sábado, 15 de maio de 2010

Keynes ou não Keynes ?

Esta discussão à volta do seguimento das opções keynesianas que vem animando o nosso blog é relamente interessante.
O amigo Jorge parece ser um grande apologista da aplicação das teorias keynesianas à crise actual indo ao ponto (òbviamente retórico...) de se interrogar se é burro por defender essa opção.
Como o conhecemos muito bem,decerto que me acompanhrão confirmando que o nosso amigo é tudo menos burro.
A questão porém é pertinente porque,na situação actual,ninguém nem nenhum país parece querer seguir as soluções keynesianas.
Pessoalmente,julgo que mais do que querer ou não se trata de uma situação de poder ou não segui-las. A realidade é que os Estados estão actualmente com niveis de endividamento brutais,sobretudo aqueles,como Portugal,que foram obrigados pelos seus parceiros europeus a limitar esse endividamento galopante.Este endividamento está a niveis tais que quem tem dinheiro para emprestar aos Estados (e òbviamente que não são todos especuladores como agora dá muito jeito dizer para esconder a inépcia de governantes e o "gastar à tripa forra" de particulares)o está a fazer a taxas cada vez mais penalizantes porque,cada dia que passa,tem mais receio de que os Estados não consigam pagar as suas dividas.
Nesta realidade (que confesso não sei que semelhança poderá ter com a situação dagrande depressão dos anos 20/30) os Estados mais do que,voluntàriamente,recusarem investir estão a ser obrigados a fazê-lo porque os custos de investir são francamente incomportáveis.E é necessário ter em conta que o são hoje e se agravam cada dia (vide as emissões de divida publica dos Estados que se fazem pràticamente todos os meses/quinzenas e em que cada uma é feita com a necessidade de aceitar um juro cada vez maior).
Dirão os "keynesianos" que isso é errado porque induz uma maior retracção económica.Até pode ser verdade mas a realidade (por muito dura que seja e custosa de aceitar) é que a alternativa é desconhecida.Porque a alternativa não é "investir" em TGV's e Pontes sobre o Tejo,etc. porque os Estados não têm dinheiro para o fazer,precisam de se endividar para o fazer e os Mercados financeiros obrigam-nos a pagar taxas proibitivas e,nalguns casos,até assinalam (com sucessivos outlooks negativos) que poderão não financiar esses Estados.
Aliás,para nós que lidámos anos a fio com decisões de investimento isto é cristalino.Quantas vezes decidimos ou soubémos que as nossas Empresas decidiram adiar (ou até abandonar) investimnentos porque as condições de mercado tornavam as operações incomportáveis ?
Julgo que é uma situação semelhante a que se depara hoje aos Estados.Mais do que discutir a virtualidade de um investimento trata.-se de decidir se existem condições para o fazer. E não me digam que isso é irrelevante,que temos de investir de qualquer maneira porque senão induzimos recessão.
Por mim,olho para a situação dos nossos vizinhos espanhóis que têm o país coberto de linhas de TGV (já agora confirmo que é excelente viajar no mesmo e que decerto será uma boa alternativa para ligar Lisboa à Europa quando tivermos condições razoáveis para o financiarmos) e nem por isso evitaram uma situação de recessão e de endividamento tão graves como a de Portugal.Por isso,a associação "mecânica" de TGV a "sucesso" económico é absolutamente abusiva.

Resumindo e concluindo : nas condições actuais (de que somos absolutamente responsáveis por termos durante anos "vivido à grande e à francesa" sem curar de construir bases sólidas que justificassem tamanha "prosperidade".Não esquecer que se o Estado português está muito endividado,os particulares em Portugal o estão ainda mais...)não me parece que a questão seja de Keynes ou não Keynes mas sim de possibilidade de financiar ou não os projectos de grandes investimentos que os Estados possam ter.

Aliás,voltando ao nosso amigo Jorge,nesta história não podemos dizer que todos os governantes e economistas que os suportam europeus são burros.O que eles não têm e não sabem como obter neste momento é "carcanhol" para cumprir os planos que sonham executar.Como tal têm de esperar por melhores dias. Isso traz recessão ? Mas avançar com investimentos a custos proibitivos não traz também recessão e algo pior como a possivel "cessação de pagamentos" dos Estados?

Perante isto,há que "apertar o cinto" (não deixando de comprar papel higiénico mas sim diminuindo drásticamente o numero de pessoas que o usam na função pública e adequar as despesas dos privados ao seu nivel de rendimento ou endividamento suportável) e esperar por melhores dias.

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