terça-feira, 23 de março de 2010

Aproxima-se

Aproxima-se a data mais importante do calendário político nacional. A eleição do novo líder do PSD, portanto mantive-me atento ás propostas dos candidatos para ver se conseguimos ter melhor que o que temos actualmente. Mas seguindo as conclusões do Zé verifico que a merda é a mesma a mosca é que muda.
Senão vejamos:
- Todos os candidatos acham que temos que mudar a justiça, no entanto nehum disse como (por exemplo alterar a Constituição para dar legitimidade democrática a tal órgão de soberania elegendo o PGR e/ou o Presidente do Supremo, alterando o regime de avaliação dos magistrados que de acordo com os últimos dados do CSMagistratura dos 160 juízes avaliados, 80 foram excelentes, não sei quantos foram Muito bom e Bom com distinção 10 suficientes e apenas 5 que estão já jubilados foram classificados em medíocres, alterando o regime de castigo de manobras dilatórias para que os processos não durem anos, reduzir as taxas de justiça que fazem com que os menos favorecidos não tenham direito á justiça,proibir a existência de sindicatos dos magistrados como propõe António Barreto, alterar a distribuição do pessoal por forma a não ter tribunais que demorem muito mais que outros, alterar o sistema de injunções criando a possibilidade do sistema de compensação entre particulares e o Estado que permite hoje que o Estado execute os contribuintes apesar de dever dinheiro a esses contribuites, etc). O Coelho resumiu tudo numa palavra: demitia-se o PGR porque não acusou o 1º Ministro e tínhamos o assunto resolvido. Os exemplos de más decisões dos tribunais realtivamente ao poder paternal, o facto de cidadãos e empresas esperarem anos e anos para a resolução dos seus problemas, o facto de até agora nenhum político ter sido castigado por actos ilegais, a violação do segredo de justiça e a violação dos direito de personalidade dos cidadãos,a evidente partidirarização da justiça, a ineficácia dos Conselhos Superiores , o facto de apenas menos de 10% dos acusados pelo MP são efectivamente condenados gastando-se milhões dos contribuintes para criar papeis inúteis,a existência de leis mal feitas e por vezes mesmo contraditórias, a discrepancia de decisões judiciais contraditórias para casos idênticos, etc, etc, nada disso foi mínimamente sequer aflorado pelos candidatos que resumem os problemas da justiça ao facto de ela não ter sido muito eficaz ajudando-os a derrubar os seus adversários políticos, coisa que eles não conseguiram nas urnas.
_ Relativamente á economia como muuito bem disse o Director do I, parecem o Sócrates a falar.
Tudo se resume á questão do PEC. O Coelho acha que este PEC não interessa ao país que deveria ser muito diferente . Explica ele que o PEC deveria caminhar para a redução do peso do EStado entregando a economia aos privados o que pelo menos é uma ideia. NO entanto, para reduzir o EStado aponta para a necesidade de estabelecer um ratio de por cada 5 trabalhadores da função pública que saem apenas 1 deveria ser admitido. Ficamos portanto a saber que lá para o ano 2050 se conseguirá o objectivo do Dr Coelho. Por outro lado, não conseguiu explicar como irá ele convencer os privados e aonde está o capital privado para investir na economia. Tendo Portugal hoje um quadro fiscalidêntico aos países da UE e medidas de criação de empresas de forma expedita, que mais faria o Estado para incentivar o investimento ?
Se se ler o livro do Prof César das Neves (cavaquista e ex-consultor do 1ºMinistro Cavaco Silva) os empresários portugueses não têm propensão para o risco e , portanto para o investimento e isso verifica~se desde tempos imemoriais, desde que el rei D. Manuel expulsou os judeus do reino.
Ficámos a saber portanto que o Dr Coelho não tem em conta o país real mas o que leu do Adam Smith na Faculdade.
O Dr Rangel diz que se deve adiar (o que em Portugal significa eliminar definitivamente), o TGV e o aeroporto porque não há dinheiro e o PEC não aponta qualquer crescimento. Portanto o Dr Rangel quer o crescimento mas elimina o investimento,forma deveras interessante de conseguir crescimento. O Dr Rangel propõe ainda a formação de um novo MInistério para abarcar as comissões regionais como modo deveras curioso de diminuir a despesa pública.
Finalmente fala-se do adiamento do TGV porque embora a sua exploração seja positiva, o que já é uma alteração á retórica das eleições, não há retorno do investimento inicial. Trata-se assim de uma nova e inovadora visão do serviço público. A seguir tal conceito de ROI não teríamos realizado o caminho de ferro no sec XIX, não ter´+iamos hospitais que só dão prejuízo, não teríamos autoestradas,etc
Portanto ás vezes estes tipos trazem ideias novas .....não fazem é sentido nenhum !
- Em matéria social pretende-se desagravar a classe média (o que eu agadeço), mas, mais uma vez não se diz como : se há um desagravamento fiscal haverá reduçaõ das receitas do Estado, logo haverá maior defice e maior endividamento !
Claro que o durão Barroso ia reduzir os impostos e foi o que se viu , o Sócrates não ia aumentar os impostos e foi o que se viu. Após ganharem o tacho fazem o contrário do que prometeram , portanto os senhores candidadatos não se preocupam em explicar o "como" porque não fazem qualquer tenção de fazer algo.
Nada se falou de melhorar a vergonha social de pensões de miséria e como financiá-las (essa gente não faz greve portanto não conta).
- Na área da educação nem uma palavra ( alteração dos curricula, obrigatoriedade da formação dos formadores, alterações do esquema de exames, faltas escolares e facilitismo, reforço da disciplina nas escolas, avaliação dos professores e das escolas, diminuição do peso do MInistério - o maior do país, etc). Nada destes assuntos foram sequer aflorados pelos candidatos sendo , no entanto, um dos mais importantes factores de desenvolvimento /retrocesso de qualquer sociedade. Certamente o inefável presidente do sindicato dos professores ficou agradado.
- Sobre as lições da crise e os problemas que o mundo viveu e ainda está a viver resultantes da falência do sistema financeiro internacional, nada foi dito (alteração e reforço das entidades reguladoras - problema resolvido com a saída de Constâncio e a entrada de um indivíduo da área do PSD, logo do melhor, alteração das leis da Bolsa proibindo ou taxando mais fortemente as transacções de bens futuros de forma a desencorajá-los, eliminação de off shores e/ou proibição de actividades de empresas que mantêm contas em off shore ou em alternativa, aumentar os impostos sobre essas empresas, regualção das acções e consequente responsabilização das empresas auditoras externas, et, etc ), nada destas questões foram afloradas e o assunto ficou resolvido com a saída de Constâncio e a sua substituição por um tipo da cÔr!
- Nada ficou dito sobre a necessidade da alterãção das políticas de prevenção e punição da violência que aumentou tendo 50% desse aumento sido verificado perto de escolas (fusão da PSP e GNR em termos de policiamento, a fus~ºao da GNR, PSP e PJ por forma a tornar a investigação e a repressão de crimes mais eficiênte e rápida, eliminando franjas de redundância e os "ciúmes" das diversas instituições que beneficiam os criminosos, alargamento do policiamento de proximidade, melhoria das dados de bases e colaboração com entidades internacionais, prevenção na luta contra o terrorismo que o caso ETA provou pura e simplesmente não existir,formação intensia dos agentes - ainda a semana passada foi morto um indivíduo por um polícia que nunca tinha disparado com aquela arma, et, etc).Não conseguimos ouvir uma palavra sobre esta assunto. As hipóteses de em caso de estrarem no poder algo fazerem parece nula.
- Nada foi dito sobre a legislação laboral um dos factores mais importantes para o desenvolvimento económico sendo a mais retrógrada da europa (flexibilização de horários e despedimentos, facilitar a entrada dos novos empregados em vez de proteger apenas os já empregados, existência apenas de um Código Laboral para TODOS os trabalhadores quer seja do Estado quer os privados acabando com a injustiça social de emprego para toda a vida sistema de reformas e de assistência médica melhor no Estado que nos privados, moralização do Fundo de Desemprego para desecentiver a concorrência no mercado de trabalho do sistema social, deixar ás partes pela via da contratação colectiva a decisão de acordarem as relações laborais, eliminar o princípio dos direitos adquiridos permitindo a alteração de sala´rios e regalias por acordo entre as partes tal como é na Europa, alteração das leis eleitorais para as organizações sindicais por forma a torná-las mais representativas das classes que representam e assim diminuir as agendas partidárias e a perpétuação das direcções, etc, etc, etc).
Ficámos portanto a saber que para estes senhores isto nem sequer é um problema.
- Sobre política energética que ocupa o 1º lugar no desiquilíbrio da balança comercial do país, nem uma palavra.
Sendo um factor que tem um peso decisivo no endividamento externo do país (e em geral nos países europeus), seria de esperar que "os putativos cadidatos a 1ºMinistro" a ele se referissem. Nem uma palavra o que diz bem o nível desta gente.

Finalmente sobre as condições de governabilidade do país, o apoio ao PEC, etc , ficámos todos esclarecidos sobre a irresponsabilidade e falta de patriotismo destes senhores. Dizem que não têm medo de eleições, mas cientes das últimas sondagens que~continuam a dar a vitória ao PS, não sabem "quando".
O Coelho até disse que o "país queria mudar em Setembro mas não conseguiu" uma frase interessantíssima e hilariante : O país queria mudar mas não conseguiu votar de acordo com esse desejo (certamente que fazer uma cruz em outro Partido que não fosse o PS exigia mais força !! Ah ! Ah!).

Estamos prtanto esclarecidos. O Sócrates continua descansado e nós continuamos lixados.

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