Já falámos várias vezes nos problemas da nossa sociedade. No entanto estes problemas não são exclusivamente nossos sendo o mais negativo, para começar, não reconhecermos esses problemas porque assim nunca os resolveremos.
Vem isto a propósito da meritocracia.
As sociedades em que o mérito é a condição número um na criação e distribuição da riqueza, são progressivas, prósperas e fortes. Veja-se o caso dos EUA que manifestamente exagera (a questão de um sistema de saúde universal discute-se e há uma parte significativa da população que considera que quem não tem um seguro da saúde é um "loser" e portanto o resto da sociedade não deve ajudá-lo). Exagero á parte ,há que reconhecer que os EUA não são o país mais rico do mundo porque descobriram a pólvora mas porque a sua cultura de empreendorismo prevalece.E pese embora os Bushs, os cristãos da extrema direita que querem "matar" o Obama e outras contradições, são ainda os EUA que quando existem cataclismos como o actual no Haiti têm os meios e a vontade política e a generosidade de ser o ponta de lança na ajuda a outros povos (apesar da inveja do Sr Ministro dos Negócios Estrangeiros françês que ainda não percebeu que o seu país a nível mundial conta pouco, ou do Sr Chaves e Fidel Castro clamando a "invasão " do Haiti por tropas americanas!)
Por outro lado, as sociedades comunistas são, foram, o oposto. Cada um recebe de acordo com as suas necessidades e não pelo seu mérito. Assim, um dirigente de uma empresa solteiro e sem filhos ganhava menos que um servente da limpeza com 3 filhos !!
Não foi só por esta razao ´, claro, mas a ausência da necessidade do mérito contribuíu largamente para a queda do sistema. As pessoas não tinham motivação alguma para trabalhar o que levou à redução brutal dos indices de eficiência e portanto de competitividade.
Estes países não conseguiam produzir com qualidade e em quantidade suficiente para abastecer a população até de bens de 1ª necesidade. Por outro lado, os seus produtos de fraca qualidade não eram susceptíveis de serem exportados criando assim divisas para se poder importar os bens necessários ás populações.
É curioso aliás verificar que esses países ,quando implodiram ,se encontravam em crise económica há anos e incapazes de abstecer as suas popula~çoes. E o que é também curioso é que a sua dívida não era á URSS mas aos países ocidentais. O maior credor da DDR, de longe a mais endividada, era a RFA!!
Portanto parece-me que ausência do mérito na recompensa social teve (além de outros factores) influência na queda do sistema.
Ora a sociedade portuguesa é avessa ao mérito como sistema de recompensa.
Atavismos, baixa auto estima e baixos índices de confiança, levam a nossa população a escolher sistemas que, neste particular, não diferem muito do comunismo. Assim, a promoção automática, a ausência de avaliação do desempenho, viver sobra a protecção do Estado, etc são o caminho mais fácil dos "cobardes".
Uma sociedae sem o mérito como força tende a descaracterizar-se, a estagnar, a acomodar-se e "encabidar-se" na função pública !!
E leva também ao caminho da inveja e da procura do igualitarismo como solução social. Somos pobres mas somos TODOS.
Isso leva a que , em Portugal se pretenda agir contra os ricos e não a favor dos pobres. Isso leva a que aqueles que conseguiram sucesso pessoal e que contribuem para a economia e para a sociedade (com emprego, impostos, etc), não só não sejam reconhecidos como até sejam odiados. E assim, Belmiro, Amorim, Melos, Champalimaud, Espiritos Santos, etc etc, cujas empresas empregam milhares de cidadãos e que pagam valôres altos de impostos , sejam substituídos nas notícias pelos tipos do costume ou até como arrivistas como Berardo (que especula, não emprega) !
Muito melhor estaria o pais se tivesse mais destes "ricos"!
Veja-se que por exemplo o Champallimaud e os E. Santo, foram expulsos do país e nacionalizados os seus bens. Apesar de tudo, investiram no Brasil e ficaram de novo ricos o que lhes permitiu mais tarde voltarem a "comprar" aquilo que indevidamente lhes tinham tirado.
E veja-se mais uma vez que os media não falam destes cidadãos como exemplo a seguir. Preocupados com a população de leitores (e com alguma inveja também) preferm falar nas operações da Lili Caneças.
É portanto justo que , pelo menos nós , reconheçamos e até esperamos que se criem mais destes"ricos" mal amados mas que, há que reconhcer são portugueses que fazem parte do "falar positivo", apesar de pessoalmente detestar alguns, não posso negar-lhes o valôr e reconhecer que merecem uma palavra de reconhecimento e de estímulo.
A acção dos investidores não é devidamente reconhecida quer em Portugal quer mesmao na Europa. Vejam um exemplo.
Saíu-nos o Euromilhões e decidimos como bons patriotas investir em Portugal. Comramos uma fábrica e fazemos um investimento de 10 milhões de euros, empregamos 150 pessoas.
No fim do ano tivémos 5 milhões de lucro bruto.
Pagámos ao Estado em descontos para a segurança social cerca de 4 milhões de euros ( média de 2000 por tarbalhador). Como pagámos bónus aos nossos gestores fomos penalizados em mais 200 mil euros em IRC (nova lei constante do actual Orçamento) . Para além disso somos obrigados a manter na em pres reservas legais de 30% sobre o lucro bruto, ou seja, 15oo mil euros.
Quer dizer : de um lucro bruto de 5 milhoes deduzimos as reservas legais e ficam apenas 3,5 milhões. Destes 3,5 Milhões, pagamos 25% de IRC ou seja 700 000 euros mais a penalização devida pelos bónus dos gestores de 200 mileuros ou seja 900 mil a deduzir nos 3,5 milhões , ou seja 2,6 milhões ! Ora nós decidimos entregar 100% deste dinheiro de dividendos aos sócios.
Os sócios vão agora pagar IRS sobre os dividendos, ou seja, 520 000 ! O lucro final é portanto de 2,1 mihões!
Eis como um lucro de 5 milhões se transforma em apenas 2 !!!
O Estado papou com esta empresa 1 500 euros de IRC mais 200000 dos bónus, mais 4 milhões para a Segurança Social, etc
Reunimos e concluímos que tinhamos sido muito mais inteligentes se tivessemos colocado o dinheiro a juros e evitado chatiçes. Enquanto estamos na reunião, organiza-se uma manifestação dos nossos trabalhadores que ,depois de recebidos, nos avisam que entregaram um pré aviso de greve até que concordemos num aumento salarial de 5% para compensar a perda de poder de compra(embora este ano não tebha havido infalcção).
por outro lado concluímos que em virtude do PEC e de termos pago adiantado o IVA sem entretanto termos recebido dos nossos clientes, não é possível distribuir dividendos porque precisamos desse dinheiro para reforçar a tesouraria.
Na manhã seguinte compramos o jornal e na 1ª página vem a nossa empresa com o título :
patrões ricos recusam aumentos a trabalhadores ! e noutro : trabalhadores lutam pelos seus direitos contra patrões gananciosos ! E num cartaz do BE: Trabalho a quem precisa, abaixo os patrões (este existiu mesmo na última campanha eleitoral)
Ufffa !
Não se preocupem a história vai acabar bem: vendemos a merda da empresa e colocámos o nosso dinheiro numa OFF SHORE
sábado, 6 de fevereiro de 2010
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