Como posição de princípio : investimento público - Sim ! Mas respondendo a uma destas premissas : investimento socialmente justificável ou investimento que vai ter um efeito multiplicador na economia . Daqui o meu total acordo quando o Governo iniciou este ciclo de obras de recuperação do parque escolar e outros equipamentos sociais . Tem efeito multiplicador na economia nacional : mão de obra e materiais usados são largamente nacionais , para não dizer que o são na totalidade .
Já vos transmiti o meu agrado em investimento em massa cinzenta ( dirigida para fins específicos e devidamente controlada e avaliada ) ; um exemplo desse bom trabalho : pera rocha .
Tanto quanto julgo saber ( e a correcção será bem vinda , se estiver enganado ) o sucesso da pera rocha é devido a um trabalho de um organismo estatal ( não sei o nome ) que estudou : solos , clima , selecionou espécies e tecnologias apropriadas , sendo o resultado aquele que conhecemos : uma boa fruta para consumo interno e para exportação - creio que já são exportadas milhares de toneladas ano . Uma região passou a ser mais rica , e curiosamente pode ser só por meu desconhecimento , mas tenho a impressão que não aparece nas zonas do país em que há gritantes e generalisados casos de pobreza .
Quanto ao TGV , vejam o meu artigo : TGV - pedido de esclarecimento . Continuo sem ver refutado o que lá escrevi , que aliás não tem mérito prório porque transcrevi um artigo de jornal .
Quanto ao problema da bitola e transporte de mercadorias , não é questão secundária . Prende-se com o facto de termos um dos melhores portos de águas profundas da Europa - Sines . Continua a não ser um porto de entrada ou saída de bens da Europa para o Atlântico . Porque será ? Não será estratégico optimizarmos este recurso ?
Por outro lado se podermos responder às nossas necessidades investindo 2 , porque o devemos fazer por 5 ou 6 ? Enquanto gestores fariamos tais actos nas empresas em que trabalhamos ? Quanto à disponibilidade dos fundos , podem ser movidos para outros inverstimentos , pelo menos em parte .
Quanto ao Keynes , continuo a pensar , mesmo sendo um ignorante encartado , que os tempos e condições são outras - ver o meu comentário a artigo do Jorge Cardoso . Como tal , aplicar receitas de uma forma cega pode não ser a melhor aproximação aos problemas .
No meio desta refrega toda vemos a árvore , mas não vemos a floresta . Penso que o que vivemos são manifestações de algo muito mais vasto : empobrecimento do ocidente ( o tamano do bolo é finito , havendo mais convivas à mesa , as fatias para os que já lá estavam vão ter que ser menores ) ; crescimento do desemprego por via de enormes ganhos de produtividade conseguidos pela introdução de tecnologias , o que mais tarde ou mais cedo vai trazer para o centro da discussão como vamos organizar o trabalho e a sociedade : trabalho para mais gente , com menos horas de trabalho e , consequentemente , menos dinheiro ? ou continuação deste modelo com gente com trabalho , bem pagas e multidões de desempregados , que levarão a crises sociais sucessivas e a uma sociedade securitária para aqueles com alguns rendimentos ?
Por outro lado este mundo comporta um crescendo de consumismo conforme temos tido até agora ? Até quando durarão os recursos naturais ?
Tudo isto leva-me a pensar que estaremos à beira de uma mudança de paradigma , que poderá ser resumido por : passarmos de um sociedade caracterizada pelo verbo "ter " , para uma outra caracterizada pelo verbo "ser " .
Um abraço
Adolfo
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