Temos já várias vezes falado de educação e , neste particular, estamos de acordo. Lembro um escrito do Adolfo que gerou discussão e aprovação.
Sou dos que acredita que o facto de 100% da população ter acesso ao ensino é não só justo mas significa o progresso de uma sociedade.
Ora se é compreensível que qualquer pais em que apenas iam á escola 17% da população tem dificuldades em rápidamente implementar o acesso ilimitado (em escolas, professores, material escolar, etc), seria de esperar que passados 35 anos, o ensino se devia caracterizar não só pela quantidade das pessoas abrangidas mas também pela qualidade das matérias e finalmente por sistemas de avaliação dos alunos e professores , beneficiando os melhores e penalizando os piores !
Falamos, por exemplo, no restabelecimento dos quadros de honra, da imposição coativa da disciplina quando necessário e a responsabilização de professores e pais.
É bem de ver que a culpa aqui não morre solteira é dos políticos ,dos professores e respectivos sindicatos e , em grande medida também dos pais.
Quero , no entanto hoje falar dos políticos.
O que se vê crescer progressivamente desde Abril é a ausência de rigôr nas escolas.
Os meninos não podem fazer exames porque a pressão é grande e os testes, quando existem, são de cruzes~mesmo os de linguas, o que faz com que ninguém saiba escrever ou mesmo compreenda o que está escrito ( a iletracia).
Por outro lado, as matérias do curriculum mudam todos os anos não contribuindo para um progresso harmónico da evolução da aprendizagem.
Vimos por exemplo um governo de direita ter abolido o Camões e tê-lo substituido pelo Saramago. Seria o mesmo que em Ingalaterra abolir o Shakespere e substituí-lo pelo E. Stanley Gardner ( o que criou o Perry Mason), já vimos governos de esquerda abolirem as faltas e exames e permitirem que individuos que não obtiveram notas para passar continuem ad aeternum sem chumbar já que o que verdadeiramente interessa são as estatísticas e não a educação.
Agora temos mais uma decisão da MInistra da Educação que permite por lei que os alunos do 8º anos que não obtiveram nota para passarem para o 9º ano, podem no entanto submeterem-se a exame do 9º ano !
Ora isto é mais uma estupidez. Para além da injustiça relativa (porque não noutros anos da escolaridade?), vem afirmar-se que, afinal a frequência das aulas não é necessária, desautoriza a escola que tinha chumbado estes meninos e alinha no maior facilitismo que se possa imaginar.
Que os nossos ministros são na sua esmagadora maioria incompetentes , não é novidade para ninguém. No entanto uma decisão deste tipo não requer competência mas sim de bom senso e uma visão da educação e da cultura que forma ignorantes. Dizia-me o Manel há uns anos no Luxemburgo: se estes tipos permitem no técnico indivíduos com negativa a matemática, não nos podemos admirar que as pontes caiam !
Parece-me , portanto que se deve criar uma nova doença na faculdade de medicina e encontar tratamento adequado, A Bem da Nação : a síndrome política (em linguagem corrente, trata-se de uma doença que transforma uma pessoa de inteligência normal em perfeita idiota só pelo simples facto de ser ministro ou membro do governo).
Finalmente dizia outro dia o Prof Jorge Miranda: já que se fala tanto em poupar o dinheiro do Estado , talvez fosse mais apropriado ter um ministério que se encarregasse da educação e cultura., em vez de termos um para o ensino primário e secundário , outro para o ensino universitário e outro para a cultura !
Pois......
quinta-feira, 10 de junho de 2010
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