domingo, 25 de julho de 2010

Fábula sobre os mercados

Há 2 anos, os mercados, essa entidade mitica que rege as vidas dos 27 mil milhões de almas que habitam o planeta azul, acordaram estremunhados com uma crise que não tinham previsto, a do crédito imobiliário de alto risco nos EEUU, e decretaram: isto é um problema da Fannie Mae e Freddie Mac, que os americanos resolverão tranquilamente.
Passaram meses e , de repente, os mercados descobriram que a tal crise afinal tinha contaminado parte do sistema financeiro norte americano.
Preocupante, mas não dramático. Alguns bancos especializados e regionais poderiam falir, outros seriam comprados, mas a vida continuaria o seu curso normal.
Os dias continuaram a passar e, subitamente, os mercados descobriram que havia produtos derivados, cujo risco ninguém sabia medir, que lá dentro carregavam o vírus do crédito imobiliário de alto risco e que tinham sido disseminados pela carteira de investimentos de muitos bancos.Nova sentença dos mercados: este é um problema dos EEUU. A Europa e o resto do mundo estão livres do flagelo.
Não contaram os mercados nem com o poder mortal e difusor dos tais derivados nem com a acção nem com a acção da Administração americana ( campeã do liberalismo #), que resolveu deixar caír um dos mais conhecidos bancos de investimento do mundo , a Lehmann Brothers.
E de um momento para o outro, o sistema financeiro mundial ficou á beira da catástrofe.
Os mercados entraram em histeria e determinaram aos berros: não se pode cometer erros praticados na Grande Recessão de 1929! Os Governos têm de salvar os Bancos em dificuldades, deixar deixar funcionar os estabilizadores automáticoa (i.e. aumentar fortemente os defices orçamentais e injectar milhões nas economias ). E os Governos assim fizeram : apoiaram os bancos, a indústria automobilistica, a aeronautica, e todas cuja falêcia seria um desastre para os trabalhadores.Mas apesar dos milhões injectados nas economias, sob recomendação dos mercados, o ritmo de crescimento dessas começou a abrandar vertiginosamente e o desemprego iniciou uma subida em flecha, sobretudo na Europa, com uma estrutura laboral mais rígida que os EEUU. E o mundo desembocou então numa crise económica e social.
Para os sistema financeiro mundial, contudo, surgiam sinais de que, com mais ou menos dificuldades, o pior já tinha passado. E os mercados , uff!, respiraram de alívio.Salvar a finança era essencial. O regresso ao business as usual estava garantido.
E aí os mercados repararam que os defices orçamentais dos Governos tinham disparado, sobretudo os dos países do Sul da Europa, que podiam estar á beira da falência ( apesar do primeiro país a falir ter sido a Islândia).
Como é possível este depautério?
Têm que reequlibrar novamente os orçamentos!E os Governos assim fizeram um , dois, três programas para cortar rápidamente os defices.
Aí os mercados disseram de novo: ah, já se apresentaram programas para reduzir rapidamente os defices?Muito bem. Mas essa redução é recessiva. E sem crescimento vocês não vão pagar os financiamentos que nos pedem.è melhor começarem a desenvolver políticas públicas para fomentar o crescimento, se não estão tramados connosco, os mercados. E lá vamos nós outra vez....

Pois esta brilhante escrita não é minha mas do Nicolau Santos no Expresso a qual subscrevo ja que tem todos os ingredientes que aqui tenho defendido.
É por isso que ser liberal não está no meu horizonte.
Á reacção e as receitas erráticas dos mercados, trouxeram como consequência o desemprego e o desespero de milhões de pessoas no mundo.
Deixar que esses mercados dirigam o mundo dá nisto.
Como diz o Adolfo a nossa forma de desenvolvimento está esgotada, incluíndo os mercados financeiros e outros.
Quando a coisa se torna feia, chama-se o Estdo que ,com o dinheiro dos cidadãos ,trava o desastre ! Depois , qd as coisas correm bem, chama-se-lhe vilão !
Esta escrita do Nicolau sobre a recente crise mostra bem o falhanço do liberalismo tout court que se entrega na totalidade aos "mercados". Continuar a defender este sistema, é como o PCP continuar a defender o comunismo mesmo depois de ele ter morrido.

Sem comentários:

Enviar um comentário