Eu provávelmente sou suspeito porque detestava a criatura, mas as cerimónias de Etado , com transmissão televisiva em directo (com meios sofisicados como helicópteros) são um claro exagero e uma prova do provincianismo e do oportunismo político.
Ora , creio eu, o que tem que ser reconheçido a Saramago é o facto de ter sido um grande escritor e , consequentemente , ter ganho o prémio nobel da literatura, ponto final!
Ora o prémio nobel da literatura não é equivalente ao nobel da paz.
O que estamos a fazer é "promover" o Saramago ao nível do Nelson Mandela!
Imagine-se que morrem por exemplo prémios nobel da economia (equivalentes ao da literatura com algum esforço) nos EUA (eles tiveram vários) , também se efectuará um enterro de Estado com a presença do Presidente do líder do Congresso e do Senado, etc ?
Claro que não. seria o cúmulo do ridículo.
Eu por mim acho correcto que o Estado vá buscar o corpo e que a Ministra da Cultura, participe nas cerimónias, ponto final !
O que se pretende com tudo isto é "promover" uma fiura que além de bom escritor nada tem que interessa.
É um indivíduo que defendeu regimes repressivos como Cuba (critica a Inquisição mas esquece-se dos gulags), enquanto militante comunista quando foi Chefe de Redacção do Diário de Notícias saneou todos os jornalistas e funcionários que não aceitávam a linha imposta pelo partido, etc.
Além disso é um homem arrogante e intolerante , características que não abandonou ao longo da sua via. Finalmente foi um indivíduo que sempre insultou o seu país comparando-o com a maravilha de Espanha país onde viveu os últimos anos!
Em seguida os políticos de serviço como Louçã ou Alegre ao criticarem o PR apenas pretenderam tempo de antena.
Ora, se concordássemos que estas cerimónias eram apropriadas (o que não é o caso), ,mesmo assim, aceito a posição do PR de se fazer representar. É evidente que o PR não é isento de criticas e não pode, em nome delas eximir-se ás responsabilidades públicas, no entanto o que recebeu deste homem foi insultos, portanto eu também me faria representar.
Portanto, façam o que quizerem para reconhecer o escritor, não envolvam o Estado a "branquear" o homem !
O que se passou, repito foi excessivo e mesmo ridículo e demonstrou o nosso provincianismo mais uma vez!
segunda-feira, 21 de junho de 2010
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