectivamente o que falta em Portugal e também na Europa.
POrtanto tenho que dar a mão á palmatória e reconhecer que o Marcelo tem razão :tratou-se de amanteigar os espanhóis.
domingo, 11 de julho de 2010
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