Já aqui afirmei que sou dos que ainda acredita no pai Natal.
Acredito que o mundo se desenvolveu no caminho certo , mas reconheço que ainda há muito a trabalhar e que as novas gerações se encontrarão empenhadas e ocupadas a resolvê-los.
Ainda há 50 anos os negros nos EEUU ou na África do Sul eram discriminados, mortos e explorados e, tudo isso, de forma totalmente legal !
Todavia, hoje não é assim !
É apenas um exemplo a favor da tese que favorece os homens de boa vontade.
Dito isto, queria dizer que sou um adepto confesso da Realpolitik.
Ela é vista muitas vezes como a defesa de interesses pouco nobres como o dinheiro ou afins.
Não partilho desta visão.
Sendo o mundo (ou talvez mais rigirozamente o planeta) constituído por várias civilizações com princípios diferentes e mesmo conflituosos, é preciso arranjar uma forma que permita que essas civilizações possam dialogar, comerciar que é como quem diz influênciarem-se mutúamente.
Ora o mundo gerido apenas em esferas de poder , nomeadamente o económico e mesmo militar, está em vias de extinção.
A globalização estabelece dependências mútuas : os chineses compraram a dívida americana o que aparentemente amarrava os americanos e os obrigava a fazer cedências que de outra forma não fariam. Nada mais errado. Se , por exemplo, o dolar baixa nos mercados internacionais, significa brutais prejuízos para a China !Portanto é preciso "concertar" e não radicalizar.
A aventura do Bush no Iraque mostrou também que, mesmo os EEUU, não podem sózinhos dominar um país quanto mais o mundo.
A crise económica , orçamental e de endividamento dos EEUU, que levou á desvolarização do dólar face ás moedas rivais, ´bem como a crise que se abateu sobre o mundo mais recentemente, afastaram a teoria do mundo unipolar dominado pela América.
Daí que mesmo os países ainda comunistas decidiram abrir as suas fronteiras e comerciar e até permitir o intercambio entre pessoas.
Ora eu vejo a Realpolitik como a forma de, tolerantemente, as nações e as "civilizações" se influenciarem mútuamente e , assim, permitir aos povos conhecer novas realidades.
A não ser assim, como disse uma vez Durão Barroso (que raramente diz alguma coisa interessante), a UE quase só teria relações com os países que a compõem.
O estabelecimento de realções entre nações e civilizações diferentes e mesmo conflituais, serve para distender as tensões e evitar guerras. A não acontecer, , cada um terá tendência a radicalizar a sua posição e , assim, tender a resolver esses conflitos "manu militare" mesmo que seja de forma não convencional como o terrorismo.
Vi na televisão um documentário em que um grupo pacifista israelita decidiu ir buscar em camionetas crinças palestinianas da Cisjordânia e levá-los pela 1ª vez a ver o mar.
Para tal debateram-se com dificuldades para obterem as necessárias autorizações, mas por fim , conseguiram.
As entrevistas feitas a ambas as partes , mostraram que ambas tinham uma visão de ódio mútuo artificial.
Em ambos os campos há bons e maus, adeptos da paz negociada e falcões.
Ora, como disse uma vez MSTavares, se tivesse nascido em Israel odiaria os palestinianos , se tivesse nascido em Gaza ou na Cisjordânia odiaria os israelitas.
Se, mesmo numa área onde o ódio comanda a vida, se conseguem acções como a que acima conto, então é mais uma razão para mantermos a esperança que um dia, os políticos de ambas as partes estão condenados a entenderem-se. Ora para que tal aconteça é necessário cedências e mesmo aceitar injustiças e ceder no campo ideológico: a realpolitik.
Portanto, a Realpolitik pode ser uma arma eficaz na direcção da paz e , por isso, defendo-a.
Como todos os instrumentos tem , claro, que ser utilizada no bom sentido.
Pode começar-se com relações apenas de carácter financeiro (abdicando aparentemente ás vezes de valôres).
Todavia, a pouco e pouco, quer as partes queiram quer não , a interligação de culturas far-se-á !
quinta-feira, 8 de julho de 2010
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