terça-feira, 30 de março de 2010

Os impérios

Bem vindo o nosso novo confrade. É sempre um prazer com ele conversar.
Aliás começou muito bem colocando 2 perspectivas sobre os EUA e , por arrasto o chamado mundo ocidental.
É evidente que ambas as teses são respeitáveis e tudo pode acontecer.
Desde logo, no entanto não acredito na "queda abrupta" do Imperio Americano.
Desde logo porque a história nos ensinou que os impérios que têm substância ou seja, cidadania, inovação, cultura e ADN próprios levam muito tempo á "caír".
O império macedónio durou centenas de anos com Felipe e caíu com o seu filho Alexandre sobretudo porque a extensão do imp´´erio conquistado e a distância da pátria aliado ao facto de Alexandre ser homosexual e não ter deixado descendência , tendo os seus generais ficado com "bocados" da área conquistada.
Alexandre era um conquistador , um guerreiro ,mas não tinha consciência da ne cessidade estratégica da consolidação territorial e cultural necessária a manter o império unido.
O império romano é totalmente diferente: tinha a cultura , a cidadania, a tecnologia e a inovação e o seu território era sobretudo unido pelo mediterrâneo.
O sistema republicano foi substituído pela ditadura de um imperador (e mais tarde aquando da separação , de 2)já que a extensão do império, a necessidade de decidir depressa , a necesidade duma autoridade unificadora, levou ao Império. Este foi o principal legado de jùlio César o homem que acabou com a republica.
A economia do império era , no entanto, caracterizada pela escravatura , sistema aliás aceite na altura.
Quando a escravatura acabou (o Imperador Constantino converteu-se ao Cristianismo) começou a faltar pão mesmo continuando a haver circo.
No entanto , apesar disso, foi necessário mais de 300 anos para Alarico tomar conta do império do ocidente mantendo-se o do oriente ainda por mais dezenas de anos.
O Império caíu porque a sua economia enfraqueceu devido ao fim da escravatura e ainda porque a maioria da população já não era de "romanos" mas de "bárbaros assimilados" que viviam há séculos dentro das fronteiras do império conseguindo com o tempo a cidadania.
Houve vários imperadores descendentes de bárbaros.
POrtanto o império levou centenas de anos a "caír"
Outro exemplo é o Império português:
Começou com D. João I e seus filhos e atingiu o apogeu com D. João III (apesar de nessa altura se começarem a abandonar praças estratégicas no NOrte de África).
Portanto D.João I, D. Duarte, D.João II, D. Manuel e finalmente D.João III (sendo os 2 últimos o apogeu) protagonizaram o que Jorge Nascimento Rodrigues e Telasseno Devezas chamam "Portugal o pioneiro da globalização"
E aconteceu porque a dinastia de Aviz ( que começou com um bastardo) queria o reconhecimento da sua legitimidade e seguiu em virtude da expansão ser impossível por terra com a existência dos povos espanhois.
E também porque tínhamos a tecnologia, a capacidade de inovação sempre necessária ás civizações superiores. Éramos "determinados e crueis" características necessárias aos guerreiros conquistadores. (hoje não somos nem uma coisa nem outra).
Durante este período de 150 anos Portugal foi a maior potência mundial porque tinha reis estrategas (com destaque para D.João II). que com a sua política destruíram o monopólio da Sereníssima Republica de Veneza
E só após Carlos V, pai de Filipe que veio a ser o rei de Portugal, o império se desmembrou sobretudo na àsia pacífico.
No entanto não sendo já a "maior" potência do mundo, Portugal continuou a ter possessões em África e no Brasil e algumas poucas na ìndia cujo ouro deu ao reinado de D:João V o fausto conhecido (o Homem queria ser o Luís XIV português, aliás a sua tia avó Catarina de Bragança que que casou com o Rei Charles de INgaterra era inicialmente destinada a ser a consorte de Luís XIV !).
Aliás o império português em bom rigôr só caíu depois do 25 de Abril com a indeppendência das colónias.
Discordo portanto de qualquer queda abrupta ou qualquer crescimento abrupto.
Julgo que há questões mais ou menos claras relativamente ao peso económico relativo das potências no próximo futuro. A China será a 1ª economia sem dúvida em termos de PIB e também a Índia o Brasil terão uma posição cimeira.
O japão não poderá ser mais que parte dos 10 mais já que é uma ilha e não tem recursos naturais (o que os levou á guerra de expansão em 1941).
A china tem evidentes problemas sendo o maior de todos o facto de ser uma ditadura. Até que ponto a sus população aceitará esta realidade é um ponto de interrogação importante e pode ter um efeito tremendo no seu desenvolvimento e mesmo na sua unidade ttanto territorial como nação. O facto de ser uma ditadura foi um grande handicap para a China quando governada por incompetentes como Mao Tse tung. É no entanto uma vantagem quando governada por indivíduos competentes (Gen. Loureiro dos Santos).
A dilação, a discussão essenciais á democracia, são também um handicap porque causa exitações e demora no decision making com custos significativos. Daí o Churchil dizer que a democracia é o pior sistema, exceptuando todos os outros.
hà portanto demasiadas variáveis em jogo que nos permitam ter uma opinião segura , mas não penso que haja quedas abruptas. Penso também que a existência de apenas 1 superpotência não é boa para o mundo como se viu com a performance desastrosa do Presidente mais idiota que a América teve G.W Bush.
Aliás a política multilateral de Obama (que já tinha sido reconhecida por Bush)por p é o reconhecimento da necessidade do fortalecimento das relações com os seus aliados (e nada mais importante que as relações económicas) por forma a criar dependências mútuas ,construíndo um network gobal que lhe permitam fazer frente á China.
Mais uma questão: os impérios caem sobretudo quando o seu sistema económico falha em dar ás suas populaç~pes o que necessitam.
O capitalismo foi o triunfador do sec XX sobre o comunismo. Mesmo o poderio da China é derivado ao abandono do sistema comunista em detrimento da iniciativa privada.
Apesar de pequenos desaires (como a actual crise que no computo histórico têm pouca importância), não apagam o longo domínio deste sistema que utilizado correctamente é o que traz mais prosperidade e progresso (quer económico quer teccológico- a consorrência obriga á descoberta de novas coisas).
Não vejo qualquet arremedo de sistema social e económico que se sobreponha a este nosso sistema.
Talvez haja no futuro , as por enquanto não se vê.
Portanto até aos nossos bisnetos não acho que tenhamos algo a temer

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