quarta-feira, 9 de junho de 2010

Os burros

Apesar de, sempre que defendo as minhas ideias o faça com a força das convicções, não posso deixar de ser influenciado pelos comentários dos meus amigos bloguistas. Queria confessar que as vossas ideias , sobretudo aquelas em que discordam de mim, têm em mim uma influência muito grande. O que nos une é de longe uma questão de afecto de pessoas que passaram muito em comum. Mas, também o respeito intelectual por pessoas que respeito pelas suas ideias , pela sua inteligência e por sermos pessoas de bem que queremos , ainda que de forma muito modesta, contribuir para o melhor da nossa terra.
Daí, que sempre que haja discordâncias entre nós, me preocupe com honestidade intelectual de aprender e ser escravo daquela dúvida metódica cartesiana de descobrir se afinal estou ou não do lado da razão (mesmo que o não confesse).Como é óbvio nunca o conseguirei.
Assim, dado que os meus amigos me conhecem, sabem perfeitamente que as minhas convicções são directamente proporcionais ás minhas dúvidas !
Portanto quando pessoas , como os meus amigos, discordam de mim, isso transforma-se não num jogo do berlinde, mas, pelo contrário, num desafio sobre a bondade das posições que defendo e me fazem perguntar se afinal sou eu que tenho razão ou se pelo contrário tenho que reconhecer que não é o caso (com grande pena minha).

Vem isto a propósito do Keynes e das medidas tomadas pela UE e consequentemente por Portugal para resolver a crise instalada.
Eu defendo, como Keynes (desculpem a arrogância, quem sou eu ?), que as medidas tomadas pela UE relativamente á crise actual terão um efeito contrário e não resolverão o problema do défice público e do endividamento.
Nomeadamente o facto de se acabar com o investimento público ( e não falo do TGV mas de tudo resto: hospitais, estradas, escolas, etc). E falo não só em Portugal como na Europa.
Embora em termos morais seja aceitável que as economias endividadas não se devem endividar ainda mais, a verdade é que a economia política não é guiada por conceitos morais mas económicos. E , se é verdade que o endividamento atingiu níveis assustadores , é também verdade, como diz Keynes , que ele só pode ser resolvido numa primeira fase pelo investimento público (em Portugal e na Europa).
Estou convencido disso porque sou pouco influenciado pelos sound bites (também os sentimos na empresa em que trabalhámos com os resultados que estão á vista) e sou mais influenciado por práticas já experimentadas e com sucesso.
Dizem os meus amigos que as teorias (e práticas) do pensamento Keynesiano não aplicáveis na conjuntura actual. No entanto, até agora não foram capazes de me explicar porquê , a não ser porque "não há dinheiro".

Ora bem , verifiquei que não estou sózinho na minha tese e, salvo melhor opinião, estou bem acompanhado:
- O Sr Stass Kahn, presidente do FMI disse que as medidas de consolidação orçamental e do controle do endividamento não deviam ser exagerados e ~por em causa o crescimento da economia.
-No dia seguinte o Chief economist do FMI disse que medidas que causem uma deflacção económica (recessão)não só não resolverão o problema do endividamento como o tornarão ainda pior.
-Faz algumas semanas, um economista canadiano que estava na lista dos`Prémios Nobel do ano passado fez uma conferência em Lisboa e disse o seguinte: A UE está em pânico por causa do euro. Ora, o euro não está em perigo tal como o dólar , mesmo quando se desvalorizou 50% em relação ao euro, também não está.
O euro apesar de tudo ainda vale mais que o dolar e , mesmo que atingisse a paridade e mesmo se desvalorizasse em relação ao dólar continuava a ser uma moeda forte já que quase 40% do comércio mundial passa pela UE, um colosso económico.
Mesmo que , por absurdo, o euro estivesse em perigo, se se tivesse que escolher entre o euro e a economia , não se devia exitar e escolher a economia.
Disse mais, que a economia privada em Portugal, tem uma dívida externa muito superior ao Estado, o que quer dizer que nos próximos anos não haveá investimentos privados na economia e que só o investimento público, mesmo com altos indices de endividamento poderá por a economia a funcionar.Sem dúvida que há que reduzir os custos do Estado, mas, a curto prazo tal não é possível já que 75% do orçamento é para pagar os salarios dos funcionários públicos.
Quanto á falta de dinheiro diz que se a UE um colosso económico não consegue financiamento para a sua dívida o que dizer então da àfrica, América do Sul e Asia Pacícifico ? Se os bancos portuguese não têm dinheiro , há mais quem tenha, fora de Portugal.
Segundo este burro , os empréstimos dos Estados, sobretudo nos EUA, Japão e UE encontram-se entre os financiamentos com menores riscos. Conta-se pelos dedos os Estados que não solveram as suas dívidas, em comparação com os investimentos em projectos privados onde nunca há garantia de pagamento. Diz ainda que os ratios de solvabilidade dos bancos exigem emprestimos garantizados e os com maiores garantias são os empréstimos aos Estados sobretudo os Estados ricos como os menbros da UE !


-João Ferreira do Amaral, professor de economia e apoiante da direita política, disse ontem que a política da UE é incompreensível e suicidária.
-O Prof Medi´na Carreira também acha que o Keynes está acabdo e que os portugueses com não podem andar de carro, devem andar de burro (concordo 100% com a crónica do Zé sobre este personagem e afins).
-Finalmente comprei hoje um livro da autoria de um tipo que não conheço chamado Robert Skidelsky ( um professor da Universidade de WarwicK).
O que é curioso é que o título é: Keynes O regresso do Mestre e , imediatamente por baixo do título em a seguinte frase: O Grande economista e as suas teorias nunca foram tão relevantes : quem assina esta frase é sómente o Sr Paul Kruger, prémio nobel da economia.
Na contra capa pode ler-se o seguiinte do editorial da Business Week :Sildelsky explica de forma soberba a relevânvia actual das teorias de Keynes(...) É uma polémica acesa que apela fortemente a que economistas e políticos voltem a ler Keynes.
Ainda na contracapa : O Guardian, perstigiado jornal de economia diz que " Devia ser leitura obrigatória para todos os futuros ministros" e , novamente Paul Kruger " Um livro extraordináriamente estimulante , que reflecte a erudição do autor. ESTAMOS A VIVER UMA SEGUNDA ERA DE KEYNES......"

Pois meus amigos, não sabemos quem efectivemente tem razão , é preciso ver os resultados. Mas entre os políticos europeus e nacionais e o prémio nobel, entre outros, ninguém me pode levar a mal de alinhar pelos últimOS.

É nas alturas difíceis que se vêem os líderes.Nós já vivemos muitas situações em que , por muito assustados que estivessemos, fizemos uma análise fria e objectica e agimos em conformidade, mesmo quando isso afectou oa nossos corações.
O p^nico e falta de coragem dos líderes europeus, e portugueses é patente.
Basta var as afirmações dos dirigentes europeus que se desdizem nas próximas entervistas , tal qual o do Governo português e do PSD, que criam trapalhadas atrás de trapalhadas e que contribuem desta forma para a volatilidade dos mercados e para a falta de confiança dos cidadãos.
Os líderes têm que ser frios, objectivos e assertivos e não cobardes que aumentam a incerteza dos mercados. Não era ssim na nossa empresa?
Eu , como se lembram e digo-o com orgulho,. nunca alinhei pelo "save the ass policy" e , desculpem, tenho muito orgulho em dizê-lo:certamente uma pequena contribução comparada com os líderes europeus e do país.

Podem dizer os meus amigos que os que defendem o Keynes são burros. E quem sabe se estão certos?
O que eu digo é que entre os políticos europeus e nacoinais , prefiro estes burros!
Quem tem razão só os resultados decidirão, mas desculpem-me se me acho mais próximo dos que estão contra a corrente. Não sera a primeira vez.....

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