quinta-feira, 13 de maio de 2010

Padre António Vieira

Não resisto a trazer à vossa atenção um par de transcrições desse ilustríssimo pensador e mestre da língua portuguesa .
A primeira transcrição retiro-a do notável discurso do D. Manuel Clemente na entrega do prémio PESSOA ( ver Expresso - Actual , 8 Maio ) :
" Por isso nos deu Deus tão pouca terra para o nascimento e tantas para a sepultura . Para nascer , pouca terra ; para morrer , toda a terra ; para nascer , Portugal ; para morrer, o mundo . Perguntai a vossos avós quantos saíram e quão poucos tornaram ? Mas estes são os ossos de que mais se deve prezar vosso sangue . "
A este respeito diz D. Manuel Clemente : " Vieira vê a exiguidade territorial como causa providencial do destino pátrio . Chegaria para berço , mas não para a sementeira nem para o túmulo , porque Portugal só no mundo inteiro descansaria , sendo essa a sua glória , mesmo que trágico-marítima . "

Há muito tempo que penso que Portugal , de há 500 anos a esta parte , aquilo que faz bem é preparar mão de obra para emigração . Num tinha lido nada que tão claramente o disse-se .
Terra mãe que é madrasta . Terra de viúvas de vivos . Até quando ???


Falamos tanto da qualidade dos nossos governantes , daqui vos deixo , sem mais comentários , estas deliciosas palavras do Padre António Vieira :
" Quando fazem os ministros o que fazem ? E quando fazem o que devem fazer ? Quando respondem ? Quando deferem ? Quando despacham ? Quando ouvem ? Que até para uma audiência são necessários muitos quandos . Se fazer-se hoje o que se pudera fazer ontem ; se fazer-se amanhã o que se devera fazer hoje , é matéria em um reino de tantos escrúpulos , e de danos muitas vezes irremediáveis ; aqueles quandos tão dilatados , aqueles quandos tão desatendidos ; aqueles quandos tão eternos , quanto devem inquietar a consciência de quem tiver consciência .

Um abraço
Adolfo

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