Vitima da famosa nuvem vulcânica ( e do trato abaixo de cão da nossa estimada Companhia aérea nacional -TAP . Decididamente quando ler a noticia que esta "Empresa" acabou acho que será um momento importante e feliz para este pobre páis...) fiquei ontem em terra e,à espera de novo voo,aqui estou para dar a minha colherada,a propósito do último post (como sempre interessantissimo,devo dizer...) do amigo Adolfo.
Estou de acordo com a ideia de que o "investimento" estatal na Investigação é de apoiar,mas discordo totalmente de que se deixe o "Estado" (seja ele qual fôr) a pilotar em exclusivo essa actividade.
Com o que conheço,distingo bàsicamente dois modos de "administrar" a Investigação : um (que,para simplificar,vou apelidar de "francês") em que o Estado tem uma rede de Investigadores que são pagos por bolsas ( ou esquemas semelhantes) estatais e um outro (que apelidarei de "americano") em que a actividade de Investigação é fortemente dependente de fontes privadas (Empresas,Fundações,Individuos,etc.).
O primeiro,é uma fonte de desperdicio e de inutilidade.Nele os "investigadores" investigam ao ritmo e com os objectivos que muito bem entendem,consideram-se "primas donnas" intocáveis e inquestionáveis (assim um bocadinho como os juízes portugueses...) e o que produzem é de escassissimo interesse e nunca justifica nem um décimo do que o Estado gasta. Como exemplo,retenho sempre o que vi em França onde há centenas (não exagero´,é mesmo verdade) de "investigadores" a "trabalharem" na área da Ciência Politica. Não duvido que isso possa ser interessante para a auto estima de alguém,mas tenho a certeza que os milhões de Euros gastos com estes "investigadores" têm um efeito reprodutivo "abaixo de zero".
No sistema "americano" os "investigadores",geralmente organizados à volta das Universidades,têm que "vender" a sua investigação a quem lhes possa proporcionar os meios financeiros que precisam para a levar a cabo. O resultado é uma investigação virada para a utilização reprodutiva e que não pode ser "investigação de chacha" porque senão não há quem a pague.
O resultado disto vê-se na capacidade de inovar que as Empresas apresentam. Na Europa (que,grosso modo segue o sistema "francês") a diferença de criação de novos produtos/serviços relativamente aos Estados Unidos é abissal.
Há dois indicadores que ,normalmente,são usados para avaliar as diferenças nestas matérias : o numero de Prémioss Nobel "cientificos" e o numero de patentes registadas.Em qualquer um deles os Estados Unidos apresentam numeros que são mais do dobro dos apresentados pelos europeus.
Por isso,acho que a investigação se for deixada sòmente ao Estado só pode dar "barraca" e será mais um sorvedouro de fundos públicos. O que é necessário é que os "financiadores" portugueses apostem na comunidade cientifica portuguesa,mas com marcos de exigência claros para que a "investigação" produzida não o seja com o único beneficio de satisfazer o umbigo do investigador.
Aliás,o exemplo que o Adolfo cita é bem indicador disso porque não tenho duvida que se ele está focado em "investigação útil" é porque tem,por trás,o MIT que certamente financia a aprte que lhe cabe com fundos que lhe são proporcionados por quem lhes pede contas sobre a utilização dos mesmos.
Resumindo,se o Governo (???) do inefável Sr. Engenheiro quiser apostar nesta via e por esta forma,por mim só poderei estar de acordo. A ver vamos e foi um fogacho ou se é para levar para a frente !!!
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