Embora já tenha escrito sobre este assunto já que o nosso amigo Adolfo pediu a nossa opinião, aqui vai de novo.
Os professores não queriam ser avaliados tout court e defenderam esta posição inicialmente. Depois perante a pressão e a evidente impossibilidade de continuarem a defender essa posição passaram a defender que estavam de acordo com uma avaliação mas não com aquela avaliação (não tendo , entretanto proposto qualquer alternativa), depois de conseguirem alterar a avaliação dizem agora que ela não pode servir para nada nem para a colocação de professores, etc.
Ou seja, na verdade a sua posição continua a ser a mesma: Não querem a avaliação e se foram obrigados a ceder perante a pressão da opinião pública, então que ela não sirva para nada.
Ora no TGV e no aeroporto trata-se da mesma coisa.
Aqueles que agora tentam travar essas obras por causa da dívida pública são os mesmos que eram do contra porque não era necessário, depois porque quer a localização do aeroporto quer a linha não eram as mais correctas, depois porque não havia ROI (como se o investimento público fosse como o privado), depois porque a bitola espanhola do TGV não nos serve, depois porque os empregos que se criavam era para imigrantes, depois que o dinheiro da europa devia ser utilizado noutros projectos que não estes....etc, etc, etc.
Ora estes velhos do Restelo (como o Camões os conhecia, aconselho a ler Portugal o pioneiro da globalização) são aqueles que não queriam que D. João II e D. Manuel alterasem a estratégia do país para o Oriente e ficasse apenas com as costas do Norte de áfrica largamente lucrativa. São os mesmos que andaram a discutir o Alqueva 40 anos,que crticaram a Expo, o Centro Cultural de Belém, o Europeu de futebol(que reconheço deveria ter apenas 6 estádios),são aqueles que criticaram a política de betão que pôs Portugal ao nível da Europa, são aqueles cujas mentes e corações estão fechados a novas ideias, são aqueles que ajudam a adiar o país.
Algumas considerações
1. Se não se pudesse fazer investimento público porque o Estado não tinha dinheiro, então não teríamos hospiais, creches, estradas, escolas, etc
2. Se não devemos fazer investimento público quando ele não tem ROI também não teríamos qualquer serviço público, estradas, hospitais, escolas e certamente os nossos antepassados no seculo XIX não teriam construido o caminho de ferro em Portugal e hoje andavamos de burro.
3. Os dinheiros da UE que vêm para o TGV e para o aeroporto não podem ser utilizados em quaisquer outros projectos. É pura e simplesmente dinheiro que vamos poupar á UE que o dará á Polónia , Republica Checa, etc, que não têm Restelo lá na terra !
4. Portugal é um país periférico e portanto quaisquer infraestruturas que aproximem o país dos países seus fonecedores/clientes é estratégica para a competividade do país.
5. Se não realizarmos estas infraestruturas, elas não irão acontecer e, não tenham dúvidas, vamos continuar endividados como estamos porque o Estado é perito em gastar o nosso dinheiro.
6. Não vejo qualquer consenso nacional em relação á não realização destas obras. Há grupos a favor e outros contra como aliás estamos habituados em Portugal. E mesmo que houvesse consenso não quer dizer que ele fosse o mais adequado aos interesses do país. É por causa desses consensos que o PS e o PSD levaram o país a este estado.
A não ser que se pretenda defender as posições de ex ministros das Finanças gente que é largamente responsável pela má governação do país. Eu, quase cartesianamente, quando estes tipos têm uma opinião tendo a automáticamente defender a contrária, tal o (des)respeito e (des) consideração que tenho por tais incompetentes !
7. Finalmente a suspensão das obras públicas como escrevi noutras intervenções desta semana, não irá reduzir o defice do Estado antes pelo contrário irá ter consequências nefastas na economia (não me admirava que provoque uma ressessão)travando o crescimento de 1%do PIB no 1º trimestre (o 2º maior em percentagem da UE).
Cá estaremos para ver se tenho ou não razão.
Devo dizer que a maior parte das razões para o cancelamento destas obras são de tal modo ridículas e irracionais que não percebo como se vai nelas, a não ser porque, quer queiramos quer não, somos infuênciados pelos sound bites criados justamente para nos fazer parar de pensar com a nossa própria cabeça.
Eu, talvez por ter muito tempo ,resisto estóicamente á tentativa de estupidificação que políticos e opinion makers pretendem para nos anesteziar.
É por isso que os ditadores para se manterem no poder pretendem manter as populações na ignorância podendo assim ser eficazes na propaganda.
Estes são mais sofisticados já que governam e opinam em democracia, mas as intenções são as mesmas: estupidificar a opinião pública e aproveitar a preguiça de pensar, e, portanto, pensar por eles com sound bites retirados de técnicas de comunicação do marketing moderno !
Enquanto estiver bom da cabeça não vou nisto !
quinta-feira, 13 de maio de 2010
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