Continuando as questões do Adolfo.
Penso que em termos mundiais o modelo de desenvolvimento tem que ser revisto e não se pode apenas basear no consumo.
Sem dúvida que os bens terenos são escassos sobretudo se levarmos em consideração o crescimento da população e o desenvolvimento das economias. A globalização se bem que tenha causado problemas aos países desenvolvidos temperando o seu crescimento, acabou com milhões de pobres dando um alento dinâmico aos mais pobres e em vias de desenvolvimento.
Por outro lado a poluição criada sobretudo pelos países industrializados destruirá o planeta ou ele próprio , para sobreviver, expulsará a espécie humana que o quer destruír.
Sendo assim, as necessidades de alimentos crescerão exponencialmente no futuro e portanto é necessário aumentar a produção dos mesmos.
Ora o que se passa nos países ricos e nomeadamente na Europa por via da PAC é o seguinte:
(a) A UE apenas se preocupa com o que se passa entre as suas fronteiras, ~ignorando as necessidades mundiais. Assim, embora tenha de longe capacidade para aumentar a produção, faz o contrário pagando até em determinadas condições para se reduzir e até parar algumas produções, em ordem a manter os preços altos e , assim, manter o nível de vida dos agricultores.
(b) Os subsídios á agricultura acabam por criar uma situação de concorrência desleal com países terceiros nomeadamente os países pobres e em vias de desenvolvimento sendo a agricultura é a única coisa de que dispõem para vender , sobreviverem e pagarem as suas dívidas. Assim, por um lado empresta-se dinheiro, por outro criam-se condições para que esses países não possam pagar pelas PAC (não esquecer que os EEUU subsidiam fortemente os seus agricultores.
Depois perdoam-se as dívidas e faz-se boa figura de forma hipócrita e tudo volta ao mesmo.
(c) Dentro da UE a PAC favorece sobretudo os grandes e sobretudo a França onde o lobby da agritultura é tão forte que pode decidir eleições. Assim Alemanha, França , Espanha e agora a Polónia (por isso a França esteve tão relutante nas negociações de entrda da Polóniana UE).
Em Portugal quais foram as consequências das políticas agrícolas:
Práticamente destruiu-se a agricultura e as pescas. Essa destruição foi levada a cabo, há que reconhecê-lo, durante o períodeo de 10 anos do cavaquismo. No entanto ,se fosse o PS provávelmente teria seguido os mesmos ditames da Europa, porque com a massa que nos davam não poderíamos recusar.
Durante este período deixamos de produzir leite, cereais, etc e os pescadores e armadores foram pagos para abater traineiras !
Depois, os governos seguintes mostraram-se totalmente desencontrados como é habitual. Assim, se nos governos de direita se beneficiaram um pequeno número de grandes agricultores que, sendo os mais fortes, eram os que precisavam menos, ou durante os governos da esquerda em que se deu dinheiro a toda a gente (portanto cada um recebeu pouco) indiscriminadamente sem estratégia. Assim, como é habitual, gastou-se dinheiro para os destinatários comprarem Ferrari e não para investir.
Assim duas actividades tradicionais do país foram práticamente destruídas pelas políticas erradas.
E Também, há que reconhecê-lo, pelo atavismo dos agricultores. Portugal só há 2 anos é autosuficiente na produçao de azeite graças aos investimentos brutais feitos pelos espanhóis no Alentejo. Porque não foram portugueses a realizarem estes investimentos ?
Outra razão foi sem dúvida a combinação do espírito trafaulha dos portugueses em conjugação da incapacidade do Estado para fiscalizar a utilização dos dinheiros.
Muitos milhões foram utilizados para comprar carros e vivendas de luxo em Portugal e no Brasil.
Passemos agora á questão do Alqueva.
segunda-feira, 31 de maio de 2010
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