Concordo 100% com ambos no que respeita ao que dizem. Se se lembram quando desafiei este assunto, disse que havia dois factores que influenciavam negativamente a nossa democracia: O edifício e as pessoas. Quiçá deveria ter começado pelas pessoas e naturalmente chegaria às mesmas conclusões que o Zé.
Mas sendo realista também não sou pessimista ao ponto de dizer que não vai haver remédio, portanto acho que a construção do edifício é, apesar de tudo ,importante e ,até ver ,acredito nela. Certamente que terá alguns efeitos perversos mas certamente terá outros mais positivos e com mais verdade que agora!
E também não sou tão pessimista mais por razões de fé , já que não tenho argumentos que me façam discordar do pessimismo do zé . No entanto, conseguimos manter um país independente durante quase mil anos e somos parte da UE a zona mais rica do mundo ( quem o dissesse há 50 anos, chamávamos-lhe louco)- E, para falar dos tempos mais recentes, conseguimos evidentes progressos num pequeno período de tempo. Entrar no euro só foi conseguido graças a cumprirmos certos paràmetros económicos bem difícies, aumentámos a frequência da escola de 17% antes de Abril para 100%. A assistência médica passou de 11% antes de Abril para 100% da população actualmente. Somos o país com a melhor taxa de mortalidade de grávidas e infantil da UE, mesmo económicamente quer o defice do Estado quer o endividamento púbico estão no meio da tabela na área do euro. Hoje temos meios de comunicação tão bons como a Alemanha, um parque automóvel melhor que a Espanha e para falar de assuntos mais prosaicos organizámos a Expo, o campeonato da europa de futebol de forma exemplar (que nos admirou a nós próprios).
É bom (até para nosso conforto pessoal) falar no que conseguimos e não só no que falhámos.
Dito isto, volto ao que já disse no livro em que fui co-autor.
O nosso maior problema é sem dúvida as elites.
Um país ou uma nação ,como é o nosso caso, é dirigido pelas elites esclarecidas.São também elas que podem mudar alguma coisa. Na Revolução Francesa o povo não queria lutar contra a monarquia mas contra "aquele" rei. Se os revolucionários tivessem enveredaddo pela via da substituição do rei por outro rei, o povo teria aceitado !
Onde estão as nossas elites ?
Os intelectuais portugueses que desenvolvam novas teorias políticas e sociais não existem. Passam o tempo a dizer mal dos políticos , passatempo favorito dos portugueses, e não se apercebem que são parte do problema. Dos poucos intelectuais que restam temos indivíduos arrogantes e egoístas, Veja-se o Saramago indivíduo asqueroso com um passado sectário e criminoso e um Lobo Antunes que se intitula o melhor escritor vivo! E ambos escrevem romances ,apenas romances!
Antigamente os catedráicos eram cérebros agora são como os frangos criados em aviários.
Quanto aos empresários contam-se pelos dedos aqueles que gostam do risco (principal característica deste grupo social), preferem encostarem-se ao Estado. Reparem que até existem associações de "empresas de obras públicas", ou seja daquelas que dependem 100% do Estado, o que será mais uma bizarria portuguesa, já que se reconhece que é um risco quase suicidário para uma empresa depender apenas de um cliente.
Estes empresários não se entendem às vezes por razões paroquiais (veja~se a guerra norte sul apenas resolvida ao fim de décadas ).
Quanto aos sindicatos vivem no Prec e são irresponsáveis (ou seguem uma linha estratégica do quanto pior melhor).
Os políticos são os seguintes, são, como todo o país preguiçosos, incompetentes e corruptos.
Só como exemplo ,actualmente a oposição diz-se muito preocupada como défice e o endividamento, no entanto, todas as propostas (por mais justas que sejam) são no sentido de piorar os rácios que dizem ser a sua preocupação. E isto aconteceria se o governo fosse do PSD e o PS estivesse na oposição. Nesta matéria não há portanto inocentes.
Chegados aqui , entendo que isto não ira mudar quando tivermos uma grande crise. Ainda estamos sob o efeito de uma, a maior dos últimos 100 anos, e não comsta que algo tenha mudado.
Perdeu-se inclusivamente a oprtunidade de , a n´vel mundial, se "domesticar" certas práticas do acpitalismo. Mesmo em Portugal aqueles que sempre defenderam o liberalismo tout court voltaram a defendê-lo após um curto intervalo em que o referido liberalismo (o Tal que renega a intervenção doEstado na economia ) foi salvo.... pelo odiado Estado graças ao dinheiro dos contribuintes.
Penso que é na constituição de elites onde está o problema ....e a solução.
Como fazer ?
Participando. O caminho faz-se caminhando. Uns participam em associações, outros escrevem livros e outros....participam em blogues. E , todos podem exercer uma influência positiva com os amigos mais próximos e com a sua família.
Dirão que é pouco. Direi: é melhor que nada !!
quinta-feira, 26 de novembro de 2009
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