quarta-feira, 12 de maio de 2010

As PME

Tenho últimamente pensado na questão em epígrafe e após algumas leituras, vejo-me hoje com uma visão diferente sobre este assunto.
Em Portugal , assim como Espanha, 99% das empresas são PME.
No entanto o conceito de PME varia e, se aplicarmos o critério espanhol (para não ir mais longe e aplicar o alemão) as nossas PME são na sua maioria micro e mesmo nano empresas.
Ora a verdade é que estas empresas não têm possiblidade de sobrevivência no mercado aberto porque não têm massa critica:
(a) Dada a sua dimensão, não têm garantias para aceder em condições razoáveis ao crédito bancário, portanto não têm capitais para o seu crescimento.
(b) Uma empresa com 4 ou 5 trabalhadores não tem possibilidade de redução de despesas, e tem até que sustentar empregados a mais (porque não pode parti-los a meio)
(c) Mesmo as tecnológicas com futuro depressa são compradas por empresas estrangeiras que vêem o furo e estão dispostas a disponibilizar os capitais necessa´rios ao seu desenvolvimento. Veja-se o caso da Chipidea comprada por uma empresa americana.
(d) não têm possibilidades de lutar por um lugar no mercado contra empresas maiores e com recursos, nomeadamente estrangeiras.A Remax e a Era ,por exemplo ,tomaram conta do mercado em 2 tempos!

Poderia acrescentar outras alíneas, mas julgo que basta para explicar a minha posição : com este network de empresas sem massa critica a economia do país não irá crescer .
Que fazer ?
A meu ver quer o EStado quer as Associações empresariais devem avançar para a concentração de empresas como forma de criar dimensão, optimizar sinergias e economias de escala a final, criar empresas com massa critica.
Utilizar mecanismos fiscais e outros e , mesmo que de forma paternalista, ter um Ministério da Economia que se aproxime das empresas e seja ele próprio a propor, pressionar, etc.

Vendi a minha casa no Algarve há pouco tempo e a agência que tratou do assunto é portuguesa, sobrevivente á partilha do mercado pela Remax e Era.
Então como é que ela resistiu?
A actual empresa é a consequência da fusão de 12 pequenas empresas na região !
Hoje tem agências na Inglaterra, Irlanda e Alemanha !
Eis um exemplo.
o network da iniciativa privada em Portugal é mau. Estes números que são da OCDE e que utilizei numa apresentação que fiz na reunião do Empreendorismo Social, mostra o perfeito disparate que é dizer que o Estado tem que saír da frente e deixar "a iniciativa privada de nano empesas actuar"
A solução ,concluo, é avançar para a concentração e formação de massa crtica, senão não vamos lá.
É preciso pensar estratégicamente e com sentido realista em lugar de navegar á vista e propôr soluções teóricas que nada têm a ver com a nossa realidade.

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