Suporto a intervenção do Governo , parando a venda da Vivo . É minha convicção que se trata de um assunto estratégico nacional . Para o demonstrar vou-me socorrer da opinião de um par de autores .
1- " Entre a mais recente produção intelectual referente às relações espaciais encontramos o que E. N. Luttwak designa de geoeconomia .Em vez dos mapas assentes nas fronteiras nacionais , os canais de telecomunicações assumem um significado de primeira ordem .As decisões relativas à localização das infra-estruturas de produção não são tomadas por referência às fronteiras entre estados mas , principalmente , devido a factores como a disponibilidade e custo de mão de obra , os acessos aos mercados , questões monetárias , a regulamentação ambiental , assim como a receptividade face ao investimento. O mapa geoeconómico do mundo é , assim , desenhado a partir das redes financeiras internacionais , dos padrões de investimento , dos movimentos de pessoas e ideias e dos amplos fluxos de informação .Num mundo geoecenómico, a internacionalização do capital e o crescente fluxo de informação enfraquecem as fundações políticas do estado , tradicionalmente definido em termos geográficos .Estas entidades , baseadas numa dimensão territorial fixa , são desestabilizadas ou mesmo dissolvidas por intermédio da acção das forças associadas às tecnologias de informação .Num mundo geoeconómico , o poder é mensurado tendo como referência a capacidade , baseada em sofisticados níveis de investigação e desenvolvimento , de conquistar os mercados do futuro através da detenção de uma superioridade tecnológica decisiva . É assim que o acesso aos mercados emergentes se torna mais importante do que o controlo efectivo do território ."
Relações Internacionais - as teorias em confronto , pags199 e 200 .
Socorro-me agora do prof. Adriano Moreira - A consciência do estado exíguo
" Um Estado com assumida consciência da debilidade das capacidades disponíveis , talvez deva adoptar como primeiro objectivo estar sempre presente com autoridade nos centros internacionais de decisão , para não ser apenas objecto dos efeitos das políticas ."
E ainda do mesmo autor :
"Mas uma ordem em que as fronteiras são de natureza múltipla e não apenas geográficas , em que as fronteiras geográficas tendem para transparentes , abrigando uma soberania disposta a reconhecer o multiculturalismo no lugar de antiga uniformidade cultural , eventualmente multinacional e multiétnica , contratualizada , respeitadora das solariedades transfronteiriças e transnacionais , confiando mais na sociedade civil , menos no centralismo .
O que significa a crise do Estado soberano como actor de ordem interna e internacional , mas não significa a crise do valor nacional , nem dos valores cimeiros que os modelos políticos se destinam a servir ."
Confesso que me inclino a comungar a visão da teoria realista nas relações internacionais :
- a política internacional é essencialmente conflitual
- os estados relacionam-se com base numa soberania legal , protegendo os seus interesses e o poder , com vista ao objectivo último : garantia da sobrevivência . A sobrevivência constitui o objectivo básico da política externa e o interesse nacional central
- o poder abrange as capacidades militares , económicas e tecnológicas dos estados .
Por todas estas razões penso que o Governo esteve bem ao impedir a venda da Vivo , porque protegeu o interesse nacional .
Um abraço
Adolfo
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