terça-feira, 12 de julho de 2011

Viva la Vida - o “estado de graça”

Enganaram-se todos os que profetizaram que este governo não iria ser contemplado com o habitual estado de graça. Definitivamente só Santana Lopes não foi agraciado. Calma que vou, abaixo, falar bem deste governo.

Pois bem, vamos aos factos que sustentam este extraordinário estado de Graça . O Primeiro Ministro propõem o populista Fernando Nobre para Presidente da AR, e em duas votações humilhantes não é eleito. E não o é pela sua própria maioria de coligação. A seguir nomeia uma ilustre desconhecida, e os analistas rendem-se. Não se percebe a quê e porquê. Mais, na constituição do Governo o PM leva seis negas (seis!), a seguir vêm as segundas escolhas, e mais uma vez os analistas vergam-se ao talento dos ilustres desconhecido. Vitor quê? Álvaro quantos? – Ninguém conhece mas são seguramente o supra sumo da Economia. Ou será da Economia das Universidades!? Meus queridos amigos Advogados e Engenheiros: aprendam esta lição: um Economista jamais deprecia um colega de profissão. Estes que agora estão no Governo passam a ser a referência! Querem um exemplo bastante análogo: lembram-se do Campos e Cunha (Primeiro Ministro das Finanças de Sócrates)? Recordam-se do que se dizia? Sim, que não havia ninguém mais dotado,.. mas pelos vistos bastaram os singelos meses para se confirmar o grande Bluff. Com os mesmos trunfos a história só se poderá repetir. O estado de Graça é total. Afinal agora parece que descobriram os problemas de contágio da Grécia e da Incapacidade da União Europeia. Antes, a culpa da crise, era da total responsabilidade do Governo Sócrates. Hoje a surpreendente a nova “onda” diz-nos que o problema é a falta de Liderança da Europa. Vasco Polido Valente dizia esta semana que a «Europa Morreu». Até Medina Carreira citava «agora o Problema de Portugal estará dependente do que se passar na Europa». Agora, antes não !?. Por favor poupem-nos a Inteligência! Ainda mais notável e surpreendente é o unanimíssimo voto de censura ás agências de notação financeira, mais precisamente á “Moody’s” . Cavaco, que ainda não deu uma para a caixa depois que foi reeleito, vem agora com lágrimas de crocodilo atacar o “dowgrade” do “rating” da Republica. É bom lembrar-mos da historia recente: O único factor de serenidade e confiança dado aos mercados foi o PEC IV , onde o “rating” desceu apenas e após a demissão do governo e da consequente instabilidade politica. Agora toda a gente acordou, reitero. Eu já aqui defendi o ataque irracional que o País estava a ser vitima – principalmente pelo objectivo ultimo no ataque ao Euro. Antecipo-vos algo que na minha perspectiva terá probabilidades de acontecer. Sendo as três agências da rating Norte Americanas (apesar de a Fitch ter sido adquirida por capitais Franceses), num futuro próximo vão atacar a divida soberana dos Estados Unidos. Por uma razão muito simples: Politica. Todas estas agências estão conotadas com o partido Republicano. O ataque via deficit e divida publica, terá como alvo Barak Obama. Os americanos Republicanos ainda não digeriram a derrota, e muito menos o facto de serem conotados com o colapso da Economia, que paradoxalmente é o expoente máximo que legitima a sua ideologia. Mais grave ainda, registe-se o maior anacronismo dos tempos modernos: a nata dos reguladores financeiros promover o “tea Party’s” de Michele Backmann . Garanto-vos que até de J.W.Bush iríamos ter saudades.

Como dizia, vou–vos falar pela positiva. Começou bem o Primeiro Ministro na atitude. Já se percebeu que não vai sustentar a sua governação no lavar de roupa suja daqueles que o procederam. E porque isso é inédito é também notável. Tem estado bem, ao tentar tomar medidas coerentes com o que tinha defendido na campanha eleitoral. Exemplo pragmático: a extinção dos Governadores Civis. De aplaudir também a formatação do Governo em apenas 11 Ministros, sendo que metade são Independentes. Existente outros bons sinais e exemplos , como a plano da Privatizações ou noutro âmbito o fim das borlas de Agosto na ponte 25 abril , ou ainda o fim das outras “ pontes” ligadas aos feriados. Na constituição do governo, para além dos ilustres desconhecidos que me condiciono avaliar, destaco uma escolha certeira e irrepreensível. Paulo Macedo na Saúde. Não colocaria ninguém acima. Porque competente e Pragmático. E certeiro foi também o Ministério, que seguramente é o que gera mais desperdícios sem valor acrescentado para estado e utentes.

Antes de passar ao negativo, deixo-vos no meio, as tiradas populistas logo evitáveis. Refiro-me ao “decretar” viajar em “Economic”. Não dignifica o estatuto de PM. É Demagógico o PM do meu País viajar em “Economic” e qualquer “burro gesso” em “Business”. E veja-se o resultado , na cimeira Europeia era noticia esse “fait divers “ e não o que se jogava nos interesses do País

Deixo-vos agora o pessimismo de um optimista. Refiro-me ao patamar , dos Ministros que têm todas as condições de falhar , por culpa própria. Refiro-me ao novo Ministro da Educação e da Ministra da Justiça. Não por serem dois antigos “ódios de estimação” que há muito observo. A atitude é comum aos dois : eles intitulam-se como os iluminados, e todas as reformas que os outros fizeram foram um desgraça. Educação : garanto-vos que a historia reconhecerá a obra do Governo Sócrates protagonizada por Maria de Lurdes Rodrigues. O que li de Nuno Crato foi que tudo o que foi feito foi péssimo. Pergunto. Então foi péssimo as crianças agora permanecerem na escola com actividades extracurriculares até ás cinco da tarde? Foi péssimo a introdução do Inglês ? Foi má opção as aulas de substituição? Foi mau fechar as escolas com insucesso escolar, com poucos alunos e a mesma Professora em todos os anos lectivos? É péssimo ter uma das melhores taxas de cobertura no pré escolar em toda a União Europeia? É péssimo promover a avaliação de professores? É Péssimo a equidade escolar? É péssimo o ratio conseguido de pela primeira vez a escola incluir mais de 80% dos jovens dos 15 aos 19 anos? Pois bem, Nuno Crato diz-nos que o problema está nas maquinas de calcular, e por isso a escola precisa é de uma evolução (!?). Mais, diz-nos que só os talentosos a poderão frequentar. Exclusão em vez de Inclusão? Então é esse o novo Modelo? Talvez esta seja uma fractura ideológica. Para mim não se suscitam duvidas: a melhor das formas de promover o “elevador” da sociedade é através da escola Publica. O investimento na qualidade da escola Publica é o maior expoente da igualdade de oportunidades. Todas estas reformas eram reclamadas á décadas , mas agora foram concretizadas . Por isso o desconforto de muitos .

Quanto á Ministra da Justiça , os meus caros amigos estarão de longe muito mais creditados para fazer o “outlook” . Aguardo a vossa opinião para seguramente influenciar e formatar a minha. Mas deixo-vos esta dica : não vos parece Paula Teixeira Cruz a Ana Gomes lá do sitio ? Pelo menos em termos de “arruaça” a diferença não é grande!

Mas o mais surpreendente que este governo nos brindou foi o imposto extraordinário com formula de calculo indexada ao Subsidio de Natal. Primeiro , cuidado que não é 50% do 13ºmês , mas sim de todos os rendimentos. Já agora aqui fica a formula para os meus amigos : Total Rendimentos anuais (X) 1/14 (X) 50% (-) Ordenado mínimo . Mas vamos á questão Politica . O que ouvimos dizer vezes sem conta é que tudo se resolvia pela redução dos desperdícios e despesa do estado. O mais brilhante é que a solução de tudo estava nos «consumos intermédios do estado». Pois bem , onde está na prática a medida para a tão proclamada solução ? Quem são os Senhores
“consumos intermédios”? Onde estão os “savings”? Pois , pela boca morre o peixe. Não só foi pela via despesa do estado , nem via impostos do consumo , mas sim pela via do imposto sobre o Rendimento. Este seria ,na minha opinião, a ultima medida de recurso a ser executada. O ultimo patamar a ser sacrificado, uma vez que é pela via do trabalho que se incute ambição diferenciação e se gera riqueza. Assim é fácil ! Bem prega frei Tomás ....


Esta semana assisti ao concerto ao vivo dos Coldplay no Optimus alive. Um dos grandes êxitos da banda é o “Viva la Vida” – e eu transponho aqui para uma analogia bastante presente: “Viva o estado de Graça “- esqueçam a utopia dos consumos intermédios do estado !

Boas Ferias. Este ano vou estar em Cabo Verde , e seguramente recordar que 14 anos atrás estávamos aí a avaliar uma oportunidade de Investimento , com os queridos amigos : Cândido Serra, Jorge Cardoso , Luis Figueiredo . Tanta nostalgia ,...

Escrevam.
Um grande abraço
Joaquim

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