segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

A (falta de) propensão para o investimento

Vejam alguns números interessantes que também vão dar razão quando afirmamos que os empresários portugueses têm pouca propensão para o investimento.
Os dinheiros da UE são negociados como um todo que define a dotação tota´l atribuída a cada país.
No entanto há uma parte que é destinada automáticamente ao Estado e Poder Local que é o PIDAC. Além disso há ainda partipação de dinheiros comunitários em investimentos em infraestruturas (pontes , autoestradas, aeroportos, linhas férreas, et) que têm que obedecer a critérios definidos pela UE.
Finalmente há uma grande fatia que é destinada aos particulares. Os projectos apresentados pelos particulares têm que obedecer critérios que são definidos pela UE e também pelos governos nacionais que escolhem áreas prioritárias e que, lógicamente variam de país para país.
Ora õ ratio de execução dos dinheiros comunitários foi de 36% nos Governos de Cavaco sem dúvida dos melhores..
É bem de ver que o Estado utilizou a totalidade do dinheiro disponível pois foi durante estes 10 anos que se fizeram infraestruturas ,nomeadamente rodoviárias ,mais vultosas.
Isto quer dizer, portanto, que os privados ou não apresentaram propostas de acordo com os critérios ou pura e simplesmente as não apresentaram.
Ora, nos governos Guterres a taxa de execução subiu muito pouco mantendo-se abaixo de 50% e só nos governos de Barroso, Santana e Sócrates a taxa de execução chegou quase a 70%.
O que quer dizer que a falta de investimento não resulta da falta de dinheiro.
Mais uma vez aqui está uma prova do que dizemos.
Queixam-se os empresários que os critérios são muito exigentes!
Pois, pois, é como aqueles treinadores que atribuem a derrota ao estado do campo (como se também não o fosse tambem para a equipa adversária.)
O que se passa é que os empresários ou não investem ou querem investir em actividades que eram feitas pelos avós e que não se adaptaram ao novo paradigma apesar de milhões gastos quer pelo Estado quer pelas próprias Associações Patronais para informar e formar os empresários dos novos paradigmas !
O que acontece é que são os próprios governos que ,na ansia legitima de aproveitar todo o dinheiro comunitário, andam á procura de investidores !
Não é o que lhes compete. Não é afinal á iniciativa privada que compete ser o motor da economia? Não é tal a sua vocação segundo o liberalismo defendido pelas direitas que tem horror ao EStado (embora se aproveite dele quando lhe convém).?
Aqui se prova que em POrtugal mesmo na 1ª republica e durante o Estado Novo, o Estado sempre foi responsável por complementar a inexistência da iniciativa privada (lembram-se dos planos de fomento subsiados pelo Estado que por exemplo construíram Alvalade (a parte nova de Lisboa) com dinheiros públicos ?
Tal como disse no livro : em Portugal "isto sem o Estado não vai lá"
Eis como os tais economistas copiam ipsis verbis o que aprendem nos livros sem aplicar esses conhecimentos á realidade do país e do povo em apreço.
Mais um exemplo da fraca classe empresarial uma das culpadas pelo fraco crescimento do país e do afastar das médias europeias !

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