sábado, 27 de março de 2010

Surpresa Agradável

Ia eu hoje a caminho de Lisboa e,mecânicamente,liguei o rádio do carro que estava sintonizado na TSF. O programa ,cujo nomejá me esqueci,constava de uma reportagem feita em directo de Valpaços com motivo da respectiva Feira do Folar.Falavam várias pessoas,desde o Presidente da Câmara a responsáveis de Associações locais e a certa altura o apresentador disse que ia falar com um Professor da Escola Secundária local acerca de um programa que a mesma esta a levar a cabo com uma escola polaca.
Esta foi a surpresa agradável : o dito professor,de forma muito calma e articulada,explicou que o programa era mais um dos que ,todos os anos eram levados a cabo pela escola e que tinha por alvo os alunos finalistas do Ensino Secundário (12º ano).O objectivo do programa,segundo o Professor,era preparar os alunos para algumas das necessidaes que iam enfrentar na sua fase seguinte de escolaridade,nomeadamente : uso regular de uma lingua estrangeira,uso regular de instrumentos de pesquisa,etc.Explicou também que para iniciar o programa havia que decidir sobre um tema.O tema que,este ano,tinham escolhido era o Holocausto porque,segundo o Professor,era um tema muito transversal e que não deixava indiferente nenhum aluno.
Decidido o tema,foi definido o método e o objectivo.Como método,decidiram entrar em contacto com uma escola polaca da cidade (cujo nome não retive) onde se situava o campo de Auschwitz.Combinaram então com os professores polacos que iriam formar 17 equipas (tantas quantos os alunos do 12ªano que participariam) que seriam constituidas por um aluno português e um aluno polaco.O objectivo era que cada aluno(a) português escrevesse um dário,passado nos tempos da ocupação nazi,assumindo a identidade do aluno polaco que faz equipa com ele(a).
Os aluno portugueses investigam tudo o que podem sobre a epoca e os alunos polacos fornecem-lhes elementos que obtêm da tradição oral local (antigos sobreviventes,familiares,etc.) para que os portugueses escrevam um diário mas que tem a preocupação de ser fiel à época a que diz respeito.
Confesso que,num tempo em que poucos exemplos nos são apresentados para acreditarmos que a escola publica portuguesa faz um trabalho digno,me surpreendeu a abordagem e o conteúdo desta iniciativa que,segundo o Professor,já tem planos para ser continuada no próximo ano.
Mas "a cereja sobre o bolo" foi a intervenção de uma miúda de 17 anos (uma das finalistas dos 12ª ano que participava) a dar conta do que estava a fazer e como estava a trabalhar para escrever o diário dela.Realmente não dela,mas sim o diário do Thomas que era o aluno polaco que fazia equipa com ela.O entusiasmo,o sentido de responsabilidade e,sobretudo,o que me pareceu uma exigência de rigor e qualidade para o que estavam (ela e o polaco) a escrever,quase me reconciliou com a escola pública portuguesa.
Provàvelmente,iniciativas destas ainda serão residuais nas nossas escolas,mas (como acredito piamente e já escrevi aqui) se fossem exaustivamente publicitadas tenho a certeza que incitariam outros a fazer e a compreender que há que trabalhar e esforçar-se para produzir algo de meritório.

Será que alguma vez vos passou pela cabeça que em Valpaços (Trás-os-Montes) isto se podia passar?
Se Valpaços faz,haja esperança que outras escolas desta terrinha poderão fazer algo de igual mérito.

Bem precisava desta lufada de ar fresco !!!!

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