terça-feira, 3 de agosto de 2010

Ainda o estado e a economia

Já vejo que o nosso amigo joaquim mesmo de férias não larga o latop.
Só gostaria de lhe tentar demonstrar as suas contradições:
- O Estado não interviu na PT apenas quando usou a golden share.
Interviu quando a PT comprou a VIVO de forma a aumentar-lha a dimensão e a internacionalizá-la em ordem a criar condições para não ser vítima de uma OPA.
E voltou a intervir negociando a entrada na OI.
Se não tivesse intervido desde o princípio não haveria lugar a este negócio porque a PT não teria a VIVO, para começar e provávelmenteaté já teria sido comprada por qualquer telefónica.
Portanto se aqui a economia recuou fez muito bem a accionistas , a consumidores e ao país.
Como disse, sou Keynesiano e portanto não concordo que o Estado tem que estar fora da economia e muito menos que a economia tem leis imutáveis que não podem ser desafiadas pelo homem.
Veja só Joaquim:
Se os Estados não se tivessem empenhado em defender (com o dinheiro dos contribuintes) o sistema financeiro mundial, os Bancos tinham colapsado e criado uma crise de fome e desespero. Não será este exemplo suficiente e bem recente para desencorajar aqueles que defendem a defesa do sacrossanto mercado?
Outra queatão:
- Não é o Governo português que se mete nos negócios. O Governo do país e das universidades liberais por excelência(os EEUU) não exitou em manobras proteccionistas para defender a industria metalurgica há largos anos em crise e também não exitou em comprar mais de 50% da General Motors.De notar que os susídios aos agricultores existem em larga escala nos EEUU.
Não há portanto em nenhum sítio do mundo uma prática liberal tout court na economia. Não são , portanto , os países mais vulneráveis que armando-se em ingénuos ou estúpidos têm que aplicar teorias que nem os grandes seguem.
Ainda outra questão:
Se os mercados funcionarem sem interferências, Portugal e outros países pequenos não terão empresas nacionais, porque as leis do mercado se impõem e os grandes comerão os pequenos.Passaremos, então a ser apenas fornecedores Tier 2 como , por exemplo se passa na industria automóvel em que as empresas portuguesas ou não existem ou são subcontratantes.
Poder-se-á dizer que tal acontece pela inepcia dos investidores portugueses. Mas como podem os investidores portugueses competir com empresas cujo orçamento é maior que de muitos países ?
E mesmo essas multinacionais que investiram em Portugal só o fizeram graças ás ajudas de Estado que os países disponibilizam para assegurar IDE !
- Dir-se-á também qua a nacionalidade dos detentores do capital é indiferente: as empresas pagam impostos, dão emprego e qualificam a mão de obra, portanto que importa se são estrangeiras ?
Não é assim, porque:
- Em primeiro lugar uma empresa alemã será sempre dirigida por alemães. Mesmo que "aturem" alguns quadros nacionais, será sempre em posições subalternas ou se alguém consegue chegar lá acima sem ser alemão é um entre dezenas de alemães.
O que se diz para uma empresa alemã, diz-se para qualquer outra nacionalidade.
- Segundo, quando há borrasca, quam se lixa é o mexilhão. Veja , por exemplo na indústria automóvel , e mesmo na D....., quantos quadros americanos foram despedidos em razão da reestruturação e quantos foram das outras nacionalidades.
Chega até a mandar-se um americano negro que não fala quaisquer línguas, como Presidente da Europa. Um indivíduo que nuca trabalhou fora ddos EEUU e que não entende o cliente europeu e que , certamente terá um nível de aceitação desses clientes abaixo de zero !
Para se salvaguardar empregos de americanos até se inventam funções. Este é apenas um exemplo duma empresa até bastante liberal neste particular, mas pode ser extrapolado á vontade.
- Igualmente , se há borrasca, sacrificam-se empresas "overseas" e mantêm-se as da nacinalidade dos donos, afectando as economias onde operam.
Veja também o caso da D......: só havia problemas nos EEUU em virtude de um spin off mal realizado que arrasou a empresa. No entanto , quantos trabalhadores e quadros americanos perderam os seus empregos versus o resto do mundo ?
Não é portanto indiferente a nacionalidade dos detentores do capital.
-Gostaria ainda de dar alguns exemplos em que um misto de sistema de mercado com intervenção benevolente mas atenta do Estado ,produziu bons resultados.
Veja-se o Brasil: em regime liberal acentuaram-se os pobres, a inflacção disparou fazendo-se fortunas como sempre acontece nestes casos,etc.
Após o Plano real o Brasil entrou no caminho certo: a inflação diminuíu e no "consulado"do Lula reduziu-se o número de pobres em 50 milhões.
Tal resultado absolutamente espectacular não foi conseguido deixando o mercado entregue em si mesmo.
Pelo contrário, o Governo negociou caso a caso o IDE, continua a ter pins cofins (leia-se impostos de importação de países terceiros que pode ir até 40%), acordou condições especias de dupla tributaão com os EEUU e também assinou acordos bilaterais com condições próprias , por exemplo com a UE (e durante a Presidência portuguesa).
Se a Embraer veio para Portugal comprando as OGMA (falidas) e se negoceia a PT e a Galp é graças ao Governo do país e não aos "mercados".
Se o Brasil continuasse como estava teríamos um mercado livre mas um povo miserável e desesperado.
E aqui, Joaquim é a nossa difernça. A economia serve para servir os habitantes do planeta e não o contrário.
Finalmente o argumento definitivo: a democracia é o governo do povo.
O povo só controla a política .Se vamos deixar tudo entregue aos capitais e mercados, o que é que controla o povo ?
E estamos á espera que os detentores do capital se preocupem com algo mais que os lucros, como, por exemplo, o bem estar dos cidadãos ?
Nem pensar. O que ter+iamos nesse caso era os cidadãos votarem nequeles que lhes tratam do lixo, deixando toda a sua vida entregue aos mercados !
Quem é que vai nisto?: Eunão.
Continuação de boas férias

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