Já várias vezes falámos das contas públicas e do seu crónico desiquilíbrio.
Falou-se ainda que o seu desiquilíbrio é tanto pior porque se verifica na Conta Geral do Estado, ou seja nas chamadas despesas de funcionamento. O Estado tem despesas que são extrememente negativas e levam á necessidade de impostos altos a "má despesa". Por outro lado, o Estado tem despesa que se pode chamar virtuosa que é o investimento em infraestruturas que tem efeito estratégico para a economia e para o desenvolvimento. Assim, por exemplo , no reinado do Cavaco vimos a construção de autoestradas e outros equipamentos necessários. Estão nesta campo também os investimentos realizados no carril, vias fériias, terminais de contentores, centros de logística, pontes ,baragens, aeroportos, escolas, hospitais,etc e tabém "ad hoc" como a Expo, o Campeonato da Europa e outros. Estes investimentos , embora virtuosos, devem ser realizados criteririozamante, é óbvio.
Portanto quando se fala na redução da despesa do Estado , o que se deveria pretender era reduzir a " má despesa" e não a "despesa virtuosa".
No entanto como 80/85% da má despesa é de pagamento de salários e de benefícios sociais, e portanto assunto tabu pelos partidos dada a sua incidência eleitoral, o que se vem verificando ao longo das legislaturas é a redução do investimento para equilibrar o orçamento ! Tal questão tem efeitos devastadores na economia, sobretudo num país em que os privados têm pouca propensão para o risco e consequentemente para o investimento e onde o Estado é não só um complemento mas, na maioria dos casos, é mesmo o motor do investimento.
Não é portanto de estranhar que o nosso crescimento , mesmo nos bons tempos, é baixo, e que a aproximação das médias da UE não existe. Só assim se explica que, apesar do país pagar uma factura energética brutal ao estrangeiro só agora é que se tenha decidido investir em 10 barragens já que os recursos hídricos apenas estão aproveitados a 10% !!
É aliás no seguimento desta política que se quer travar o TGV, O aeroporto, algumas autoestradas e mesmo alguns hospitais. Na impossibilidade de reduzir a "má despesa" pelas consequências eleitorais que sofreriam os autores de tal heresia, corta-se, mais uma vez na "despesa virtuosa" com a consequente correspondência em atraso da economia a curto, médio e longo prazo.
Acabo de ler os princípios do novo orçamento: Aumentos de salários da função pública, abaixo do ano passado ( de 250 milhões para 200 milhões) e redução do investimento público.
Ou seja, mesmo num ano de infacção zero a função pública receberá aumentos, o que não faz sentido.
Por outro lado, dado o aumento da factura social não só preconizada pelo Governo mas como exigência da oposição de direita . Só o CDS fazia exi`gências de 830 milhões e o PSD Para além disso insiste em aumentar o dinheiro para a Madeira. Portanto , como se vê ninguém quer a redução da " má despesa" , antes reinvidica o seu aumento, sendo o EStado obrigado a reduzir a "despesa virtuosa" em conformidade!!!
Não é portanto de admirar como estamos e , pior como estaremos, pois não interessa quem governe PS ou direita ambas defendem as mesmas posições neste particular sendo portanto grandes responsáveis pela situação do país.
Ou vem gente nova, ou então......
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
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