Primeiro, estamos todos solidários com o nosso amigo Adolfo. Tem toda a razão, como quase sempre, quando diz que estas questões são as verdadeiras questões: a saúde, a vida e a morte, o objectivo da vida.
Quando falamos destes temas , e sobretudo quando eles no atingem, é que compreendemos a superficialidade de todos os outros.
E gostaria de sublinhar que também me sinto muitas vezes humilhado.
Desde logo quando nos colocam na categoria dos PIGS e depois por afirmações como a que o Adolfo exemplifica. Ainda há pouco tempo o nosso PR foi humilhado públicamente (neste caso o autor da graça teve uma excelente ocasião pata estar calado) na sua visita á Rep Checa que nada paga , apenas recebe da UE.
Neste caso, havia razões para o embaixador ser chamado ao MNE português e ser solicitado um pedido de desculpas.
Neste caso não se tratou da afirmação de um político sem funções de Estado mas o mais alto representante de um país aliado !
De qualquer forma, o que me fere mais não é a atitude dos que criticam, mas sim a razão que, em muitos casos, lhes assiste.
Realmente como diz o Adolfo, nós vivemos há muitos anos acima do que produzimos e produzimos pouco. Temos mais feriados que os outros, mais absentismo que os outros, 40% de baixas fraudelentas, mas queremos viver como os que produzem mais.
Ainda agora na situação em que vivemos em que ter um emprego é uma benção, há greves para melhorias salariais numa altura em que há uma redução do custo de vida!
Manifestações da CGTP por básicamente 2 razões: por tudo e por nada !
Compreendo estes povos que nos criticam. A Alemanha tem que pagar para a Grécia, no entanto, os alemães só se reformam aos 67 anos, os gregos aos 60 !
Se eu fosse alemão reagiria certamente mal e, portanto, não os podemos criticar.
Tudo isto significa que o verdadeiro problema em Portugal é a questão da CULTURA.
Temos que alterar o paradigma do facilitismo, da preguiça da trafulhiçe para o trabalho, o mérito e a solidariedade.
Para tal precisamos de políticos, empresários, catedráticos, sindicatos e intelectuais que, como membros das elites tomem em mãos essa tarefa.
Adolfo: as melhoras por aí !
Quanto ao amigo Joaquim, não confunda o que penso da selecção com o sentimento habitual de pessimismo português.
O pessimismo ou optimismo de um projecto é visto por razões objectivas.
Ora a selecção para ter êxito tem que ter algumas caractrísticas, a saber:
1. Ter um líder forte, competente e carismático
2. Ser constituída pelos melhores jogadores da altura
3. Ter um plano de preparação adequado
4. Ser acompanhado por uma logística perfeita.
Ora o que se vê é o seguinte:
1. O nosso seleccionador já tem 60 anos , logo já teria tempo de ter ganho alguma coisa. No Sporting substituiu Robson quando o Sporting ia á frente e levou-o á derrota. No Real Madrid e na selecção da África do Sul, não conseguiu sequer acabar o contrato.
Só serviu para ser o segundo do MU !
Ora nós não precisamos de 2ºs.
Por outro lado, a sua personalidade é constituída pela vaidade (não percebo porquê), o desprezo pela crítica e , como todos os medíocres, quando as coisas falham ñunca assumem as suas responsabilidades, e atiram (pelo menos tentam) as culpas para cima dos outros.
Pois é, o Scolari não era técnicamente muito bom, mas era um líder. Não consta que a selecção nacional tenha tido tanto apoio como no seu tempo, o que não foi por acaso.
2. Quando se selecciona o Pepe, grande jogador, mas aleijado, ou o Ferreira e o Miguel e mesmo o Tiago, ignorando por outro lado, Carlos Martins, João Moutinho , Makukula que marcou mais de 20 golos e se prefere o Almeida que marcou 7, quando se esquece o Nuno Assis que fez a melhor época da sua carreira, quando se leva guarda redes que jogaram 11 e 13 jogos este anos em detrimento do Quim o menos batido ex aequo com o Eduardo, quando se coloca o Nani como suplente do Simão (que não acertou uma),quando se coloca o Coentrão como suplente do Duda, verifica-se que não estão lá os melhores jogadores.
Se o Deco se magoar, ou se se cansar em consequência do peso do cu e da barriga, quam o substitui ?
Deixamos todos os criativos a ver os jogos pela televisão.
3. Um plano de preparação em que mete Cabo Verde e Moçambique e que contrasta com as equipas quer querem ganhar (que jogam com selecções fortes e ganham e por muitos), é , mais uma vez, a consequência dos nossos brandos costumes. Em lugar de se obter a endurance para uma prova tão difícil, opta-se pelo descanso e pelo facilitismo !
Acredita-se, no entanto que os nossos jogadores se estão a preparar para o campeonato de matraquilhos que um dia será modalidade oficial. Diz quem participa no estágio que, neste particular, somos os melhores !
4. Quando preferimos pernoitar em Joanesburgo quando teremos que ir jogar no sul, obrigando a deslocações por avião para POrt Elisabeth ou Durban, não dá para entender!
Mais uma inovação bem portuguesa.
Portanto meu caro Joaquim o meu péssimismo é baseado em questões bem objectivas e não é consequência do "pessimismo militante português".
Mas também lhe digo que o optimismo que você tem (oxalá tenha razão) não me parece baseado no profissionalismo, no rigor e na capacidade da selecção , mas sobretudo na Fé.
Ora este é um sentimento e um defeito bem português: quando não fazemos as coisas como deve de ser, pensamos em Fátima esperando protecção.
Que ela venha !
sábado, 12 de junho de 2010
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