sexta-feira, 23 de abril de 2010

Lost in Translation

Na passada sexta feira sobrevivi á nuvem vulcânica , uma vez que a trajectória foi : Marrocos – Lisboa, via Madrid . Era sobre esta escala que gostaria de partilhar alguns feellings do momento e que invertem a lógica de geral de julgamento. Passar cinco horas num aeroporto não é nada agradável , mas quando a combinação é Barajas e Ibéria torna-se incomportável. Ouvia á muitos anos atrás, aos meus amigos, conotar a TAP com a expressão “Take Another Plane”. Pois bem, o que é isso comparado com a combinação explosiva Ibéria / Barajas! Desorganização entre terminais, mudança das portas de embarque, atrasos, bagunça ,ruído. Na transição entre o terminal T3, demora pelo menos uma hora o controle da bagagem, feita por maus profissionais e mal educados – comparem com a eficiência da nova equipa na Portela! Mas o que mais me surpreendeu foi num grupo de Espanhóis ouvir a “nossa” muito familiar expressão – “Isto solo en este País”. Como tinha muito tempo comprei o “el País”. Apesar de ser Jornal do Regime todos os artigos de opinião eram de lapidar: agressivos, ridicularização dos Políticos, dramatização da economia , e de auto flagelo da nação. Alguém que viesse doutro Galáxia diria que aterrou no País mais moribundo do planeta. ( Já agora as manchetes dos desportivos só dava CR7). Ouvia as pessoas ao telefone a falar alto ( nada de novo !) , mas sempre cheias de razão em detrimento dos eventuais estúpidos do outro lado da linha.

Pois bem, não preciso referir , mas este statement é o nosso dia á dia cá da Nação. As permanentes profecias da desgraça, o habitual ataque ao governo, ou a tudo o que mexe, o intuito de culpabilizar ou outros mas nunca os próprios.

Mas não haja ilusões este clima que se vive em Espanha explica-se pelo semi-colapso económico do Pais. Poderão dizer que esta é uma situação recente. Verdade, no entanto esse notável crescimento da ultima década deve-se á bolha imobiliária e não resultante reformas em prol da competitividade da economia. A bolha esvaziou-se pela crise financeira a ressaca é agora incontornável.

Em síntese, e na minha opinião, os espanhóis são orgulhosos das suas conquistas mas implacáveis com quem falha. Intoleráveis com a mediocridade. O que induz numa elevada auto-estima. Nós não. Os nossos supostos fazedores de opinião atacamos principalmente quem tem mérito e desculpabilizamos os que apenas acrescentam desculpas dos fracassos, ou desculpas para não fazer. Observo de forma caricata o seu deslumbramento pelo exterior, quando muitas vezes, a única coisa notável que os próprios fizeram foi atravessar a fronteira! Mostram-se na TV inchados de si mesmos, lamentando a pequinês do País para tanto talento seu. Degradante. Pedante. Infelizmente entram todos os dias em nossas casas sem conseguimos barra-los.
O desporto Nacional da maioria é auto responsabilizar ou outros pelos próprios erros – Brilhante. Como diz o Dr: Cardoso : A Inveja é defenitivamente um defeito dos Portugueses.

Existe para mim máxima irrepreensível: a antítese da Massa critica é a maledicência. A plenitude da sua ausência é o principal défice duma sociedade.

Um abraço
Joaquim

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